Viagens de natureza apoiam comunidades em áreas de preservação
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Viagens de natureza apoiam comunidades em áreas de preservação

Vivalá retoma turismo comunitário na Amazônia e nos Lençóis Maranhenses e lança roteiros também para Veadeiros, Diamantina e regiões de Cerrado e Caatinga

Viagem Estadão

09 de julho de 2021 | 07h00

Por Nathalia Molina*

Natureza, comunidade e voluntariado: o tripé sustenta o trabalho da Vivalá desde 2017. Agora, na retomada das viagens em 2021, a agência amplia sua atuação no turismo de base comunitária para outras áreas de preservação. A Vivalá volta com suas expedições para a Amazônia e para os Lençóis Maranhenses e, até o fim do ano, levar grupos também para a Chapada dos Veadeiros (GO), a Chapada Diamantina (BA), o Parque Nacional Grande Sertão Veredas (MG) e o Geoparque Seridó (RN).

“A gente só trabalha dentro de unidades de preservação, em estruturas que tenham esse zelo pela natureza. As pessoas precisam conhecer para preservar”, diz Daniel Cabrera, um dos fundadores da Vivalá, que já registra quase 800 pessoas de nove países entre seus viajantes. “Também é preciso quebrar a distância entre os grandes centros urbanos e essas localidades, já que 70% da população brasileira está na costa e nas metrópoles. São vários Brasis dentro de um Brasil, o que pode levar ao preconceito regional por desconhecimento. Por meio do turismo de base comunitária, a gente quer aproximar as pessoas e fazer com que elas possam interagir.”

Grupos viajam para conhecer paisagens e culturas tradicionais do Brasil – Fotos: Vivalá

Além de manter a população no lugar de origem devido à renda gerada pela visitação, o turismo contribui para a sustentabilidade por preservar paisagens e culturas do Brasil. “Os viajantes fazem oficinas sobre conhecimentos ancestrais. Aprendem sobre uso de ervas medicinais em chás, processamento de açaí na Amazônia, a pescar e limpar peixe com caiçaras, a dançar carimbó, a fazer farinha”, exemplifica Cabrera. “As nossas viagens são 100% de base comunitária, contribuindo financeiramente para a população. Desde 2017, a gente já conseguiu injetar R$ 512 mil nas comunidades. Temos mais de 200 famílias como fornecedores, de hospedagem, alimentação, guiamento e oficinas. A ideia é que isso vire uma profissão para eles.”

Oficinas com atividades da comunidade

Nos roteiros, a empresa junta o voluntariado dos viajantes à capacitação das comunidades, de quilombolas, ribeirinhos e indígenas. “Os viajantes são treinados e acompanhados por alguém da Vivalá, para ajudar as famílias a organizarem seus negócios. A gente desenvolveu uma metodologia de capacitação chamada de Universidade Vivalá de Negócios. São dez módulos, cada um com um tema”, explica Cabrera. A cada viagem, um aspecto é trabalhado pelos viajantes com as famílias, por exemplo, marketing ou finanças. “Uma vez que passo por todos, volta para o começo. A gente acredita que o impacto mais profundo é de longo prazo. Por isso, preferimos trabalhar com menos comunidades, mas de uma maneira contínua.”

Ampliação para outras áreas de preservação

Em 2020, por causa da pandemia, as atividades foram suspensas de março a setembro. Foi quando a Fundação Grupo Boticário escolheu a Vivalá para receber suporte na teia de soluções, iniciativa da organização que apoia negócios de impacto socioambiental para gerar renda para a população local e promover a preservação da natureza e de espécies da fauna e flora ameaçadas. “Na Vivalá, eles já têm uma metodologia de capacitar as comunidades onde trabalham para ter um receptivo mais qualificado, tratar o lixo, se comunicar melhor, preparar os alimentos. Queriam ampliar as áreas de atuação. Nosso acompanhamento será por um ano, podendo ser estendido por mais seis meses”, explica Emerson de Oliveira, gerente de Conservação da Biodiversidade da fundação.

Mata Atlântica é um dos biomas de ação prioritária para a Fundação Grupo Boticário

“Temos três agendas: oceanos, cidades baseadas na natureza e turismo em áreas naturais. A Vivalá foi selecionada com outros dois projetos, o eTrilhas (proposta de unir os biomas com trajetos para caminhada) e o e-Natureza (iniciativa de médicos e pesquisadores do Albert Einstein para promover a cura física e psicológica por meio do contato com a natureza)”, diz. “Nós fazemos ações nacionais com como esses editais de apoio a projetos de terceiros e também chamadas específicas para atrair parceiros para os territórios prioritários para a fundação”, explica Oliveira, enumerando a Grande Reserva da Mata Atlântica, a Baía da Guanabara e os mananciais da região metropolitana de Curitiba entre eles.

Roteiros para a Amazônia e outros biomas

Ao lado da expansão nos roteiros, outra novidade na Vivalá em 2021 é o lançamento de expedições dedicadas apenas ao turismo de base comunitária. “O voluntariado é uma troca, mas em alguns casos ela acaba não funcionando, como para visitantes estrangeiros. Também fomos procurados por famílias que têm interesse em viajar com crianças”, conta Cabrera. Com ou sem voluntariado, a viagem pode ser em grupo ou individual.

Alter do Chão: expedições para a Amazônia também vão para o Pará

A primeira expedição neste ano foi em junho para a Amazônia – região para onde estão previstas outras 14 viagens em 2021. “Como as comunidades estão entre os prioritários, já estão vacinadas”, explica Cabrera. “Os grupos são de até 15 pessoas, ficando duas por quarto. A gente distribui máscara e álcool para todo mundo, mede a temperatura todo dia.”

As expedições da Vivalá com duração de 4 a 11 dias e preços mínimos por pessoas (sem aéreo) entre R$ 1.760 e R$ 3.600, incluindo hospedagem, alimentação, atividades e seguro-viagem. A viagem de Réveillon para a Amazônia custa a partir de R$ 3.950, disponível para a região do Rio Negro (AM) e Tapajós (PA).

* Sou jornalista de turismo e apresento o Como Viaja | podcast de viagem, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Me acompanhe também no Instagram @ComoViaja para novidades e curiosidades

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