Tesouros ocultos de San Andrés
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Tesouros ocultos de San Andrés

Fabio Vendrame

21 Janeiro 2014 | 03h40

A propaganda fala nas sete cores das águas cristalinas e cálidas do arquipélago assediado por piratas no passado que, agora, vive abarrotado de banhistas ávidos por um lugar ao sol


SAN ANDRÉS

Dizia o slogan que o mar de San Andrés tinha sete cores. Sempre desconfiei de propaganda enganosa. Bom, resolvi dar uma chance – afinal, vai que… Após duas horas de voo desde Bogotá, uma pomposa recepção: um toró daqueles de alagar as poucas ruas do centrinho da única cidade da ilha. Mas não tem nada não, deve ser chuva tropical e passa num instante, pensei.

Tour de lancha rumo a Johnny Cay – Foto: Felipe Mortara/Estadão

Esperei ansiosamente o sol sair para tirar a prova dos nove, ou melhor, das sete cores. Só que o céu nublado insistia em me acompanhar. Enquanto isso, embarquei em um ônibus até a Cueva de Morgan, do outro lado da ilha, no quilômetro 7 da Carretera Circunvalar. Se você também não sabia, Morgan foi um pirata inglês que veio esconder algum tesouro por esses lados. Diz a lenda que nesse local – transformado num parque temático – ele enterrou um baú.

Por US$ 5 você também visita um tal museu do coco com “vibrantes” esculturas feitas de fibra. Mas o mais legal é quando começam as demonstrações de calipso e te tiram para dançar. Os colegas de excursão adoram. Fim do dia, não encontrei tesouro, mas os mosquitos descobriram meu tornozelo.

Agora vai. A música – de Xuxa a Britney Spears – animou todo mundo à beira da piscina do Hotel Decameron (www.decameron.co) até a meia-noite. San Andrés, polo do duty-free na Colômbia, está sitiada por grandes complexos all-inclusive.

Pela manhã, os olhos correram esperançosos até a varanda e, além de avistar um casal desfrutando da lua de mel no quarto da frente, percebi uma imensa nuvem negra que pediu asilo permanente sobre o oceano.

Vale aqui ressaltar os cinco longos minutos que fiquei contemplando – o mar, claro – e tentando, apesar do leve daltonismo hereditário, enumerar os tons. Sem nenhuma ironia: eram vários, lindos. E, por incrível que pareça, O cinza-chumbo da nuvem lhes dava ainda mais intensidade e contraste.

Embarcamos numa lancha apinhada rumo a Johnny Cay, ilhota a cinco minutos do hotel (se o mar não estiver batido, por supuesto). Um mormaço hipócrita já alvejava a tez de incautos banhistas. Escolha a barraquinha e o drinque colorido! Está chegando a hora do tibum!

A esta altura eu já estava apaixonado pela cor do mar. Dava para enxergar o meu pé, o do meu vizinho e o da criancinha berrando com o irmão a mais de 15 metros.

Snorkeling: visibilidade garantida – Foto: Felipe Mortara/Estadão

Faltava mais um teste, o da visibilidade. Outros 15 minutos de barco nos levaram às ilhas de Haines Cay e Acuario (nome sugestivo, hein?). De fato, a água é maravilhosa, mas você só vai ver alguma vida se pagar US$ 15 para outro marinheiro, em um barco com fundo de vidro, levá-lo a um ponto de snorkeling. Ao cair na água, a surpresa: enxergar a mais 25 metros de distância cardumes de peixes-cirurgiões, pargos e budiões. Menos de dez minutos depois, fui informado de que meu tempo havia se esgotado.

Mas, antes de voltar para a ilha, o barqueiro foi gentil, veja só. Aproveitou que o barco tinha fundo de vidro e foi até um canto onde vivem algumas arraias que ele mesmo alimenta. Nessa hora, quase fim de tarde, o sol apareceu por alguns instantes e dissipou a onipresente nuvem negra. Olhei para o mar, e já não via as sete cores. / F.M.

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