Verão geladinho em Calafate: os 5 principais passeios da região
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Verão geladinho em Calafate: os 5 principais passeios da região

Viagem Estadão

10 Janeiro 2019 | 05h00

Glaciar Perito Moreno é uma das maravilhas naturais da Argentina. Foto Felipe Mortara

Por Felipe Mortara, especial para o Estado

Se no verão Buenos Aires fica excessivamente quente e úmida, as alternativas de destino na Argentina acabam ficando mais para o sul. A Patagônia é uma das regiões mais procuradas pelos visitantes nessa época do ano, quando as temperaturas ficam mais confortáveis, o tempo mais estável e propício para aproveitar ao ar livre. Fazem parte do cenário lagos azuis, geleiras, picos nevados, desertos e um dos céus mais lindos do planeta.

Localizada a 2.750 quilômetros de Buenos Aires, ou 3h15 de voo, a cidade de El Calafate oferece uma infraestrutura razoável e é a base para explorar a região. Os principais hotéis e restaurantes ficam no centrinho da cidade de 18 mil habitantes. Dali, agências locais organizam tours que podem durar de um a três dias, com pacotes de pernoites e alimentação.


Não espere por alta gastronomia nem serviços muito sofisticados. Tampouco conte pagar pouco, já que tudo parece sempre muito inflacionado por lá, desde a comida até as entradas nos parques, passando pelos passeios. Definitivamente não é uma viagem barata, mesmo viajando de forma econômica. Mas acredite, se não valesse a pena, este post não estaria aqui.

Quanto tempo?

Há atrações suficientes para passar sete dias na região, embora muitos visitantes acabem ficando por cerca de quatro dias. Amantes de caminhada devem incluir uma ou duas noites na pequenina vila de El Chaltén, a 213 quilômetros, para percorrer algumas das melhores trilhas do continente. E, de quebra, ficar cara a cara com o Cerro Fitz Roy, uma das montanhas mais impressionantes do mundo. Reunimos abaixo as 5 principais atrações para incluir na sua ida a El Calafate.

O labirinto de decks e passarelas do Perito Moreno revela ângulos incríveis. Foto Felipe Mortara

Glaciar Perito Moreno

A mais famosa geleira do continente é um esplendor. Não à toa, é uma das atrações naturais mais visitadas da Argentina. Símbolo máximo do Parque Nacional Los Glaciares, é uma gigantesca massa de gelo com 5 quilômetros de face por 60 metros de altura. Ao longo dos séculos a neve da Cordilheira dos Andes foi descendo e se compactando e deu origem à majestosa formação.

Para chegar é preciso pegar um ônibus ou van e percorrer 80 quilômetros a partir do centrinho de El Calafate. A dica é sair bem cedinho, para pegar o parque não tão cheio e conseguir a melhor luz para fotografar. O único senão é que o principal espetáculo ali – observar quedas de grandes blocos de gelo – costuma acontecer mais a partir das 10h da manhã, quando a temperatura esquenta mais.

Uma bem estruturada rede de 7 quilômetros de passarelas de madeira e de aço contornam toda a Península de Magalhães diante da grande geleira. Você terá vários ângulos, com ou sem árvores na frente e todos ficam esperando o momento em que um grande bloco se desprenderá, causando grande estardalhaço.

Uma das grandes emoções é ver os blocos se desprendendo, o difícil é fazer uma boa foto… Foto Felipe Mortara

Além das caminhadas pela passarela, uma experiência surpreendente é a caminhada no glaciar, que revela novos tons de azul e aproxima o visitante dos sons impressionantes que o organismo gera. Munido de crampons, aqueles ferros de alpinista, nos pés você descobrirá grutas e fendas gelada. Há dois tours principais vendidos pelas operadoras: o Mini Trekking, que dura 1h20 e custa 3.600 pesos (R$ 357) e o Big Ice, que dura 3h30 e custa 6.900 pesos (R$ 685), ambos no site da Hielo y Aventura, a empresa que detém a concessão das operações no parque. Lembre-se: recomendado apenas para quem tiver em boas condições físicas.

Por sua vez a navegação diante da geleira não demanda nenhum preparo. Não incluso no preço do ingresso, que dá acesso às passarelas, o chamado Safari Náutico (800 pesos ou R$ 78 no site) chega perto – pero no mucho – da Península de Magalhães e as chances de ver um bloco cair mais perto do que da passarela são maiores.

Muita gente opta por um pacote completo, que as agências vendem por uma média de 1.700 pesos (R$ 167) ou então dá pra ir por sua própria conta, pegando um ônibus na rodoviária (450 pesos ou R$ 45) e pagando entrada avulsa na bilheteria do Parque Nacional (700 pesos ou R$ 70).

