Experiência na Amazônia – Capítulo 2: O primeiro desafio!
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Experiência na Amazônia – Capítulo 2: O primeiro desafio!

Na primeira prova do Estágio de Adaptação de Vida na Selva enfrentei um desafio de cerca de cinco metros de comprimento

Karina Oliani

13 Maio 2016 | 17h35

Primeira prova do dia, saímos correndo, sim as marchas eram sempre correndo, com mochila, com coturno e com fuzil. Alguns metros mato a dentro até uma clareira…Lá, tinham algumas madeiras que serviam de bancos ao redor de um tipo de arena e quatro caixas grandes no meio dela. Não sabia o que tinha dentro. Os ganchos e os olhos assustados de alguns estagiários me fizeram imaginar que era uma gincana, mas não era.

Cumprimentando o grupo, um dos instrutores chegou gritando pra que seus assistentes abrissem as caixas. Um clima de suspense pairava… Alguns segundos depois, uma sucuri de uns 5 metros (a largura dela dava uns 8 antebraços meu) de comprimento rastejou pra fora da caixa. Nenhum movimento das outras caixas, e os assistentes “pescaram” duas jiboias enormes e extremamente irritadas de dentro da caixa com os ganchos, e mais uma outra sucuri.

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– Estagiários – dizia o instrutor – vocês se alistaram pro EAVS. A floresta te devora. Ela não tem pena de você. Estão vendo esse mato? Entra nesse mato sem saber o que fazer, sem preparo, sem canga e você não vai durar alguns dias! A selva não pertence aos mais forte, mas ao sábio, habilidoso e resistente. Esse treinamento existe pra vocês aprenderem a sobreviver em um dos ambientes mais hostis para o ser humano. Bem-vindos à Selva!


Enquanto o instrutor discursava, as quatro cobras, muito alertas, se movimentavam como se observassem seus inimigos.

– Alguém quer se candidatar pra começarmos a atividade?

Não me espantou que todos permaneceram no mesmo estado: estáticos e calados.

As serpentes são muito frequentes na maior selva do planeta. Vocês ficarão dias embrenhados no mato. Aprender a manipular serpentes não é opcional nesse estágio…Zero-Quatro, compareça ao centro!

Única mulher da turma, destacando sem querer do restante do grupo, eu só pensava : “Obrigada, Deus, que o número quatro existe…”

O Zero-Três, ao lado do Zero-Quatro estava com os olhos arregalados e fixos na jiboia. O Zero-Quatro tentava distrair a serpente, mas ela só se demonstrava mais agressiva aos seus movimentos. Certamente acostumada com essa atividade, essa serpente não ia deixar barato. Na primeira tentativa de apanhar a cobra, foi desferido o bote. Rápida, certeira, implacável, a jiboia afastou rapidamente os dois estagiários e mostrou que não era uma serpente de estimação.

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O instrutor assistia a tudo. Outro estagiário contava, entre os dentes, a história de um soldado que foi mordido em um dos cursos, e o que sucedeu. Nada animador. As sucuris e as jiboias não têm veneno, mas em compensação têm MUITOS dentes extremamente afiados e sujos, como vocês podem imaginar.

Alguns minutos distraindo a bendita jiboia e o próximo canga já foi chamado pra fazer a mesma coisa com a sucuri gigante. E o próximo, o próximo, já não tinha mais dúvidas que TODOS seriam chamados pra dominar as serpentes com as mãos, sem ganchos, sem ajuda e sem exceções.

Chegou a minha vez! Engraçado que, nesse momento, todos pararam pra olhar. Até um oficial que acompanhava o curso ligou sua câmera. Se todos estavam pegando serpentes, qual era a novidade?

A novidade era uma loira, desajeitada, “da televisão”, que tinha voluntariamente pedido pra entrar em um estágio que os militares que servem na Amazônia são obrigados a realizar. Todos ali deviam estar se perguntando: “Quem é essa maluca que caiu de paraquedas aqui?”

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O fato é que justamente a sucuri maior foi a cobra designada pra trabalhar com essa maluca e seu canga.

 

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