Acessando Machu Picchu de um jeito diferente! E maravilhoso!


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Acessando Machu Picchu de um jeito diferente! E maravilhoso!



Karina Oliani

12 de abril de 2019 | 15h13

No mês passado tive o prazer de visitar Machu Picchu através de uma trilha incrível: a Salkantay Trek. Sua rota é bem menos famosa que a trilha Inca clássica e mais longa também (são 7 dias contra 4), mas ela garante mais aventura e reserva paisagens selvagens deslumbrantes.

Começamos nossa viagem em Cusco, onde ficamos dois dias para aclimatação, afinal Cusco já fica a 3.400 metros acima do nível do mar. Então o corpo precisa de tempo para se adaptar e é muito importante que viajantes, vindo de altitudes mais modestas, como as de São Paulo, bebam bastante liquido durante a viagem e o período de aclimatação.

 Este, porém, não foi um dia perdido na viagem, já que Cusco é um destino incrível, cheio de vida, de aromas e de cores. Na cidade é possível visitar diversos sítios arqueológicos do seu passado glorioso, como Sacsayhuaman, pois Cusco foi o mais importante centro cultural e administrativo do Império Inca.

Além das obras arquitetônicas e dos sítios arqueológicos, nosso tempo na cidade pôde ser um momento perfeito para desfrutar da mais deliciosa culinária peruana, que, acreditem, vai muito além do ceviche. 

No primeiro dia a caminho de Salkantay começamos cedo. Pegamos uma van que nos levou ate o inicio da trilha, em Challacancha.  Fizemos apenas duas paradas, uma no sítio arqueológico de Killarumiyoc, onde ficava o tempo inca de adoração à lua e outra parada numa fazenda, a Pedregal, onde pudemos conhecer um pouco da agricultura local, além do lindo artesanato têxtil de uma cooperativa de mulheres artesãs. 

Dadas as devidas paradas, a trilha começa de forma moderada e as paisagens já vão prenunciando toda a beleza que está por vir.

Chegando em Soraypampa pudemos degustar a maravilhosa granadilla, uma fruta que amo e que encontramos a rodo nessa trilha. Além das frutas, as flores dão um espetáculo a parte em Salkantay.

No segundo dia de trilha, caminhamos até a Laguna Humantay, sem duvida uma das vistas mais deslumbrantes dessa trilha. A água que a alimenta é do degelo das geleiras e montanhas acima – logo, é muito cristalina, por isso a laguna tem uma coloração azul bastante intensa.

Aproveitamos o resto do dia para curtir a vista e nos prepararmos para o terceiro dia, um dos mais intensos fisicamente. 
É no terceiro dia que enfrentamos o Salkantay Pass, passando pelo Vale do Rio Branco, circulando o Pico Humantay, e atravessando um pico de elevação de 4.626 metros. O percurso levou cerca de 7h. Mas voltar para os confortáveis lodges do Mountain Lodges do Peru e ser recebidos com uma chicha morada fresquinha, uma toalhinha aromatizada quente pra limpar o rosto e a lareira ligada realmente não tem preço.

Para quem está pensando em conhecer a Trilha de Salkantay, se prepare para experimentar altitudes muito diferentes em poucos dias: saímos de Cusco, a 3.400m acima do nível do mar, passamos por esse pico de 4.020m, e chegamos, no fim, a Machu Picchu a 2.430m.
 O quarto dia foi bem marcante, pois a trilha encontra alguns vilarejos entre as montanhas e pudemos ter contato com as pessoas que vivem ali. Conhecemos um pouco sobre sua realidade, de viver num ambiente tão lindo, porém tão isolado (contarei mais sobre isso numa próxima postagem).

Foi um dia também que provamos de um prato muito típico e representativo da culinária peruana, feito de forma bem tradicional, a pachamanca. Ela é basicamente um cozido de diferentes legumes e carnes, preparado dentro de um buraco feito na terra. Esse modo de preparo combinado com os temperos da região realçam os ingredientes de um jeito único e delicioso, não tem como não provar. 

No quinto dia, seguimos o percurso do rio Santa Teresa. Passando por pomares e plantações, sentimos a proximidade da região com a Floresta Amazônica, por conta da temperatura e umidade. Nesse percurso há trechos com opção de descer a montanha de bicicleta ou de tirolesa, além, é claro, da opção de ir a pé.

O sexto dia foi quando primeiro pudemos avistar Machu Picchu, ou melhor, suas “costas”, e sentirmos a sensação de como é fazer trilha em uma floresta pluvial, que eles carinhosamente chamam de “bosques nubosos”.

 Descemos então em meio a bambuzais até a estação da hidroelétrica, onde pegamos um trem até a cidade de Aguas Calientes, na base de Machu Picchu.

Finalmente, já no sétimo dia, chegamos à cidade perdida dos Incas. Saímos bem cedo e pegamos o ônibus até o Santuário. Acho que mesmo quem nunca foi a Machu Picchu pode imaginar a emoção de ver aquelas construções. Ao andar no meio delas e admirar seus detalhes, somos transportados para esse passado, tão importante, mas muitas vezes tão esquecido, da América Latina.

Neste dia também subimos a Wayna Picchu, que tem uma das visões aéreas mais lindas da cidade, o que acaba compensando a subida de intensidade moderada.
 Acho que a Trilha de Salkantay alia dois elementos que se complementam muito bem: lugares maravilhosos e o fato de nos atermos ao ritmo da caminhada. A pé, descobrimos coisas que nunca descobriríamos de outra forma, conhecemos e temos tempo de admirar e sermos surpreendidos com os detalhes de uma região que guarda tanta beleza.

Apesar de não ser necessária uma permissão para fazer a Trilha de Salkantay (a Trilha Inca clássica limita o número de pessoas, então para ela, é necessário fazer a reserva com muita antecedência) é muito recomendável que ela seja feita com grupos especializados. Nossa experiência foi com a Mountain Lodges of Peru e não poderia ter sido mais prazerosa. Em cada um dos pontos da trilha haviam alojamentos confortáveis e com comida de qualidade, o que foi essencial para aproveitarmos o melhor do caminho e das paisagens.

Fotos de Marcelo Rabelo

Agradecimentos a:

Mountain Lodges do Peru (MLP): https://www.mountainlodgesofperu.com/



SUL Hotels: https://www.sulhotels.com.br/

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Daniel Nunes