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Sobre viagens temáticas

Tania Valeria Gomes

18 Fevereiro 2010 | 11h52

Nosso excêntrico viajante encerrou sua viagem para St. Barthélémy satisfeito com a temperatura do mar e a beleza das praias, mas ligeiramente enfastiado pelo que chamou de “french atmosphere”. ” É, de fato, um lugar très chic, mas não pude evitar a sensação de que estava na avenue Montaigne com iates ancorados. Confesso que prefiro Tortola, onde, pelo menos, os carros rodam pelo lado certo”. A seguir, a resposta da semana:

Mr. Miles: qual é a sua opinião sobre as viagens temáticas, que parecem ser uma tendência crescente no mundo do turismo? O senhor acha que as pessoas aproveitam alguma coisa dos lugares ou só se dedicam aos assuntos específicos de que vão tratar?
Osvaldo Cançado Flores, por email

Good question, dear Osvald. De forma geral, considero qualquer tipo de viagem uma bem-vinda ruptura do cotidiano. Não há dúvida, however, que é o espírito do viajante que a torna mais ou menos valiosa. Vou lhe dar um exemplo: alguns anos atrás, em Veneza, vi um transatlântico ancorar para uma dessas visitas de um dia. Observando o desembarque, não pude deixar de reparar em um grupo de senhores que desceu do navio com seu tacos de golfe a tiracolo. Em Veneza? Wasn’t it weird? Aonde, raios, eles iriam exercitar seus swings e puts? No Ca’ d’Oro? No Canareggio?
Perguntei a um deles que, apressado, me informou que eles já tinham um carro a sua espera para levá-los a um campo de golfe no continente. Ou seja: Veneza, para aqueles golfistas, era apenas um porto mal-localizado. Is it possible?
Nevertheless, não se pode dizer o mesmo da maioria dos assim chamados viajantes-temáticos. Eu mesmo sou um deles, as you know. Com a freqüência possível, viajo para praticar birdwatching.
Tenho enorme prazer em avistar pássaros raros e colecionar, na minha cabeça, suas imagens fugidias. Sempre que o faço, porém, aproveito cada momento de minha estadia para explorar os arredores, conversar com as pessoas, provar os sabores e entender as idiossincrasias locais. Trata-se, neste — como em muitos outros casos —, de uma viagem comum com um hobby acoplado. Suponho que vivam as mesmas sensações aqueles que saem de casa para fazer turismo gastronômico ou que percorrem regiões inteiras de bicicleta. É, a meu ver, uma maneira inteligente de estabelecer limites para uma jornada e tornar mais intensa e qualificada a experiência.
Exceto no caso das chamadas viagens religiosas, nas quais o interesse pelo destino é quase sempre mitigado pelo ardor da fé, os que optam por roteiros temáticos costumam ser viajantes mais experimentados, que sabem exatamente o que querem. Isso os torna, também, mais exigentes quanto à qualidade dos serviços que estão adquirindo. Assim são os que partem, por exemplo, para cavalgar ou pescar. Dê a um cavaleiro uma montaria inadequada… do you say pangaré?… e ele vai exigir seu dinheiro de volta. O mesmo ocorrerá com adeptos de fly-fishing que forem levados a rios pouco piscosos.
On the other hand, existem temas que provocam viagens, mas é como se não levassem a lugar algum. Tenho um amigo que só sai de sua casa em Cardiff para eventos de numismática. Conheço outros que percorrem o mundo para encontros de heráldica ou hagiologia. Esses, my fellow, não são viajantes temáticos. Seus próprios temas é que são uma viagem. Don’t you agree?