Será que vai dar tempo?
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Será que vai dar tempo?

Adriana Moreira

18 Janeiro 2010 | 15h30

Convenhamos: será muito difícil você, efetivamente, conseguir ver de perto todos esses lugares. Nem mesmo Mr. Miles, nosso colunista britânico que ostenta o título de homem mais viajado do mundo, conseguiu acumular tal soma. Mas ao menos pelas 960 páginas do livro 1001Maravilhas Naturais para se Conhecer Antes de Morrer (Ed. Sextante, R$ 59,90) é possível ter uma vaga ideia de quão belo deve ser ver de perto a desova dos caranguejos-vermelhos – ocorrida na semana passada – na Ilha Christmas, na Austrália.

Mais de 100 milhões de caranguejos invadem as ruas da Christmas Island, na Austrália. Foto: Christmas Island Tourism Association/Divulgação

Mais de 100 milhões de caranguejos invadem as ruas da Christmas Island, na Austrália. Foto: Christmas Island Tourism Association/Divulgação


Ou descobrir que o longínquo Sri Lanka abriga um monólito que já serviu de moradia real e hoje é Patrimônio da Humanidade da Unesco. Conhecida como Sigiriya, a rocha abriga um castelo – cuja entrada tem a forma de um leão – erguido no século 5.º.

Entrada de Sigiriya, também conhecido como Templo do Leão. Foto Reuters

Entrada de Sigiriya, também conhecido como Templo do Leão. Foto Reuters

A Unesco, aliás, tem participação no livro de autoria de Michael Bright, produtor da divisão de história natural da rede britânica BBC durante 30 anos. O diretor geral da Unesco, Koïchiro Matsuura, escreveu o prefácio. Além disso, todos os Patrimônios da Humanidade são destacados por um símbolo. E é assim que você vai perceber (e, quem sabe, até estranhar) quantos lugares incríveis não integram a famosa lista.

O Parque Nacional de Torres del Paine e o Deserto do Atacama, ambos no Chile, são exemplos de pontos excluídos do rol da Unesco, mas com presença garantida no livro. Assim como o Lago Titicaca, na Bolívia, ou a formação rochosa conhecida como Doze Apóstolos, em Vitória, na Austrália.

Vale da Morte, no Deserto do Atacama. Foto Camila Anauate/AE

Vale da Morte, no Deserto do Atacama. Foto Camila Anauate/AE

O Brasil, é claro, está lá, contemplado com 19 destinos, a maioria deles na região da Amazônia, como o encontro dos Rios Negro e Solimões e o Arquipélago das Anavilhanas. Mas estão listados também as Cataratas do Iguaçu, a mata atlântica, o cerrado, o Pantanal e até o Pão de Açúcar.

Mergulho no encontro dos rios Negro e Solimões. Foto Sergio Moraes/Reuters

Mergulho no encontro dos rios Negro e Solimões. Foto Sergio Moraes/Reuters

A parte decepcionante é que nem todos os lugares descritos trazem foto. Afinal, dá vontade de ao menos saber que belezas fizeram o Banco de Arguin, lar de flamingos, tartarugas, focas e outras espécies na Mauritânia, integrar a lista de Patrimônios da Humanidade. Região de pântanos marinhos, é um dos maiores parques nacionais do continente africano.

Vamos imaginar, contudo, que sua meta de vida seja conhecer os tais 1001 lugares. Considerando que você fique no mínimo cinco dias em cada um deles (contando o período de deslocamento), serão necessários 5.005 dias, o que dá 13 anos e 262 dias viajando.

Não é impossível para alguém com uma conta bancária polpuda, disposição e muito desprendimento. Mas como chegar a certos lugares sem voos diretos, pacotes turísticos ou estradas, como a Calota de Gelo da Groenlândia? E enfrentar a complicada situação política do Afeganistão para ver de perto os Lagos Band-e Amir? O conjunto de lagos se estende por uma faixa de 11 quilômetros, a cerca de 3 mil metros de altitude.

Eu, apesar dos cinco anos como repórter do Viagem&Aventura, não nego uma certa frustração ao contabilizar no passaporte apenas 24 dos 1001 lugares listados no livro. Será que algum dia chego lá?