Voo direto de São Paulo (Congonhas) para Bonito pela Gol; saiba como é
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Voo direto de São Paulo (Congonhas) para Bonito pela Gol; saiba como é

Duas horas de avião separam a capital paulista do destino de ecoturismo no Mato Grosso do Sul. Rota é a segunda carbono neutro do Brasil

Viagem Estadão

07 de dezembro de 2021 | 15h06

Por Nathalia Molina*

Embarcar em Congonhas, aeroporto dentro da cidade de São Paulo, e duas horas depois estar em Bonito, no Mato Grosso do Sul: o voo direto da Gol agiliza muito a viagem para o destino, um dos mais importantes de ecoturismo no Brasil. A facilidade de conexão com Congonhas também se estende a outras capitais do País, como o Rio de Janeiro, com grande conectividade aérea com São Paulo por meio do Aeroporto de Congonhas. Estive no voo inaugural São Paulo-Bonito, realizado em 2 de dezembro, a convite da Gol.

Bonito recebe voo direto da Gol, saindo de Congonhas – Fotos: Nathalia Molina @ComoViaja

Há 15 anos eu conheci o destino de ecoturismo, durante uma curta viagem quando eu editava o caderno de Turismo do Jornal da Tarde. Na época, a visita rendeu uma reportagem de capa para o suplemento. Como não havia uma rota aérea direta entre a capital paulista e o destino, desembarquei em Campo Grande e segui quatro horas de carro até o destino turístico final. Portanto, a proposta de voar diretamente para Bonito era tentadora.

Facilidade de acesso ao destino nacional de ecoturismo

Realmente o transporte até lá ficou muito simples. Como eu disse para algumas pessoas, é um luxo embarcar em Congonhas e duas horas depois estar em Bonito. O preço de lançamento da passagem também está convidativo, a partir de R$ 700 por pessoa, mais taxas de embarque. Espero que a Gol mantenha essa tarifa para a praticidade de conexão aérea se tornar de fato acessível a mais gente.

O novo voo deve aumentar o fluxo de visitantes em Bonito, sem ultrapassar a média de 240 mil por ano, limite previsto pelo destino. “Vai aumentar de imediato o público. Minha expectativa para Bonito, antes da pandemia, era de crescer de 5% a 10% ao ano. A projeção do novo voo e saindo de Campo Grande também, que a gente vai encurtar a distância em 60 a 70 quilômetros, essa conjuntura para mim dá que 2021 já bate 10%”, afirmou Bruno Wendling, diretor presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), após a chegada do avião ao destino sul-mato-grossense. “Quando você pega a Gol, saindo de Congonhas, o principal mercado emissor do Brasil, é um marco, o divisor de águas no acesso a Bonito.”

Janaina Mainchein, coordenadora do Observatório de Turismo do Bonito Convention & Visitors Bureau (BCVB), contou que a cidade já perdeu a captação de eventos por causa da falta de um voo direto da capital paulista.
“Porque às vezes, por exemplo, para um médico pegar um voo, descer em Campo Grande e vir de van ou alugar um carro é complicado. Então a gente já deixou de trazer congressos na baixa temporada, o que vai ter um fluxo de visitantes, importante para garantir o emprego, a renda da população e a receita das empresas. Agora com esse voo da Gol isso muda”, disse Janaina.

Segundo diretor da Gol, melhor estrutura nos aeroportos tem tornado possível novas rotas, como essa de Bonito

Segundo Eduardo Rodrigo Calderon, diretor de Controle Operacional e Engenharia da Gol, companhia que completa 20 anos em 2021, os destinos brasileiros vêm se preparando para apresentar as condições necessárias para a abertura de novas rotas. “Cada vez mais a gente está vendo os aeroportos se adequarem para poderem receber uma aeronave como essa, o que é bom para a cidade e para a companhia também”, disse.

A Gol tem buscado cada vez mais investir em destinos regionais e voltados para o turismo, explicou Calderon. “A pandemia fez com que a gente acabasse mudando um pouco o foco. Todas as companhias aéreas no Brasil tinham uma parcela significativa de clientes de viagens corporativas e o lazer representava uma parte menor do mercado.”

