Santa Marta guarda o triste fim de um herói
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Santa Marta guarda o triste fim de um herói

Fabio Vendrame

21 Janeiro 2014 | 04h10

Visita imperdível, Quinta de San Pedro Alejandrino conserva os últimos suspiros de Simón Bolívar, que morreu de tuberculose ali depois de mudar os rumos políticos do continente


SANTA MARTA

Desde a sexta-feira 17 de dezembro de 1830, um relógio de parede está parado – e marca pontualmente 13h03 e 55 segundos. Data digna de ser lembrada, não apenas na Colômbia, como em toda a América Latina. Após liderar movimentos de independência no norte do continente e ganhar status de mito, o general Simón Bolívar morreu, aos 47 anos, no quarto principal da Quinta de San Pedro Alejandrino, histórica fazenda de cana nos arredores de Santa Marta. E o tempo (pelo menos aqui) parou.

Principal atração turística de Santa Marta, a 230 quilômetros de Cartagena, a verdejante propriedade onde o líder revolucionário passou seus últimos 11 dias – recriados por García Márquez no livro O General em seu Labirinto – realmente vale a visita. Um pouco de história não só contextualiza o passeio como faz florescer a imaginação, entre árvores centenárias frondosas, casarões preservados e galpões de moagem de cana.

Detalhe dos aposentos de Simón Bolívar na Quinta – Foto: Felipe Mortara/Estadão

Doente, Bolívar chegou à região em novembro de 1830, mas perdeu dois barcos com destino à Europa, onde iria se tratar. Sem ter opção melhor, o político e militar venezuelano aceitou a oferta de hospedagem de Don Joaquín de Mier, poderoso fazendeiro local, e, cercado de cuidados, morreu de tuberculose. Uma estátua de mármore imortaliza o herói como se foi, com 1,65 metro de altura, porém pesando apenas 35 quilos. A entrada custa cerca R$ 14 e no site museobolivariano.org.co é possível ter uma boa ideia do lugar.

Crepúsculo. Se puder, visite o centro de Santa Marta ao anoitecer. A essência da cidade de 450 mil habitantes pode ser mais bem percebida quando o dia se vai. Bares colocam mesinhas para fora e algumas ruas do entorno do Parque de los Namorados ficam restritas aos pedestres. É uma delícia ver a juventude local para cima e para baixo, em grupos, conversando e curtindo a música que sai dos restaurantes ou a feita de improviso por músicos reunidos ao acaso.

Restaurantes como o Donde Chucho (Calle 19, 2-7) servem de carne a frutos do mar. Provei um coquetel de camarão saboroso (US$ 5), acompanhado de outra refrescante pedida, também tradicional: a cerezada – suco de limão com cereja (US$ 2) e jeitão de raspadinha de praia. Para algo mais sofisticado, o Rocoto (Carrera 2N, 19-20) serve uma ótima causa, clássico peruano feito com purê de batatas, frutos do mar e guacamole (US$ 15).

Casario colonial – Foto: Felipe Mortara/Estadão

Um dia é mais que suficiente para ver o básico. A catedral, erguida originalmente em 1614, teve de ser refeita mais para trás no século 18 em razão do avanço do mar. Bem na frente está o Palácio Episcopal (aberto de segunda a sexta-feira, das 8 horas ao meio-dia), com importantes relíquias religiosas da Colômbia.

Alguns passos adiante, o Museo del Oro (Comuna 2) exibe uma interessante coleção de objetos do povo tayrona, principalmente joias e cerâmicas. Mas o que vale a pena mesmo é ir até a região onde até hoje vivem os descendentes da tribo, o Parque Nacional Tayrona. / F.M.

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