Famoso guerreiro viking, quem diria, era mulher!

Famoso guerreiro viking, quem diria, era mulher!

Heitor e Sílvia Reali

04 de junho de 2020 | 15h37

 

crédito: The Independence

Tanto escarcéu sobre o tema gênero, e na machista sociedade Viking o guerreiro top era uma mulher.
Marcados pela regra de que bons guerreiros só podiam ser homens, a sociedade dos Vikings derrota esse bordão. O túmulo de Birka, com mais de mil anos, descoberto na década de 1870 na ilha de Bjorko, Suécia, sempre foi interpretado como um túmulo de guerreiro. Por quê? Porque parece túmulo de guerreiro: cheio de armas, espada, lança, escudo, ossos de dois cavalos, além de um tabuleiro de jogo provavelmente utilizado para mapear estratégias militares, o que eleva ainda o morto a grande estrategista.

Enfatizando ainda mais sua importância, das 1.100 tumbas identificadas no assentamento, apenas duas continham tal completo conjunto de armas. Deveriam pertencer ao guerreiro viking ideal, acreditavam os arqueólogos. Porém, em 2017, com novas análises de DNA dos ossos, confirmou-se a descoberta reveladora: o túmulo pertencia a uma mulher.

Túmulo da guerreira de Birka. Os restos mortais foram encontrados ao lado de uma espada, machado, faca de combate, lanças, escudos, 25 flechas perfurantes, além do traje guerreiro, e ossada de dois cavalos. Finalmente a localização do túmulo, visível tanto do mar quanto da terra é característica de um membro de alto escalão na comunidade
crédito: Washington Post

O túmulo de Birka pode inspirar o equilíbrio entre gêneros. A tradição viking sugeria que nem todos os guerreiros eram homens. Um texto irlandês do início do século 10 menciona a “Red Girl”, guerreira que liderou a frota viking para a Irlanda. E ainda relatos de sagas vikings com “donzelas de escudo” lutando ao lado de guerreiros do sexo masculino o que historiadores acreditavam ser apenas enfeites mitológicos.

Cemitério de Birko, na ilha Bjorko
crédito: Live Science

Até que entrou em campo outra mulher, a bioarqueóloga da Universidade de Estocolmo. Quando Anna Kjellström examinou de perto os ossos pélvicos e a mandíbula do guerreiro, verificou que as dimensões combinavam mais com as de uma mulher.
A partir daí não se gastou mais neurónios em investigações. O gol decisivo, olha só, de outra mulher, foi marcado pela arqueóloga  Charlotte Hedenstierna-Jonson da Universidade de Uppsala. Charlotte examinou novamente os ossos e extraiu deles dois tipos de DNA. Não deu outra, os resultados foram claros: os ossos eram da guerreira de Birka.

Guerreira vikink
crédito: ilustração de Tancredi Valeri

Como desgrudar os olhos dos bastidores saborosos, das pesquisas e análises das reportagens da National Geographic que esclarecem a trajetória dessa conclusão? Se para alguns nem deu faísca, para outros foi uma explosão de 100 megatons sobre seus egos.

Os que acreditam que a igualdade entre homens e mulheres é impossível, ou que só vai ocorrer num futuro distante, há uma terceira via após a confirmação da guerreira de Birka: esse equilíbrio entre homens e mulheres existiu no passado, e para alguns poucos ainda existe.

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