Embora as viagens a trabalho devam demorar mais para voltar, existe uma grande procura por turismo de lazer dentro do País. “As pessoas redescobriram o Brasil de uma certa forma, pelo fato de terem de viajar mais internamente. Isso de alguma maneira nos favoreceu porque a Gol é uma companhia essencialmente brasileira, cuja a maior parte da sua malha está voltada para o mercado nacional. Antes da pandemia, a gente tinha 85% da malha no Brasil.”

De acordo com Calderon, a ocupação nos voos da Gol está muito alta e deve continuar assim. “A gente não vê nenhuma possibilidade de mudança. Claro que tem um temor com essas novas variantes, mas, com boa parte da população brasileira vacinada, a gente acha que não deve ter nenhum problema”, afirmou.

Dois voos por semana São Paulo-Bonito, saindo de Congonhas

A Gol faz duas frequências semanais de Congonhas (CGH) para o Aeroporto Regional de Bonito (BYO), às quintas e aos domingos. Sem escalas, os voos têm horários bem práticos também, levando em conta o check-in e o check-out no hotel em Bonito.

Voo tem horários favoráveis para check-in e check-out em hotel

Com partida de São Paulo às 12h40, o pouso no destino de ecoturismo está previsto para as 13h40 – o deslocamento leva duas horas, mas o relógio deve ser atrasado uma hora para estar de acordo com o horário local no Mato Grosso do Sul. Ou seja, quando o viajante chega ao hotel, distante menos de meia hora do aeroporto, o quarto já está liberado ou perto disso.

No retorno, o avião sai de Bonito às 14h20. O viajante tem de estar no aeroporto até uma hora antes no máximo para despachar bagagem. Então dá para escolher entre: café da manhã e almoço bem cedo; ou a primeira refeição mais tarde e um lanche antes do embarque (já que o serviço de bordo em voos nacionais está suspenso devido à pandemia). Seja qual for a decisão, a saída do hotel será antes do horário máximo estabelecido para deixar o quarto. A previsão de chegada ao Aeroporto de Congonhas é às 17h10.

Necessaire com grafismo da artista indígena Beni Kadiwéu

Para marcar o lançamento do voo direto para Bonito, a Gol deu aos passageiros um nécessaire customizado pela artista plástica indígena Beni Kadiwéu. A ação, realizada com a Phytoervas, incluiu uma seleção de produtos de higiene e beleza veganos. Os grafismos e as cores usadas pela artista sul-mato-grossense, tornaram a lembrança especial.

Segunda rota carbono neutro do Brasil, após Fernando de Noronha

O voo no Boeing 737-700, com capacidade para 138 passageiros, é a segunda rota carbono neutro do Brasil, depois de Recife-Fernando de Noronha desde 1 de setembro de 2021. A neutralização de ambos é realizada pela Gol em parceria com a Moss, empresa internacional de tecnologia para serviços ambientais. Em 2020, ela criou o MCO2, o primeiro token lastreado em crédito de carbono usado para compensação de gases de efeito estufa. Desde março do ano passado, cerca de R$ 100 milhões em transações da Moss já ajudaram a preservar em torno de 735 milhões de árvores na Amazônia em projetos certificados e auditados internacionalmente.

Tanto na rota de Bonito, quanto na de Noronha, a Gol e a Moss doam aos passageiros e à tripulação a compensação individual da pegada de carbono desses voos. Todo mundo ganha um certificado, produzido em papel semente – vou plantar o meu e depois conto o que aconteceu. A companhia aérea não realizou o batismo do avião após o primeiro pouso no destino, para evitar o desperdício de recursos hídricos.

Certificado de voo carbono neutro pode ser plantado

Em qualquer voo da Gol, o viajante pode compensar o carbono gerado com a sua viagem. No trecho de São Paulo para o Rio, por exemplo, isso custa R$ 2,38; de Brasília para o Rio, R$ 5,94; de São Paulo para Salvador, R$ 7,13; de Porto Alegre para Manaus, R$ 20,43.

* Sou jornalista de turismo, escrevo também o Como Viaja e apresento o Como Viaja | podcast de viagem, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Me acompanhe no Instagram @ComoViaja para novidades e curiosidades

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