Um dia para desfrutar às margens do Nilo
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Um dia para desfrutar às margens do Nilo

Fabio Vendrame

25 Fevereiro 2014 | 03h20

Barqueiros cheios de simpatia – Foto: Daniel Nunes Gonçalves

ASSUÃ

Eterno rival do Rio Amazonas na disputa de maior do mundo, o Nilo é uma mítica artéria que corta dez países do leste africano até terminar sua jornada no Egito, onde deságua no delta do Mar Mediterrâneo. Só navegando por suas águas, que correm de sul a norte, pode-se apreciar sua beleza e compreender sua importância: nada menos que 90% dos 84 milhões de habitantes desse país desértico concentra-se às suas margens repletas de templos, campos férteis e palmeiras carregadas de tâmaras. Alguns dos cruzeiros mais clássicos do planeta – muitos deles, de luxo – passeiam por até uma semana e conectam cidades como Luxor e a apaixonante Assuã.

Erguida em um ponto de geografia privilegiada à beira da primeira catarata formada pelo Nilo, que na antiguidade demarcava a fronteira com o Egito do Sul (atual Sudão), Assuã foi a principal fonte dos granitos-rosa, matéria-prima para pirâmides, obeliscos, estátuas gigantes e outras maravilhas espalhadas pelo país.


A beleza e a importância histórica acabaram por transformá-la em um dos mais amados destinos egípcios, e é provável que seu guia queira levá-lo para visitar locais como o Monólito Não-Acabado, a represa local – que já foi a maior do planeta ao ser concluída, em 1902 – e o Museu de Aswan. Se o tempo for curto, não se sinta culpado em abrir mão de tudo para simplesmente relaxar, curtindo o rio.

O ideal, no entanto, é investir uns três dias nesta parada, o que permite ao menos um bate-volta para ver de perto o espetacular templo de Abu Simbel, de 13 a.C., considerado um dos mais sagrados e bem conservados de todo o Egito.

Templo Philae, dedicado à deusa Íris – Foto: Daniel Nunes Gonçalves

Como antigamente. A navegação em uma feluca, como são chamados os veleiros de madeira tradicionais, é um bom jeito de aproveitar o dia. Vestindo turbantes e galabias, túnicas típicas já fora de moda no Cairo, os barqueiros conduzem a locais como o fantástico templo Philae, dedicado à deusa Isis, que começou a ser erguido entre 285 e 246 d.C.

Vila núbia – Foto: Daniel Nunes Gonçalves

Outra parada são as vilas núbias. Considerados por alguns pesquisadores como descendentes da mais antiga civilização negra da África, os núbios vieram do atual Sudão e preservam língua e hábitos diferentes do resto do Egito. Visitamos um de seus povoados de camelo, passeando pelo deserto a oeste do Nilo. A sorridente Mona Abduzaher nos recebeu em uma casa de chão de areia e teto vazado. “Que bom que vieram”, comemorou, enquanto servia chá de hibisco e pão de sol, feito com farinha de gergelim e melaço. “Antes da revolução, recebíamos 10 grupos por dia, e hoje temos de nos contentar em vender nosso artesanato para apenas um ou outro grupo por semana.”

Embora esteja a quase mil quilômetros de distância do Cairo – e dos protestos violentos que mancharam a imagem do Egito –, a pacata Assuã também viu seus quartos de hotéis esvaziarem. Foi o que aconteceu com o mais famoso da cidade, o Sofitel Old Cataract (diárias desde US$ 262). Desde 1899, ele é considerado uma atração por si só, tamanha a beleza de sua localização, sobre uma rocha à beira-rio e diante das ruínas da Ilha Elephantine.

Old Cataract: Agatha Christie ficou aqui – Foto: Daniel Nunes Gonçalves

O Old Cataract teve a má sorte de reabrir, depois de 3 anos de reforma, justamente no outono de 2011, quando eclodiu a primeira revolução. A ocupação, que antes da crise costumava ser de 80%, caiu pela metade. Ainda assim, a fama de ter sido o lugar onde a escritora britânica Agatha Christie escreveu Morte no Nilo (1937) – e onde, em 1978, seria gravada parte do filme homônimo – garante alguns poucos hóspedes. Só agora têm surgido mais viajantes destemidos dos recentes episódios de instabilidade do país. / D.N.G.

O QUE LEVAR

Na mala
Como em toda viagem, protetor solar para proteger do sol implacável do deserto. Para as mulheres, lenço para entrar nas mesquitas (braços e pernas também devem estar cobertos)

Na mochila
Seguro-viagem e contato da embaixada brasileira (no Cairo; 202- 24-61-9837) são imprescindíveis sempre

O QUE TRAZER

Tapetes
No final dos 15 km do caminho do Cairo para Saqqara há grandes fábricas de tapetes e produtos em algodão egípcio de qualidade (preços: de R$ 12 a R$ 90 mil). A Oriental Carpets & Tapestry School tem uma escola de tecelagem para filhos de funcionários

Cacarecos
Miniesfinges e minipirâmides, vendidos nos souqs. Escaravelhos, em bijouterias ou enfeites, também são típicos

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