Sessão de terapia
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Sessão de terapia

Fabio Vendrame

04 Fevereiro 2014 | 02h40

Chocolates, fondues, lojinhas, festivais frequentes e passeios de barco emoldurados por montanhas cobertas de neve que mudam de cor a cada hora. Sim, Lucerna funciona melhor do que qualquer divã

Passeio no Lago Lucerna – Foto: Adriana Moreira/Estadão

Adriana Moreira / LUCERNA

No coração da Suíça, bate uma cidadezinha. Bate, não: acaricia. Acaricia olhos e alma, oferecendo uma paisagem que parece ter saído de uma pintura ou daqueles quebra-cabeças de milhares de peças. Lucerna, conhecida como “a cidade dos festivais”, faz parte de um grupo restrito de lugares em que a época do ano escolhida para visitá-la não importa – sempre há algo interessante para se ver e fazer, mesmo durante as baixas temperaturas do inverno.


Estive lá em dezembro, quando, apesar de os termômetros já estarem marcando temperaturas negativas, a neve ainda não tinha dado o ar da graça – mas sair à noite sem luvas e um bom casaco já era inviável. O sol, no entanto, brilhou todos os dias. Uma sorte, me disseram: céu azul sem névoa, nessa época do ano, seria uma raridade.

Os Alpes Suíços estão logo ali, como uma moldura, mudando de cor ao longo do dia: amanhecem branquinhos, ficam avermelhados no fim de tarde e, à noite, parecem prateados.

Kappellbrücke, símbolo da cidade – Foto: Adriana Moreira/Estadão

Sobre o Rio Reuss, o principal cartão-postal da cidade: a Kapellbrücke (Ponte da Capela), erguida no século 14. No século 17, o artista Henry Wagmann fez 147 pinturas nas vigas do teto. Mas, em 1993, um incêndio destruiu 100 delas. Uma pena.

Pela Kapellbrücke, chega-se à Cidade Antiga, de ruas estreitas e construções medievais. Caminhar por ali significa prestar atenção nos detalhes. Nas fontes que jorram água pura (pode encher sua garrafinha sem medo). Nos afrescos nas paredes, tradição local. Em lojinhas escondidas, como a Antiquitäten Mr. George (antik-shop.ch), que mais parece a casa de uma bruxa, tamanha a quantidade de vidrinhos e prateleiras. No interior decorado da Igreja dos Jesuítas, construída em 1666.

Relógio de 1535 toca um minuto antes dos demais Foto: Adriana Moreira/Estadão

Lucerna foi uma das muitas cidades muradas da Europa – 870 metros delas, com três torres intactas, ainda podem ser visitadas. Na terra dos relógios, ali fica o mais antigo da cidade, de 1535, que tem uma particularidade: toca sempre um minuto antes dos outros, para que seu som possa ser ouvido sem concorrência.

E se o chocolate suíço tem sua (merecida) fama, as casas especializadas exibem uma infinidade de misturas: com pimenta, nozes, avelãs, frutas. As lâminas, finas como papel, ficam expostas na vitrine e você escolhe o tamanho do pedaço que quer. Humm…

Apesar do sabor incomparável dos tabletes, confesso que não tomei por ali nenhum chocolate quente digno de nota. Por outro lado, me esbaldei no vinho quente dos mercados natalinos de dezembro e no fondue, que, além de pãezinhos, acompanha batatinhas assadas para molhar no queijo derretido. Dos deuses. Provei no Fondue House Spycher (fondue-house.ch), cuja decoração parece a de uma casa de fazenda.

Não se engane com a aparente simplicidade do local: os preços são altos (lembre-se, estamos na Suíça). Assim, o fondue de três queijos, para duas pessoas, custa 65,50 francos suíços (R$ 175) para cada um. E sem bebidas.

Paisagem terapêutica – Foto: Adriana Moreira/Estadão

Navegar é preciso. Caminhar pelo centro é divertido e necessário, mas um passeio de barco pelo Lago Lucerna é fundamental. As embarcações partem várias vezes ao dia do centro da cidade, com direito a paradas em vilarejos do caminho.

