Um dia em Copacabana
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Um dia em Copacabana

Adriana Moreira

30 Novembro 2009 | 18h53

No lugar do biscoito Globo, pipocas parecidas com aquelas que vêm no saquinho rosa. E ao invés da orla com gringos, ondas e areia (e alguma sujeira),  gringos, barqueiros, pedras (e alguma sujeira). Como se vê, há poucas semelhanças entre a Copacabana carioca e a boliviana além do nome.

A Praia de Copacabana

A Praia de Copacabana

Confesso que, ao descer do aliscafo, espécie de lancha turística, fiquei um pouco chocada com a pobreza da cidade famosa, ponto de parada obrigatória de quem visita o Lago Titicaca pelo lado boliviano. A orla de um lugar tão especial, que na história inca teria sido o berço de seu primeiro imperador, merecia tratamento melhor.

Mas Copacabana tem muito a seu favor. Apesar do turismo, dos hotéis, dos hippies, do comércio de bugigangas, ela se mantém autêntica. As cholas que vendem nas ruas milho, amendoim, batatas de todos os 250 tipos existentes no país e as tais pipocas do saquinho rosa ainda acreditam que as fotos podem lhes causar enfermidades. No comércio de rua, é comum o escambo de alimentos entre os próprios vendedores.


Seguindo pela rua principal, você vai descobrir que o Titicaca divide as atenções turísticas com a bela Igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Erguida em 1550, é uma espécie de Aparecida do Norte boliviana, mas menos movimentada. Me aproximava pela praça principal quando ouvi uma cantoria. Uma bandinha tinha sido contratada por um grupo de motoristas de táxi de uma cidade próxima, como forma de homenagear a Virgem.

Enquanto isso, cholas enfeitavam os táxis estacionados em frente à igreja com flores e fitas. Depois, o padre deu a bênção a todos. Juan, um dos motoristas, me contou que sempre que alguém compra um carro novo precisa levar à igreja para benzê-lo. Assim, terá proteção e boa sorte nos negócios.

Cholas enfeitam carros

Cholas enfeitam carros

Dentro da igreja, uma particularidade. A santa não está virada para o altar, mas para o lago. O que se vê da câmara principal, cercada de madeira trabalhada e adornada com ouro, é apenas uma cortina. Quem quiser ver a imagem de perto precisa subir as escadas até uma sala menor. A Virgem só é voltada para a parte principal da igreja em eventos especiais.

Na volta para o barco, uma tranqüilidade rara em uma cidade tão turística. Nenhuma chola pede moedas por uma foto. Nenhuma abordagem incisiva, com ambulantes tentando vender um colarzinho ou um cartão-postal. E, foi assim, mesmo sem biscoito Globo e outros atrativos da princesinha do mar, que a Copacabana boliviana conquistou minha simpatia.

A igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Fotos Adriana Moreira/AE

A igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Fotos Adriana Moreira/AE