Medalhas e reconhecimento até embaixo d´água
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Medalhas e reconhecimento até embaixo d´água

Karina Oliani

27 Julho 2018 | 10h29

Quando eu era adolescente e já com pezinho querendo me aventurar pelo mundo, cantarolava inocentemente o refrão de “Yellow Submarine” dos Beatles. O que eu não imaginava na época é que em algum dia na vida eu entraria de verdade em um. Parecia algo distante… Ironia do destino,  cheguei a ser reconhecida no meu país como “Submarinista Honorária”.

Mas antes de falar sobre o que aconteceu comigo em Niterói (RJ) há poucos dias, é interessante fazermos um mergulho na história.
Lá por julho de 1914, era criada a Flotilha de Submersíveis com a incorporação  de três submarinos da classe “Foca” encomendados à Itália, no âmbito do Programa de Construção Naval de 1904. Depois vieram os submarinos Humaitá da classe Balilla, os Tango da classe Perla, os Fleet-Type da classe Humaitá, os Guppy da classe Guanabara, os Oberon da classe Humaitá e os atuais IKL-209 da classe Tupi e o Tikuna. Fale esses nomes para qualquer integrante da Marinha Brasileira e note o rosto de cada um: imediatamente se abre um sorriso de orgulho e respeito.

Só que esse nome usando a palavra “Submersíveis” ficou por pouco tempo quando passou a se denominar Flotilha de Submarinos em 1928, um ano da histórica quebra da Bolsa de Nova York. Essa denominação até que durou muito, pois ali nos anos 60  mudou a denominação para “Força de Submarinos”, permanecendo assim até hoje. Em toda essa trajetória, a Flotilha se destacou na operação de diferentes classes de submarinos, mas também pelo pleno domínio das atividades de escafandria, mergulho saturado, mergulho de combate, socorro e salvamento de submarinos sinistrados e medicina hiperbárica.


 

Mas o que me deixa extasiada quando falo na Marinha é quanto ao seu Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) que avança a passos largos. Nosso país vem conquistando a autossuficiência tecnológica para projetar e construir seus próprios submarinos. O pessoal aqui não está para brincadeira! Neste momento está em construção o Complexo Naval de Itaguaí, composto de Estaleiro e Base Naval e há uma precisão que em 2020 serão incorporados novos submarinos convencionais da classe Riachuelo. A not&i acute;cia de grande impacto é que logo chegaremos ao submarino de propulsão nuclear, o classe “Álvaro Alberto”. Segundo um documento oficial que tive acesso, esse cenário conferirá a Marinha “uma formidável capacidade dissuasória”.

 

E neste mês foi entregue em Mocanguê, em Niterói, a medalha, com a qual fui agraciada, com o título de “Submarinista honorária”. Sim, tenho uma história de vida com essas pessoas que tanto admiro da Marinha em minhas aventuras. Uma vez gravei um programa especial para o Esporte Espetacular, da TV Globo, em que entrei em um submarino, conheci de perto como funcionava um e me arrisquei a fazer simulações de ataque real em que a adrenalina tomou conta de mim. É um tanto apavorante enfrentar esse tipo de situação de perigo embaixo da água e nota-se que é preciso ter um equilíbrio emocional muito bem firmado ao encarar situações como a relatada.

Já fui pra Antártida com os militares da Marinha a bordo do navio polar Almirante Maximiano que, por sinal, está no segundo episódio de uma websérie especial no meu canal do YouTube (ficou com curiosidade assistir? Clica aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=OIptPwc_Yzs.

Uma outra experiência inesquecível com o GRUMEC (ou também conhecidos como os mergulhadores de combate) e os COMANFs. ou Comandos Anfíbios (Grupo de Elite de Combate da Marinha) foram levadas em conta na hora de ter meu nome escolhido e aprovado pelas Forças Armadas e receber esse reconhecimento.

Fiz ajustes na agenda que foram uma verdadeira aventura, mas não poderia fazer a desfeita em não estar ausente pela mais pura gratidão a pessoas como a Comandante Esther e o Almirante Rocha e demais oficiais pelo apoio que sempre me deram.

 

Eu já era admiradora dos marinheiros do Brasil e acabei me tornando fã. Hoje em dia também sou uma parceira e em breve vocês ficarão sabendo aqui pelo blog quais foram as minhas próximas ideias mirabolantes de aventuras que eu tive e que estou contando com apoio da Flotilha nacional. Para uma menina que apenas cantava “Yellow Submarine”, até que mergulhei por mares bem mais profundos que a imaginação da música me proporcionava.

 

Fotos:

Sargento Fabiano Cardoso