Uma trilha bem leve conduz a este mirante sobre o Glaciar Upsala. Foto Felipe Mortara

Estância Cristina e Glaciar Upsala

Apesar não ter a fama do Perito Moreno, o Glaciar Upsala também entra na categoria “imperdível”. E a forma mais bacana de conhecer essa geleira é fazer o passeio completo de um dia da Estância Cristina. São oferecidas opções com mais ou menos caminhadas e vista para um ou para os dois lados da geleira – acredite, são bem diferentes. Ah, e para públicos de idade e bolso bem variados.

No fim acabei optando pelo Discovery (R$ 667), com transfer desde o hotel em El Calafate, navegação até a face ocidental do Glaciar Upsala e tour em 4×4 pela reserva particular da Estância. E também uma caminhada de 30 minutos até um amplo mirante sobre o lado oriental da geleira, almoço farto de cordeiro patagônico e visita ao delicado museu da propriedade.

É um passeio de um dia bem intenso por um lado menos movimentado do Lago Argentino. Os blocos de gelo mais incríveis de toda a viagem, com matizes de azul quase irreais iam aparecendo ao longo da navegação. Desde o transfer até os guias a bordo do barco e do jipe 4X4, todo o serviço é muito eficiente. Talvez o tempo de navegação pudesse ser prolongado e o barco se aproximar mais da geleira. A Estância abre entre outubro e abril, fechando durante o inverno.

Navegação pelo Glaciar Viedma é uma das mais belas da região. Foto Felipe Mortara

Glaciar Viedma e El Chaltén

Cercado por montanhas como o Cerro Fitz Roy e o Cerro Huemul , o Glaciar Viedma faz jus ao status de maior glaciar argentino segundo maior da América do Sul. Com 25 km de comprimento e 2,3 km de largura perdendo em tamanho apenas para o Glaciar Pio XI, no Chile. Para chegar até ele é preciso ir por transfer até a vila de El Chaltén, a 213 quilômetros de El Calafate. A viagem é longa, então preveja um pernoite.

Embarquei no tour Viedma Light (a partir de 6.200 pesos ou R$ 615). Partimos cedo do Hotel Kosten Aike em El Calafate e seguimos por 3 horas de ônibus até El Chaltén. Com trilhas infinitas, a cidade vive de sua fama como epicentro do trekking na Patagônia.

O tour de barco é lindo e quem sabe você tenha mais sorte do que eu tive. O grupo anterior viu de pertinho o desprendimento do maior bloco de gelo dos últimos anos. A navegação é bem bonita e vale torcer para o tempo estar aberto para conseguir avistar os picos. No fim, segue-se numa pequena van até um acolhedor refúgio na beira do lago e ali é servido um almoço com bons cortes de carnes e queijos locais. Na saída, algumas lhamas engraçadas parecem posar para a foto.

Principal mirante da região, o Balcon de Calafate tem tours com emoção. Foto Felipe Mortara

Balcon de Calafate

Às margens do Lago Argentino, emoldurada pelo Cerro Torre e o Cerro Fitz Roy ao fundo, a vista do mirante mais famoso da região é impressionante. A panorâmica da cidade é marcante, mas não é tarefa das mais simples chegar até lá. A estrada de terra acidentada e íngreme faz valer a pena o Vip Trekker, passeio inusitado do Calafate Mountain Park.

A bordo de um sensacional ônibus modificado com tração nas 4 rodas, 15 passageiros sobem e descem por encostas rochosas impressionantes ao longo de três horas. A vista é fora de série e opte pela última saída do dia para pegar as belíssimas luzes do entardecer patagônico. Custa US$ 65 ou R$ 241.

O Calafate Moutnain Park é uma das poucas atrações que não fecha no inverno, pelo contrário, fica ainda mais viva na estação fria. Isso porque abriga 12 hectares de área esquiável, pista para snow mobile e para tubing. As desérticas colinas ficam todas branquinhas esperando para serem rabiscadas. Por ser pequenina, é mais recomendada para esquiadores iniciantes.

A arquitetura imponente do Glaciarium revela um museu interativo e moderno. Foto: Divulgação 

Glaciarium

Bem elaborado museu interativo, o Glaciarium (entrada 480 pesos ou R$ 47) explica de forma didática e como se formaram as geleiras e sua importância não apenas para a Patagônia, mas para todo o mundo. Gráficos e experiências científicas mostram que o aquecimento global é um problema mais do que real e conduzem o visitante a pensar em soluções. Dê preferência para visitar no fim do dia e encare um happy hour no Glaciobar. Experimente a sensação de beber uns bons drinques numa espécie de grande iglu onde se entra paramentado com um espesso casaco e se brinda abaixo de zero com saborosos coquetéis.