Noruega, o grito da natureza

Noruega, o grito da natureza

Heitor e Sílvia Reali

17 Abril 2018 | 18h44

Munch

Munch Museum crédito: AFP JIJI

 

Calma lá, essa não é uma história sobre ecologistas que a pleno pulmões defendem baleias, ou retumbante desastre ambiental, mesmo porque preservar as paisagens é responsabilidade de todos os noruegueses.

De que berro vou falar então?


Já vai longe o tempo que o artista norueguês Edvard Munch (1863-1944), cujo quadro mais conhecido, “ O Grito”, escreveu em seu diário: “Já é tempo de pararmos de pintar cenas interiores com pessoas lendo ou mulheres fazendo meias. Devemos criar pessoas vivas que respiram e sentem, sofrem e amam”.

Munch

Melancolia
crédito: ca.wikipedi.org

 

A obra de Munch que admirei nos museus noruegueses se tornou símbolo da depressão e da angústia do homem moderno, da adolescência à velhice. O artista foi um dos expoentes do expressionismo, movimento artístico que ia contra mostrar apenas cenas bucólicas, e sim retratar emoções e sentimentos humanos. E, pensar que Munch focou os dramas e frustrações da vida há 130 anos, e continua cada vez mais atual.

 

Munch

“O Grito”
crédito: Munch Museum

 

Quero lembrar também a importância que “O Grito”, tem até os dias de hoje. Munch fez quatro versões desse quadro que retrata a boca de estranha figura que se abre em um grito perturbador. É umas das três obras de arte mais parodiadas do mundo: uma série de Andy Warhol nos anos 80, personagens do desenho animado, quadrinhos dos Simpsons, a máscara Ghost face, quase sempre utilizada em filmes de terror, ou mais recentemente na película ‘Extraordinário’, em brinquedos Lego, e ainda estampa canecas, camisetas, cadernos, guarda-chuvas, e até sapatos.

Noruega

Nuvens estratosféricas polares
crédito: Instituto de Meteorologia da Noruega

 

“Eu passeava com dois amigos ao pôr-do-sol, o céu ficou de súbito vermelho sangue…havia línguas de fogo sobre o azul escuro do fiorde e sobre a cidade. Eu tremia de angústia e senti o grito infinito da natureza”, escreveu Munch em 1892. Recentemente pesquisadores noruegueses afirmaram que as linhas amarelas, vermelhas e laranjas são nuvens estratosféricas polares que, de tempos em tempos, surgem nos céus do norte da Europa.

Mas, há outra curiosa suposição: as nuvens que Munch viu eram efeito da violenta erupção do Krakatoa que nove anos antes explodiu na Indonésia. As cinzas e os gases rodaram o mundo várias vezes e na luz solar do entardecer geravam efeitos óticos impactantes.

 

Munch

crédito: Borre Hostland

 

De infância marcada pela tragédia e pela doença, a seu pai que se opunha terminantemente que se dedicasse à pintura, Munch sofreu ainda com a dependência do álcool. Mas sempre buscou na pintura um meio de cura, de resolver seu caos interior, e mais, de transmitir algum consolo às pessoas que se sentissem desamparadas diante das angústias da vida.
É para isso que a arte existe.

 

Munch

Autorretrato: entre o relógio e a cama
crédito: National Museum

 

Conheça as pinturas de Munch nos museus Munch Museum e no Nasjonalmuseet – Museu Nacional de Oslo – ambos na capital norueguesa.

Conheça mais sobre Munch no vídeo:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=7&v=atS5SgXdWtQ

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