Somos todos iguais.
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Somos todos iguais.

Karina Oliani

31 Agosto 2018 | 09h15

Quem inventou esse negócio de nacionalidade?

Quem dividiu os seres humanos em cores, raças, condição financeira?

Em cada sorriso espontâneo visto nesses dias, senti que temos mais semelhanças do que diferenças.


 

No orfanato percebi mais uma vez a capacidade do ser humano de ser feliz, mesmo com todas as dificuldades externas.

As crianças exalavam amor. Tão simples e simples assim davam uma tapa na nossa cara adulta mostrando como com o tempo nos distanciamos de nossa verdadeira essência.

Nós, sempre com uma boa desculpa para encaixar um “mas” em cada situação e não se doar ao desconhecido sem pré-conceito, por que amar requer muitos “pré-requisitos”. Temos que nos proteger.

Beijavam, abraçavam, sorriam e nem sabiam nosso nome, nem o motivo por que estávamos ali, nem de onde tínhamos vindo e nem para onde iríamos.

Nem mesmo a língua foi uma barreira para conexão. Em suaíli, com os olhos ou com abraços elas falavam e a gente se entendia bem.

Elas não queriam nossa conta bancária. Não pediam presentes. Elas só queriam sentar no colo.

 

Muitos ali sabiam sua real situação, vomitados no mundo por diversos motivos. E ainda assim, não se queixavam. Se doavam.

Grudavam em nossas pernas e não cansavam de chamar : “Teacher, Teacher, Teacher.”

Essa era a parte mais engraçada.

Nós não éramos os “Teacher’s”.

Estávamos aprendendo ali o significado real de amar, que não depende de nenhuma condição.

Elas de seu pequeno tamanho físico eram as verdadeiras professoras.

 

Eu que saí de casa achando que ia fazer diferença na vida dessas pessoas…

Recebi muito mais delas e de meus amigos de jornada, do que dei.

Senti cada abraço como uma lembrança que temos muito o que fazer ainda nesse mundo, por nós e pelos outros.

Estou cheio de esperança por ver que ainda é possível fazer alguma coisa. Olho para o lado e vejo pessoas com a mesma vontade de mudar o mundo, sem olhar para barreiras impostas por nossa mente condicionada.

Sim, eu vi o amor também nos olhos de meus amigos dessa expedição.

Eu vi o poder da força de vontade quando escutei a história de fundação do Orfanato por um homem que começou a vida como “Porter”, carregando o peso nas montanhas da Tanzânia nas costas e hoje é responsável por centenas de crianças no orfanato, na creche e na escola.

 

Eu vi a força da união quando atendemos na região rural da Tanzânia, sem mesa, cadeira, porta ou janela. Todos focando no que podíamos fazer e não em nossa limitação.

Eu senti a nossa capacidade de mudar a vida de uma pessoa ao encaminhar para o hospital uma mãe com insuficiência cardíaca descompensada, em insuficiência respiratória.

Até mesmo atendendo em baixo de árvores em uma aldeia Massai, eu vi a força que temos quando colocamos o bem em nossa frente. Inseridos rapidamente em uma cultura totalmente diferente da nossa, colocamos as nossas diferenças de lado e oferecemos o que tínhamos para tentar melhorar as condições daqueles guerreiros.

 

Fico feliz em saber que nessa viagem conquistamos muito mais que o cume do Kilimanjaro. Garantimos 01 ano de manutenção do orfanato com o lucro da expedição, para que a luz desses sorrisos não se apague.

Aliviamos a dor de alguns com pouco que tínhamos tanto na zona de rural e na aldeia Massai. E vamos embora com muita mais vontade de continuar nos doando do que recebendo.

 

Texto e fotos:  João Claudio