Três filmes indicados ao Oscar para rodar o mundo
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Três filmes indicados ao Oscar para rodar o mundo

Adriana Moreira

15 de janeiro de 2015 | 20h16

As expectativas para a premiação do Oscar neste domingo, 22, são grandes. Há quem aposte em “Birdman” e “Grande Hotel Budapeste” como favoritos deste ano. Pudera. Os dois filmes foram os mais indicados (nove cada um) na lista divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood  (oesta.do/premiooscar). Mas nós, do Viagem, selecionamos os nossos preferidos ou, ao menos, os que mais podem te inspirar a ir além das telonas e viver a sua própria experiência, seja no Alabama, na costa do Pacífico ou no Congo.

Mesmo se nenhum deles ganhar uma estatueta, você já terá bons motivos para assisti-los e, melhor ainda, dividir com os personagens muitas histórias.

Aqui vão os nossos vencedores:


SELMA – indicado a melhor filme e melhor canção

Assista ao trailer: oesta.do/trailerselma

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Volte a 1965, no Estado do Alabama, Estados Unidos. Trilhe o caminho de milhares de pessoas na luta pelos direitos civis. A proposta é inspirada no longa “Selma”, um dos oito indicados ao Oscar como melhor filme (também concorre na categoria melhor canção com “Glory”).

O longa conta a trajetória do líder Martin Luther King e de diversos ativistas nas históricas marchas pacifistas contra a segregação racial no país durante a década de 1960. Um verdadeiro convite à memória, que pode ser visto nas salas de cinema e pessoalmente, em uma visita ao Alabama.

O Estado norte-americano fez de seu passado um atrativo turístico. Começando pela capital Montgomery, o Museu Rosa Parks (troy.edu/rosaparks) conta a história da greve de 381 dias que resultou na proibição da segregação entre brancos e negros nos transportes públicos do Alabama em 1955. Há também o Civil Rights Memorial, onde estão escritos em mármore os nomes das vítimas mortas durante os protestos.

Foi da cidade de Selma que, em 1965, saíram milhares de pessoas, comovidas com o espancamento pela polícia de 500 manifestantes na ponte Edmund Pettus, semanas antes – num domingo que ficou mundialmente conhecido como “Bloody Sunday” -, rumo à capital (uma caminhada de 87 quilômetros que durou cinco dias). A conquista foi sangrenta, mas veio: os negros ganharam o direito ao voto meses depois, uma história que você pode conhecer melhor no Museu do Direito ao Voto (nvrmi.com). A cidade ainda reserva muitos outros acervos culturais e históricos, como o Museu África Antiga, Escravidão e Guerra Civil (africa2america.weebly.com). Para saber mais, acesse selmaalabama.com.

Ainda há Birmingham, maior cidade do Alabama, que abriga o Instituto de Direitos Civis (bcri.org). O local tem mostras temporárias e permanentes e exposições interativas que narram a luta de várias gerações pelos direitos humanos no Sul dos Estados Unidos e no mundo todo. Dê um pulo também no memorial da igreja batista da Sixteenth Street, onde quatro garotas morreram em 1963, após um bombardeio de membros da Ku Klux Klan (KKK), organização racista e protestante que ganhou força na região.

Aéreo: SP-Birmingham-SP a partir de R$ 3.705 na United Airlines (united.com).


LIVRE – indicado a melhor atriz e melhor atriz coadjuvante

Assista ao trailer: oesta.do/trailerlivre

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Para quem gosta de natureza selvagem, “Livre” será inspirador. O roteiro, baseado na autobiografia da autora, começa depois que Cheryl Strayed (interpretada por Reese Witherspoon) perde a mãe, se divorcia do marido e entra no mundo da heroína. Na busca pelo autoconhecimento, ela decide se aventurar numa trilha de quase 1.800 quilômetros pela costa oeste dos Estados Unidos, desde a fronteira com o México até o Canadá.

A história de Cheryl é de superação por vários motivos, claro. Mas trilhar a Pacific Crest Trail já é uma vitória por si só para quem se arrisca nela. Passando pelos Estados da Califórnia, Oregon e Washington, a trilha surpreende com os mais diferentes cenários, repletos de lagos e montanhas, desertos e glaciares de Serra Nevada. Tudo pode ser feito a pé, como a personagem do filme, ou a cavalo, basta uma mochila nas costas e os equipamentos certos para o tipo de passeio que você quer fazer. Mais: pcta.org.

Aéreo: SP-San Diego(Califórnia)-SP a partir de R$ 4.180 na United Airlines (united.com).


VIRUNGA – indicado a melhor documentário

Assista ao trailer: oesta.do/trailervirunga

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“O Parque Nacional de Virunga é vida para a comunidade”, diz um dos personagens do documentário que narra a luta pela preservação de um dos Patrimônios Mundiais da Unesco, localizado na República Democrática do Congo e constantemente ameaçado por empresas interessadas na extração de petróleo.

Refúgio para cerca de 200 gorilas-das-montanhas ameaçados de extinção, o parque – que, vale dizer, é o mais antigo da África, fundado em 1925 – está em guerra contra o desmatamento e a caça indiscriminada. Assistir ao filme ou visitar o local, em um passeio que pode incluir o Congo, Ruanda e Uganda, te proporcionará muitas recompensas e talvez ajude a compreender melhor o porquê da luta contra a destruição dessa rica biodiversidade.

São oito grandes vulcões, inativos desde 2002, na cordilheira de Virunga e três parques nacionais no roteiro que passa pelos três países (Congo, Ruanda e Uganda). A principal atividade por lá é o trekking – chegar ao topo das montanhas pode demorar, mas valerá a pena. Existem pacotes a partir de R$ 5.590 e a melhor época para ir é entre junho a setembro, com tempo seco.

Se você quiser acrescentar pitadas de história ao seu passeio, este pedacinho do continente africano também tem muito a dizer. Basta lembrar, por exemplo, que Virunga foi cenário de atrocidades históricas como o genocídio em Ruanda (1994) e as duas guerras do Congo (1996 a 1997 e 1998 a 2003). Mais: visitvirunga.org.

Aéreo: SP-Congo-SP a partir de R$ 6.114,41 na Air France (airfrance.com.br).