O dia em que uma passagem “secreta” revelou uma caverna alagada

O dia em que uma passagem “secreta” revelou uma caverna alagada

Karina Oliani

11 Outubro 2018 | 17h40

A Riviera Maia, na península mexicana de Yucatan, além de uma grande variedade de praias paradisíacas, tem uma formação geológica que sempre me encanta: os cenotes. Desta vez, a surpresa da minha viagem estava escondida em uma passagem “secreta”, que me levou a uma caverna alagada do Parque Tankah.

Para quem não conhece, cenotes são dolinas, ou seja, o inverso de colinas. Consistem em formações geológicas negativas (para baixo no nível da terra), resultantes do colapso das camadas de solo calcário da região. Neles vivem escondidos rios e lençóis de água, que se conectam por um sistema de cavernas alagadas.

O antigo povo Maia, que habitava a região, tinha estes rios subterrâneos como sua principal fonte de água. E é por essa razão que os cenotes são considerados pela população local – os descendentes, como sagrados. Os Maias acreditavam que os cenotes eram como se fossem portais para o “centro da terra”, conhecida também por “Xibalba” para onde as pessoas iam quando chegavam ao fim da vida.


Há muitos traços da cultura Maia nas trilhas e caminhos que levam até as entradas dos cenotes. É bem legal e emocionante para quem curte esse tipo de história. Era o que eles acreditavam, mas, para mim, Karina, o que mais gosto dos cenotes é poder mergulhar neles.

Sou mergulhadora de caverna há muitos anos e os Cenotes são sem duvida, um dos meus lugares preferidos de mergulhar. Cada um proporciona uma experiencia completamente diferente do outro, é realmente incrível.

Tem um deles chamado Angelita, sobre o qual fiz até uma matéria para o Fantástico – O Show da Vida. Esse tem um rio subterrâneo no fundo da caverna inundada.  Lá no fundo do cenote tem uma espécie de nuvem cercada de galhos e troncos de árvores. Esse cenário, junto com o azul turquesa da água, me conduziu a uma espécie de floresta mística submersa. Foi lindo.

Desta vez, fui com o Robbie, um dos maiores exploradores de caverna do mundo, que dedica sua vida a descobrir novos cenotes desde que se mudou da Alemanha pra Tulum.

Mergulhamos nos cenotes dentro do Parque Tankah. A palavra Tankah no idioma maia significa o centro do povo, devido a sua proximidade com a cidade de Tulum.

Este parque é cercado de mata virgem, que traz um mix de natureza perfeita com a cultura maia, que facilmente vista por todos os caminhos locais. Entre os destaques do parque está o maior cenote, que mais parece um enorme lago central e que é possível fazer uma tirolesa.

Um dos cenotes que mais gostei nesta viagem tem um “olhinho” de um metro de diâmetro que esconde uma aventura bem interessante. Ao mergulhar e passar por esse “olhinho”, encontrei uma caverna gigantesca, que também é alagada. O fundo dessa caverna te conecta com outro cenote, chamado de Azul, que é simplesmente lindo.

E especialmente hoje, pro dia das crianças, e acompanhada com um dos melhores mergulhadores de caverna do mundo, tive que “inventar” algo novo e lúdico pra fazer nesses “poços encantados”.

E, para quem não tem a oportunidade de ir até o México para mergulhar em cavernas alagadas, minha sugestão é dar um pulo em Bonito, no Mato Grosso do Sul, mais precisamente no Parque Nacional da Serra da Bodoquena.

Por aqui no Brasil, também temos nossos “cenotes”, a diferença é que os chamamos de dolinas. Em Bonito, há locais de mergulho muito interessantes, sendo que os rios e seus fluxos de água chegam a proteger mais de 2 mil espécies de animais aquáticos. Isso sem falar de uma infinidade de plantas.

No México ou no Brasil, mergulhar e descobrir cavernas pouco exploradas é uma sensação maravilhosa. Recomendo!

 

Fotos de Marcelo Rabelo e Alexandre Socci 

Agradecimentos:

Robbie Schmittner

Xibalba Dive Center

Hotel Mexico Xcaret

Trippers Collection

Sirenita Brasil