Museu subaquático recupera vida marinha em Cancún

Museu subaquático recupera vida marinha em Cancún

Karina Oliani

05 Outubro 2018 | 11h28

Em cada viagem que faço, gosto de trazer na minha bagagem de vida uma nova experiência para contar. Como já contei por aqui, em setembro fui curtir as maravilhas naturais da Riviera Maya, na região de Cancún no México. Já mostrei pra vocês o belíssimo hotel que tive o prazer de me hospedar, o Hotel Xcaret México.

E enquanto estava la, fui conhecer o MUSA – Museo Subaquático de Arte. É um museu subaquático de arte contemporânea criado em 2009, para recuperar a vida marinha após o furacão Wilma e infelizmente, também do impacto humano nos recifes naturais.

O museu, foi fundado por representantes de uma associação local e do Parque Nacional de la Costa Occidental Isla Mujeres, Punta Cancún e Punta Nizuc e as peças principais foram criadas pelo artista britânico Jason deCaires Taylor.


Além de artista, Jason De Caires Taylor é instrutor de mergulho qualificado e naturalista subaquático, então, é bem fácil explicar sua paixão pelas artes que espalha em museus pelo fundo do mar. Há obras dele em museu submersos na Espanha (Lanzarote), nas Bahamas, na Noruega e em vários outros lugares.

Os museus submersos são maneiras artísticas e bem interessantes para recuperar a vida marinha. Na produção das esculturas, os artistas usam materiais que propiciam o desenvolvimento de algas marinhas, corais e peixes. Ou seja, quando um museu submerso é construído, não é só um museu com algumas peças para atrair turistas.

Depois de algum tempo, alguns meses, já é possível começar a ver algas, corais e outros seres vivos do fundo do mar povoando as esculturas e devolvendo as características que nunca deveriam ter saído de lá. E esses museus são mais que exemplos de sucesso na conservação do mundo marinho, mas também ajudam a despertar a consciência ambiental, gerar mudanças sociais e ensinar as pessoas a valorizarem a beleza do mundo marinho.

Hoje, o MUSA tem mais de 400 esculturas permanentemente submersas, que servem, entre outros, de lar para ouriços, lagostas e tartarugas. É provavelmente um dos museus de arte subaquática mais atraente do mundo. No total, ocupam uma área de cerca de 420 metros quadrados e pesam aproximadamente 200 toneladas.

No MUSA há três principais galerias, umas delas é a Galeria Manchones que fica há quase 10 metros de profundidade. O nome desta galeria é uma referência ao recife onde as peças estão.

Nesse recife há artes de Taylor, mas também de artistas como Karen Salinas, Rodrigo Quiñones e Salvador Quiroz. Mas não posso negar que são as artes de Taylor que mais ganharam minha admiração.

Uma das que mais me conquistou e fiquei um bom tempo admirando foi esse fusquinha acima, chamado por Taylor de “Antropoceno”. A “El Colecionista de Sueños” também é sensacional. Tudo na obra é surpreendente. Há uma pessoa, um cachorro, livros, garrafas e diversos objetos ali representados.

Graças à prática de muitos anos de mergulho livre, consegui observar bem de pertinho cada uma que me prendeu a atenção. São muitas. Como tenho uma apnéia razoável, meu fôlego me permite descer os 12 metros para observar de perto cada escultura da arte “Evolución Silenciosa”, do Taylor.

A obra foi instalada no MUSA um ano após a inauguração do museu. São cerca de 450 pessoas em tamanho real, que olhando de longe tomam a forma de um olho.

É como se houvesse uma população escondida embaixo d’água. Passaram mil pensamentos pela minha cabeça, observando cada pessoa de concreto ali submersa. Algumas com o rosto cobertas de algas, outras com partes mais à mostra.

Para fechar, apresento aqui uma casa. Sim, Taylor fez uma casa no fundo do mar que literalmente serve de lar para vários animais. Chama Arrecife Urbano – Casa I

É lindo ver a circulação de filhotes e também saber que serve de abrigo para a preservação das espécies. Embora tenha muitas aberturas que simulam janelas, tem muitas partes mais reservadas, em que a vida marinha encontra refúgio.

Vale também comparar como era a casa antes, quando foi colocada no fundo do mar e hoje. É o máximo ver como essas peças se transformam em um novo conjunto de “recifes naturais”.

            (Fonte: musamexico.org)

Quem preferir respirar normalmente, ou achar que não consegue descer os 15 metros, onde fica a parte mais funda do MUSA, também pode optar por um mergulho Scuba com cilindros de ar comprimido agendando com antecedência.

Fotos de Marcelo Rabelo

Agradecimentos:

Hotel Mexico Xcaret

Trippers Collection

Sirenita Brasil

Canon Professional Services

AT Travel