Experiência na Amazônia: Capítulo 8 – BAvEx
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Experiência na Amazônia: Capítulo 8 – BAvEx

Eles resgatam os militares em apuros em missões táticas e treinamentos na selva

Karina Oliani

24 Junho 2016 | 09h46

O 4o BAvEx é o Batalhão de Aviação do Exército Brasileiro em Manaus e sua jurisdição se estende a toda região norte e nordeste do país.

 

Aqui não há aeronaves de asas fixas (aviões), apenas asas rotativas (helicópteros). Nesse batalhão há pilotos de combate de Cougar, de Pantera e Black Hawk.

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Esses últimos, helicópteros americanos imponentes, que levam grandes cargas e foram projetados exclusivamente para a guerra.

 

Também há os mecânicos de voo, os resgatistas do SAR e o esquadrão TASA (Transporte, Abastecimento e Suprimento Aéreo) que são operacionais em diversas manobras de transporte e apoio às unidades.

 

Quando aconteceu o acidente do vôo 1907 da GOL que matou 154pessoas foram esses guerreiros que foram buscar os passageiros na mata. Outra ocasião que esses heróis entraram em ação para ajudar civis foi na enchente na Bolívia de 2008 e na retirada dos corpos do acidente da Rico Linhas Aéreas em 2004, que deixou 33 vítimas fatais.

 

O dia começou quando fui recebida pelo Tenente Coronel Fábio Costa, comandante do batalhão, que já corria ao redor do batalhão.  Não houve tempo para apresentações ou conversas iniciais. O Capitão Thiago Puiati já logo foi designado como meu canga para uma corrida pelo quartel. Enquanto eu tentava recuperar o fôlego o Tenente Coronel Fábio Costa me apresentava as dependências da Unidade.

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Só que ele é um corredor que deixa vários atletas pra trás, com motivos de sobra pra se orgulhar do seu TAF (o teste aptidão física que todos os militares de um batalhão são submetidos a cada 6 meses), o dele especificamente com invejáveis 10 km em apenas 40 minutos, ainda tínhamos que proferir as canções que dão ritmo e motivam a tropa, largas passadas nos levaram “algumas vezes” contornar o batalhão que foi detalhadamente projetado sobre uma área de solo traiçoeiro, um desafio até para os melhores engenheiros.

 

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A tabatinga, um tipo de argila comum no solo da Amazônia fez com que o projeto desse batalhão fosse um desafio pela erosão do solo. E o mérito dessa obra não é de nenhum engenheiro formado na Politécnica ou no ITA, mas sim do então antigo comandante da Unidade Coronel Ricardo Pavanello.

 

Depois cada militar seguiu para sua respectiva área de especialidade.

 

Comecei com o tanque de mergulho e uma plataforma de salto. Frequentemente lançado sobre a maior bacia hidrográfica do mundo, essas feras têm que treinar busca de pessoas e até corpos no fundo dos igarapés e rios da Amazônia.

 

4 cilindros colocados em cada canto da piscina e você precisa saltar, passar por dentro de uma argola e depois dar 3 voltas submerso apenas respirando nos reguladores que apresentam algum tipo de pane!

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Sim, é isso mesmo! Como se não bastasse ter uma apneia dinâmica excelente, as fontes de ar também não facilitaram para a gente. Me lembrei que se tratava de um treinamento físico extremo e que seleciona os melhores para as tarefas mais árduas.

 

Depois aprendi o procedimento de caso de pouso na água. Da plataforma de salto não parecia difícil, mas imagine o que é ter que fazer isso caindo com velocidade sobre uma massa de água que se aproxima e sabendo que, caso você não saia a tempo, seu destino é o fundo do rio e uma morte dolorosa por afogamento…

 

 

Ainda na piscina, parecia que teria alguns minutos de descanso quando ouvi “faremos o exercício de flutuação”. De jeito nenhum! Volto a reforçar que a flutuação de farda, coturno, carregando um fuzil é uma das atividades físicas mais desafiadoras que já fiz na minha vida. Eles juram que é uma questão de treino, mas para mim, que nado desde criança e vivo no mar, fica difícil compreender como é possível fazer isso por horas e não morrer afogado.

 

Agora chegou a hora que qualquer pessoa que gosta um pouquinho de aviação vai ao delírio: visitar o Hangar dos helicópteros do 4o BAvEx!

 

Técnicas que inspiraram e encararam muito nas telinhas de Hollywood são apenas “exercícios de rotina” para esses guerreiros.

 

Vamos aprender alguma delas:

 

Fast Rope: Escorregar rapidamente de dentro de um helicóptero em pleno vôo por uma corda grossa a 10 metros do solo para infiltração rápida de tropa.

 

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Maguire: Uma corda de até 40 metros amarrada no helicóptero evacua rapidamente um soldado ou uma vítima que fica suspenso no ar até o pouso com um mosquetão e um nó de azelha.

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Guincho: Um guincho especialmente desenvolvido para descer e elevar socorristas e vítimas com o auxílio do Bouldrier ou do fraldão e um mosquetão.

 

Helocasting: Lançamento de tropa rápida com o helicóptero sobre a água há cerca de 10 metros de altura, a pessoa se aproxima da porta e espera o comando para saltar com todo seu equipamento militar, incluindo fuzil. As pás girando para manter essa máquina no ar provocam uma corrente de ar forte que te tira do eixo e empurra mais rápido pra baixo.

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Claro que, gostando de uma aventura como eu gosto, não via a hora de praticar cada uma delas! Não há maneira melhor de aprender com quem domina a técnica e faz isso no dia-a-dia.

 

Entre tantas coisas nesse país que deixa a desejar e nos envergonha, confesso que ter passado esse tempo com os militares do 4o BAvEx me trouxe orgulho, inspiração e um grande motivo para continuar lutando sempre!

 

Ikó Ruaké (que em um dialeto indígena significa “estamos juntos!”).

SELVA!

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