Um carnaval (muito) bem comportado
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Um carnaval (muito) bem comportado

Adriana Moreira

14 Fevereiro 2010 | 15h34

Desfile de ano novo em Hong Kong. Foto Adriana Moreira/AE

Desfile de ano novo em Hong Kong. Foto Adriana Moreira/AE

Há carros alegóricos, fantasias, dança e música. Quase um carnaval, mas sem corpos desnudos ou closes ousados nas moças bonitas. A parada em comemoração ao ano novo chinês em Kowloon, área continental de Hong Kong, é comportada, inocente até. Também não é longa, como nos desfiles das escolas de samba no Brasil. Os 38 grupoes que se apresentam – organizados por grandes empresas e instituições govenamentais diversas – passam em  apenas 1h30. Tudo transmitido ao vivo, pela TV.

Leão desfila em Hong Kong durante comemorações pelo ano novo chinês. Foto Adriana Moreira/AE

Leão desfila em Hong Kong durante comemorações pelo ano novo chinês. Foto Adriana Moreira/AE

A saudação que equivale a um “Feliz Ano-Novo” – Kung Hey Fat Choy – indica o início às festividades. Homens dão vida à uma fantasia de leão, realizando malabarismos impressionantes. O animal traz proteção para o ano vindouro e pode ser visto não apenas no desfile: há comerciantes que contratam a performance para garantir boa sorte nos negócios. Mas é preciso agradá-lo, pendurando um pé de alface (estranho para um leão, não?) na entrada do estabelecimento.


A parada pela, vá lá, Marquês de Sapucaí de Hong Kong, segue com shows rápidos de tradição japonesa, tailandesa, indiana, do Reino Unido, cheerleaders norte-americanas até que surge… uma espécie de escola de samba? Pois é, os integrantes são da Tropidanza dos Estados Unidos, que reproduzem tradições do Brasil. Homens jogam capoeira ao som de um batuque, digamos, modesto. Mulheres de biquíni e penacho na cabeça ensaiam um samba mal ajambrado, com exceção de uma mulata cujo gingado não deixa dúvida: só pode ser brasileira. Confira o vídeo aqui.

Um grupo de percussão da Suíça toca “Eye of the Tiger”, a música mais propícia para o ano do tigre, animal que rege o calendário lunar. Só faltou Rocky Balboa. E sete meses após sua morte, Michael Jackson segue mais popular que nunca: dois grupos realizam performances ao som de “Thriller”.

Crianças vestidas de tigre, de bailarina, tocando instrumentos ou dançando, encantam a plateia. Ao final, o leão e o dragão se encontram, assinalando o fim do desfile. Tudo organizado, calmo e muito, muito seguro.

Mas o primeiro dia do ano lunar também foi de oração. Mais cedo, uma longa fila cercava o templo taoísta Sik Sik Yuen Wong Tai Sin, o mais popular de Hong Kong. Todos, afinal, querem fazer seus pedidos para ter um ano próspero. Com 18 mil metros quadrados, o local é divido em diversos templos menores, cada um com seus próprios deuses. A fumaça dos milhares de insensos acesos defuma até o pensamento. Acostume-se com ela (não há outro jeito), siga em frente e arrisque um pedido. Quem sabe dá certo?

Multidão no templo Sik Sik Yuen Wang Tai Sin, que funciona 24 horas: a fumaça que se vê é puro insenso. Foto Adriana Moreira/AE

Multidão no templo Sik Sik Yuen Wang Tai Sin, que funciona 24 horas: a fumaça que se vê é puro insenso. Foto Adriana Moreira/AE

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