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Missão médica atenderá refugiados venezuelanos em Roraima

Karina Oliani

22 Junho 2018 | 14h51

Clarice Lispector, Albert Einstein, Andy Garcia, Freddie Mercury, Gloria Estefan, Iman, Mika, Mila Kunis e Sigmund Freud. Leia cada um desses nomes que são destaques nas artes, literatura, ciência, psicanálise. O que eles têm em comum? Todos em algum momento da vida passaram por um grande apuro e quase perderam a vida. Só não aconteceu uma tragédia com cada um deles porque conseguiram correr para outra nação estranha. Todos eles são REFUGIADOS.

 

Na última quarta-feira, dia 20, foi o Dia Mundial do Refugiado. Ao analisar os números não consegui fechar uma equação: como em uma época em que somos mais “evoluídos” conseguimos quebrar o recorde no planeta de “pessoas deslocadas à força” – um eufemismo da Organização das Nações Unidas (ONU) para o termo “refugiados desde que esses números começaram a ser monitorados há 70 anos”?

 


Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados, hoje temos no globo cerca de 68 milhões de pessoas que se viram obrigadas a sair às pressas de seus lares para fugir de perseguições, guerras e outros motivos. É como se toda a população do Reino Unido tivesse que sair correndo com pânico, medo e fome das terras reinadas pela Rainha Elisabeth II. A taxa de crescimento anual de pessoas nessas condições assusta mais ainda quando levamos em conta que em 2017 tivemos três milhões de pessoas a mais nessas tristes condições em relação ao ano de 2016.

 

A história já nos ensinou que guerras não são os melhores caminhos. Causa destruição de cidades, lares, vidas, famílias e esperanças. Uma das coisas que me motivam é viver bem o agora porque tenho esperança que o amanhã será muito melhor. Mas e se o meu presente for uma situação de que minha família se vê obrigada a abandonar tudo com medo de perderem nossas vidas? Que tipo de esperança alguém que pede asilo a um país estranho pode ter? Eu defendo que podemos alimentar o otimismo nessas pessoas por meio da SOLIDARIEDADE. Aprendi isso em casa.

 

Quando eu era pequena, minha avó fazia ações em creches, orfanatos e asilos. Eu sempre acompanhava. Próximo ao natal, eu e minhas irmãs nos vestíamos de mamãe-noel distribuindo roupas, presentes e panetones para pessoas da terceira idade em um asilo.

 

Participar de ações como essas despertou minha vontade de ser médica, para ajudar os outros tal como me ensinaram. Não esperei me formar para colocar isso em ação. Ainda estudante de medicina eu integrei missões médicas em lugares como o Sertão do Piauí.

 

Já com o diploma em mãos em 2007, eu coloquei uma meta de vida: pelo menos 30 dias do ano eu serviria como voluntária em algum lugar do mundo ao colocar o meu conhecimento como médica à disposição de alguma população vulnerável, isolada e que não tenha acesso a serviços de saúde. Não tenho falhado visto que já atendi pessoas em Uganda, Índia, Ruanda, Nepal, Etiópia, Nepal, Amazônia, Tibete, Fiji, entre outros. Faço isso pela felicidade que sinto, faço isso como forma de agradecer a tantas boas oportunidades que a vida me trouxe. Uma gratidão especial pela oportunidade que me deu de estudar medicina (não foi nada fácil) mas valeu a pena cada vestibular prestado e hoje me coloco a mesma à disposição de quem precisa.

 

Só que ao contrário do que muitos podem estar pensando ao ler este texto, há populações que necessitam desse tipo de ação aqui mesmo no nosso país e poucos sabem. E aquelas imagens de refugiados nos países da Europa e Oriente Médio não são coisas distantes. No século XIX tivemos levas de imigrantes chegando pelos nossos portos em busca de uma vida melhor por livre e espontânea vontade, escolha e risco. Nos últimos anos O Brasil é um dos países que mais recebem refugiados: primeiro foram os haitianos, hoje são os venezuelanos.

 

A situação no estado de Roraima é alarmante. Famílias inteiras nascidas no nosso país vizinho Venezuela chegam em condições precárias de saúde pela fronteira seca em um estado que não tem uma infraestrutura capaz de absorver a demanda que cresce a cada mês. Através da operação Acolhida, o Exército Brasileiro recepciona e acolhe essas vitimas dessa crise humanitária.

 

Em parceria com as Forças Armadas, através do Instituto Dharma dia 2 de julho começaremos uma força-tarefa de 4 dias com mais de 30 profissionais da saúde que farão um mutirão de atendimento pelos abrigos que acolhem os refugiados. Dentistas, pediatras, ginecologista, infectologistas, fisioterapeutas, clínicos gerais, entre outros especialistas vão levar a medicina especializada de forma voluntária.

 

Sabemos que isso não resolve de vez os problemas. É fato. Mas dedicar tempo e atenção para pessoas que realmente precisam e que estão em situação de vulnerabilidade é nobre e pode fazer toda a diferença para a vida e o futuro de alguém.

 

São mais de 30 pessoas deixando suas casas, suas famílias, deixando de ganhar dinheiro em consultórios e outros trabalhos para dar condições de saúde para que essas novas pessoas que chegam por aqui tenham alimentadas suas esperanças depois de serem picadas pelo bichinho da SOLIDARIEDADE.

 

Hoje torcemos pelo Brasil. Gritamos e vibramos pelo nosso país que, apesar de todos os seus problemas, é nossa nação!

 

Não consigo ignorar a dor, a injustiça e as condições desumanas que essas pessoas deslocadas a força estão vivendo. É muito melhor partir para ação e fazer alguma coisa do que ficar de braços cruzados.

 

Se você quiser colaborar com a missão médica do Instituto Dharma e das Forças Armadas, ajude doando roupas, agasalhos, brinquedos, medicamentos dentro da data de validade, sapatos, material escolar e produtos de higiene.

 

Neste momento não estão sendo recolhidos alimentos. Nós iremos levar pessoalmente suas doações aos nossos irmãos venezuelanos.

 

É só escrever para projetos@insititutodharma.org dizendo o que você, sua família ou amigos possuem para doação que será dada uma orientação de como fazer o encaminhamento.