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Viajando pela tevê

Adriana Moreira

28 Janeiro 2010 | 15h32

Adoro televisão. Mea culpa: acho o Silvio Santos a coisa mais tradicional do domingo, sou viciada em telejornal e não resisto a séries como Two and a Half Man. E neste momento você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com viagem?

No meu caso, tudo. Não resisto ligar o aparelho quando estou em terras estrangeiras. Quando se viaja sozinha, muitas vezes a TV se torna uma voz amiga ou até uma referência. Claro que minha prioridade está do lado de fora, mas uma vez dentro do quarto, ela está sempre ligada.

Com isso, algumas vezes relaciono certos programas televisivos a viagens. Salzburg, na Áustria, por exemplo. Os hotéis da cidade têm um canal que passa exclusivamente o filme A Noviça Rebelde, sem parar, 24 horas por dia. É impressionante notar como a cidade está preservada: não há mudanças significativas de 1965, quando a película foi ali gravada, aos dias de hoje. Adorava voltar ao quarto e comparar o que eu havia visto do lado de fora com os cenários mostrados na oscarizada produção. Sem contar que era difícil encontrar nos canais disponíveis programas que não fossem em alemão.

Em Málaga, na Espanha, meu horário de chegada da escola coincidia com o da série Friends. Lá também é difícil encontrar programas legendados: tudo que vai para a telinha está dublado. Como sou fã da série e já havia assistido aos episódios mais de uma vez, rever as histórias em espanhol me ajudou a descobrir gírias e expressões no idioma. E foi nas Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe, que peguei gosto pelas rabugices do doutor House – ele sempre surgia quando eu ligava a tevê, de volta ao hotel depois de um dia inteiro de mergulhos.


Não tenho o hábito de ver novelas. Quando estive na Bolívia, contudo, há pouco mais de um mês, acompanhava Viver a Vida pela Globo Internacional. Assistindo à trama, me sentia mais próxima do Brasil. Mas bastou chegar aqui para perder o interesse novamente.

Canais locais também são interessante. Eles não transmitem apenas a programação, mas também os hábitos, a cultura e o modo de ser de toda uma população. Basta assistir nas entrelinhas para perceber. Além disso, estar antenado com o que acontece no país visitado é sempre importante e pode render horas de bate-papo com os moradores.

Por outro lado, em muitos hotéis não há TV – e, geralmente, ela não faz nenhuma falta.  Na Ilha de Páscoa, por exemplo, só notei a ausência do aparelhinho no segundo dia de estadia. E não porque tive saudades da falante companheira: só quando alguém do grupo trouxe o assunto à tona é que me dei conta. Eu sequer havia procurado o controle remoto.