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Ordos: uma metrópole sem bares

Mr. Miles

16 de agosto de 2019 | 12h16

Mr. Miles: o senhor tem afillhados por todo o planeta. Algum deles vive na moderna cidade de Ordos, na China?

Heloisa Blumberg, por email

Not yet, my dear, not yet. Foi muito esperta essa sua tentativa de aplicar-me uma pegadinha, mas, como é de conhecimento de alguns (eu, entre eles, I’m afraid), Ordos ainda é a maior cidade fantasma do mundo. Trata-se, aliás, de uma linda urbe, projetada por famosos arquitetos e construída em apenas cinco anos com o propósito de abrigar um millhão de habitantes. In fact, é uma história estranha, se vista de nossa perspectiva. Os chineses, porém, querem fazer a economia crescer sem parar, a taxas elevadíssimas. Therefore, para aumentar seu PIB, resolveram erguer uma metrópole já nas fraldas da Mongólia. Milhares de pessoas trabalharam na construção de Ordos, que fica em uma região muito rica em carvão e gás natural, apelidada de Chinese Texas. A questão, however, é que ninguém quer se mudar para lá, porque existe uma velha Ordos, cheia de vida, a trinta quilômetros de distância. Segundo me contou Xiang Ui Li, um velho amigo que está fazendo fortuna com mineração, a nova Ordos — embora vazia —, pode ser considerada um sucesso. Quase todos os seus imóveis foram adquiridos por investidores locais que prevêem um grande crescimento populacional nesse Eldorado chinês. Let’s wait and see.

Por enquanto, darling, só os fantasmas e alguns poucos curiosos utilizam-se das grandes e modernas avenidas da metrópole abandonada.

Eu mesmo confesso que nunca estive lá, seguindo a lógica de que se não há gente, não há bares; se não há bares, não há encontros e — pior que tudo —, se não há encontros a própria natureza da viagem está comprometida.