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Revéillon em dobro

Tania Valeria Gomes

07 Janeiro 2010 | 14h31

Nosso sempre bem-disposto viajante recebeu votos de boas festas e feliz ano novo de uma grande quantidade de leitores e, of course, manda retribuí-los, na sempre positiva expectativa (segundo ele) de poder encontrá-los “somewhere around the world“. Conforme mencionado em sua coluna da semana passada, mr. Miles partiu para uma empreitada inédita e excêntrica, na companhia de de sua alternativa amiga Sarah Scott, uma fanática adepta de rituais de passagem e, claro, de sua inseparável mascote Trashie, a raposa das estepes siberianas.
A intenção da expedição é comemorar o réveillon em duas noites consecutivas, utilizando-se, para isso das vantagens proporcionadas pela Linha Internacional da Hora. É o próprio viajante britânico quem explica:

Well, my friends: como deve ser de seu conhecimento, a Linha Internacional da Hora divide o hoje do amanhã de forma abstrata e convencionada. Trata-se, in fact, de um traço imaginário esticado sobre o globo na altura do meridiano de 180 graus que, however, sofre convenientes desvios de modo a jamais passar sobre áreas habitadas.
Caso isso ocorresse, as you know, poderia ocorrer de que uma pessoa solidamente posicionada ao meio-dia de uma segunda-feira fosse obrigada a dar as mãos à outra que ainda estivesse em pleno almoço do domingo anterior, com estranhas consequências metafísicas. Don’t you agree?
Eis que, analisando o mapa do Pacífico, verifiquei que, se eu estiver nas ilhas Wallis e Futune no dia 31 de dezembro, serei um dos primeiros cidadãos do mundo a comemorar a entrada de 2010. Sem contar o fato de que, por uma falha de meu currículo, jamais estive nesse pequeno arquipélago francês, que contém interessantes atrativos arqueológicos.
A viagem, I presume, é um pouco longa. Vou para a Austrália, pego um vôo de linha para Nouméa, na Nova Caledônia e um pequeno avião da Aircalin para a ilha de Uvea, em Wallis.
Prevejo uma deliciosa noite etílica à beira-mar para receber o Ano Novo, observando as mandingas de Sarah e cuidando para que Trashie não se exceda na bebida. Há um único avião em Wallis, que já reservamos para o dia seguinte, após o almoço. Com Jean-Paul, que me disse ser um piloto experiente, voaremos os 300 quilômetros que separam Wallis de Upolu, no arquipélago norte-americano de Samoa. Em pouco mais de duas horas, vejam só, aterrisaremos again no ano de 2009.
É claro que é só um truque, mas recuperar um dia e poder refazê-lo é uma experiência que cada um de nós saberia usar com inteligência para corrigir aquele erro que alterou nossos destinos ou reviver aquela alegria que nunca mais experimentamos. Don’t you agree?
Well: after that passaremos mais uma noite festiva no hotel de minha saudosa amiga Aggie Grey, que, durante a Segunda Guerra, produzia os hamburgueres mais sonhados de todo o Pacífico. Com vista para o Porto de Apia e um copo de scotch na mão (sorry, champagne não), entrarei pela segunda vez em 2010, na expectativa de, nesse ano duplicado, viajar duas vezes mais, conquistar duas vezes mais amigos, apaixonar-me em dobro e, of course, ter duas vezes mais histórias para compartilhar com meus prezados leitores. Happy new year, fellows!