7 maravilhas naturais que já foram para o beleléu

7 maravilhas naturais que já foram para o beleléu

Heitor e Sílvia Reali

28 de outubro de 2020 | 11h43

Pinheiro Jeffery
crédito: Getty Image

“Só um olhar de amor intenso é capaz de insuflar vida a uma imagem que já não existe mais”.
Ao me lembrar de três maravilhas naturais que conheci e já não mais existem, o Salto de Sete Quedas, a Janela Azul, e as neves do Kilimanjaro, esse pensamento me golpeou em cheio. As quedas foram submersas pela ação do homem, a janela destruida por forte tempestade e as neves pelo aquecimento global. A partir delas selecionei mais quatro cenários que recentemente desapareceram, seja pela força da natureza, como a dos vulções, terremotos ou furacões, seja pela mão impiedosa do homem que conspira para destruir a natureza em nome do progresso. Restou só o intenso amor para revivê-las.

Sete Quedas
crédito: Matte Laranjeira

1) – Salto de Sete Quedas (Brasil/Paraguai)
Tivesse uma máquina do tempo, voltaria de imediato ao dia do meu encontro com as ‘Sete Quedas’. Localizadas num desfiladeiro onde o rio Paraná se estreitava drasticamente formando as cachoeiras, podia ouvir seus estrondos a quilômetros de distância. Foi a maior cachoeira do mundo em volume de água. Acredita? Niagara Falls (Estados Unidos/Canadá) eram fichinha perto dela; Victoria Falls (Zâmbia/Zimbábue) só ganhavam em altura.
Mas, não houve escarcéu dos brasileiros para evitar seu desaparecimento. Pudera! Na época, década de 1970, o governo militar brasileiro dava as ordens e não baixou a guarda para a construção da hidrelétrica de Itaipu, cuja obra daria sumiço, em 1982, as ‘Sete Quedas’. Quando o volume do lago artificial de Itaipu abaixa, um quê dessa maravilha ainda pode ser visto.

Pinheiro Jeffery
crédito: Getty Image

2) – Pinheiro Jeffery (Estados Unidos)
Diante de uma fotografia, o espectador pode programar sua próxima viagem. Mas para ver o que sempre foi a landmark do Parque Nacional de Yosemite, não mais. Renomada pelos ensaios fotográficos de Ansel Adams, a enorme árvore, nascida sobre o rochedo ‘Sentinela’ de Yosemite, foi castigada pela seca que durante anos assolou a região. Depois foi presa fácil dos ventos fortes que não deram mole para o pinheiro. Enfraquecido, desabou em 2003. Dizem que Jeffery foi a árvore mais fotografada do mundo.

Janela Azul
crédito: viramundo e mundovirado

3) – Janela Azul, Malta
O cartão postal da natureza de Malta já era. Em março de 2017, uma forte tempestade, seguida de ondas gigantes, se abateu sobre as falésias de calcário da Ilha de Gozo, e contribuiu para que a ‘Azure Window’, como era mais conhecida, desmoronasse.
Esse ícone do turismo maltês ficou muito em evidência quando foi palco do casamento de Daenerys e Drogo, da série “Game of Thrones”. Antes já fora cenário de outros filmes épicos, como “O Conde de Monte Cristo” e “Guerra de Titãs.

Slim River
crédito: Paul Tukker CBC News

4) – Slim River, Canadá
Pode um rio de grande beleza cênica desaparecer de um dia para outro? Foi o que aconteceu, em 2017, no território canadense do Yukon, quando o Slim River simplesmente sumiu do mapa. Magia? Praga do xamã da região? Uma enorme fenda se abriu e papou o rio? Nada disso. Culpado? O maledetto aquecimento global. O aumento da temperatura tanto retraiu a gigantesca geleira de Kaskawulsh, cujas águas abasteciam o Vale Slim, que repentinamente se desviaram em direção a outro rio. Os cientistas chamaram esse acidente climático de primeiro caso de “pirataria dos rios” nos tempos modernos.

12 Apóstolos
crédito: Getty Image

5) – Parque Nacional Marinho dos Doze Apóstolos, Austrália
Ali, Deus não tomou partido da natureza e muitos profetas deram no pé. O mais recente em 2005 desmoronou deixando atrás de si um poeirão danado. Hoje sobraram poucos desses profetas, sete ao todo, como são chamados esses penedos dramáticos fincados no mar selvagem. Mas, pela aparência dos que sobraram, logo, logo, outros também vão dizer adeus.

Monte Kilimanjaro
crédito: Getty Image

6)- As Neves do Kilimanjaro, Tanzãnia
Famosa pelo livro homônimo de Ernest Hemingway e pelos filmes de Hollywwod, quando a África era moda, a mais alta montanha africana, com 5.895m, não saia de cena e foi o ponto mais visitado de todo o continente. Na verdade Kilimanjaro é um vulcão adormecido e solitário com seu cume nevado resplandecendo sob o sol majestoso da savana. Foi assim que o vi em 1996. Há três anos me surpreendi ao ver uma foto, na mesma época de primavera, de seu cume aureolado apenas por uma tirinha branca. Para os cientistas, devido ao aquecimento global, a neve do seu topo deverá dasaparecer por completo até 2025.

El Dedo de Dios
crédito: NatGeo

7) – El Dedo de Dios, Ilhas Canárias
As forças naturais continuam a remodelar a paisagem terrestre, e o tempo esse grande escultor vive se lascando. Foi o que aconteceu com essa formação rochosa de milhares de anos, na forma de uma agulha de 30 metros de altura. Em 2005 não resistiu a fúria da tormenta tropical Delta, e desabou em cacos no Oceano Atlântico.
Principal ponto turístico da ilha Gran Canaria, El Dedo de Dios, era também referência para escaladores de rochas, principalmete pela dificuldade de atingir seu cume. Apesar da tristeza, os canarinos, sem choradeira, alegam que “Deus criou, Deus tirou” .

“A sensação de beleza e a raridade da paisagem são o mistério de uma imagem que, apesar de não existir mais, ainda permanece em nossas mentes”

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