Vitznau é uma delas. Logo ao descer, o visitante já embarca em um trem rumo a Rigi, conhecida como “a rainha das montanhas”. A linha, construída em 1871, leva os visitantes a uma vila tranquila, a quase 2 mil metros de altitude, onde a diversão se resume a fazer trilhas no verão, esquiar no inverno ou relaxar nos spas. Outra parada popular é Alpnachstad, de onde partem trens para o topo do Pilatus, a 2.132 metros de altitude.

Mesmo no inverno, o passeio pelo imenso e cristalino lago permite observar moradores remando em seus caiaques, turistas passeando à beira-rio, aproveitando o sol delicado, e uma paisagem terapêutica, que acalma e faz sorrir. No verão, dizem, o agito é ainda maior.

Mas fevereiro também é mês de festa por lá. Dia 27 começa o Fasnacht, o carnaval da cidade, com desfiles coloridos, gente fantasiada e muita música. As festividades este ano vão até 4 de março.

Não vá se perder por aí – Foto: Adriana Moreira/Estadão

Museu dos Transportes, para ver e brincar

Aviões, trens, bondes, barcos: o Museu dos Transportes da Suíça (verkehrshaus.ch) reúne mais de 3 mil objetos em um espaço de 20 mil metros quadrados. O mais bacana é que você não fica apenas observando as relíquias e lendo etiquetas: dá para brincar de ser piloto, motorista, mecânico e até maquinista.

Criado em 1959, o museu é ótimo para levar as crianças (mas mesmo os adultos se divertem bastante). Há uma área ao ar livre, onde, em dias ensolarados, os pequenos circulam num trenzinho ou fazem suas primeiras manobras de carro (de brinquedo, claro).

O planetário conta com aventuras distintas. E há até um simulador onde você testa sua habilidade como piloto de helicóptero ou avião. Tudo está incluído no ingresso (30 francos suíços ou R$ 80 para adultos e 15 francos ou R$ 40 para menores de 16 anos). Dá para passar um dia inteiro ali. Em junho, o museu ficará ainda mais saboroso com a inauguração de uma área dedicada à história do chocolate. /A.M.

Balança, mas não cai: emoção à flor da pele com vista para os Alpes

ENGELBERG

Anjos de neve na frente das casas, incrustados nas paredes ou em delicados detalhes de decoração. Ao desembarcar em Engelberg, a cerca de uma hora de trem de Lucerna, a avalanche de seres alados já denunciava o significado do nome da cidade: Montanha dos Anjos. Foram os monges beneditinos que batizaram assim o lugar quando ali chegaram, no ano 1120.

De fato, não há como não se sentir em um pedaço do céu no alto dos 3.020 metros de altitude do monte Titlis. Há várias etapas a serem vencidas para chegar ao topo, entre teleféricos e bondinhos giratórios.

Lá do alto, em dias claros, é possível ver até a Alemanha. E, depois, escolher sua atividade. Esqui? Sim, claro: há 82 quilômetros disponíveis de pistas, abertas normalmente de novembro a maio. Mas há também snowshoeing (caminhar com raquetes nos pés), descida de trenó, um hotel de gelo e até uma ponte suspensa, que balança conforme os turistas andam sobre ela. Não se preocupe, é seguro. Mas, para quem tem medo de altura, pode ser desafiador. Afinal, a estrutura metálica está a 500 metros do solo, com vista para os Alpes.

E que tal entrar em uma geleira? São 150 metros de percurso a 20 metros abaixo da superfície do glaciar, a 1 grau negativo. No momento, contudo, a caverna gelada está em manutenção – e não se sabe se será reaberta ainda neste inverno. /A.M.

SAIBA MAIS:

  • Aéreo: o trecho SP–Zurique–SP custa desde R$ 2.812,48 na Swiss (swissair.com) em voo direto. Com conexão, R$ 2.220 na Air France (airfrance.com),  713,55 euros (cerca de R$ 2.360) na TAP (flytap.com) e R$ 3.175,46 na TAM (tam.com.br)
  • Trem: a rede de transportes na Suíça é extremamente eficiente. Com o Swiss Pass (swiss-pass.ch),viaja-se pelo país todo pagando uma tarifa única. O preço inclui o transporte dentro da cidade em ônibus, barcos e trens locais, como o de Vitznau

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