Uma prisão de Rummu
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Uma prisão de Rummu

Karina Oliani

13 Julho 2018 | 14h17

Já que o assunto é Rússia com a chegada da Copa do Mundo, inevitável não mencionar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) que existiu entre os anos de 1922 e 1991.

 

Formada por 15 países com especial destaque para a sede do principal torneio de futebol do mundo, havia um pequeno país que esteve sob o domínio da ex-URSS até 1991 e, nessa época, havia uma prisão para condenados perigosos pelos crimes mais graves, que hoje, se encontra completamente submersa.

 


Nessa matéria contarei pra vocês sobre um dos mergulhos mais loucos e surpreendentes que já fiz e foi na Estônia!

Já falei há algumas semanas sobre a minha chegada nesta que é a nação mais conectada do mundo com wi-fi grátis em tudo que é recanto. Se você perdeu a parte mais turística e apresentação deste país tão pouco conhecido por estas bandas, clica abaixo.

. Esta pátria chamou minha atenção pela primeira vez quando estava lendo uma reportagem há uns quatro anos no The Guardian. Fiquei hipnotizada por uma série de fotos a respeito da chamada Prisão de Rummu. Sim, você irá mergulhar – literalmente – no universo de um presídio no post de hoje.

 

 

Localizado a 40 km da capital Tallinn, Rummu leva esse nome porque é assim chamado também o lago de águas verdes ou cristalinas que o envolve. Trata-se do único presídio submerso do mundo. Foi construído em 1938 como uma unidade das “gulags”, o famoso sistema prisional soviético com campos de trabalhos forçados. Há informações que até seu fechamento em 1991 tenham passado cerca de 7.000 prisioneiros pelas suas paredes ainda secas. Quem parava por aqui não tinha vida fácil, pois fora construída de propósito ao lado de uma mina de calcário onde os condenados pelos mais diversos crimes faziam o pesado trabalho de extração do mineral.

 

Até o fim das suas atividades, havia a tarefa de drenar toda a água que surgia das minas e do lençol freático. Com a desativação daquele lugar onde imperava sofrimento, medo e angústia, não teve quem fizesse a drenagem. A consequência é que a água não parou de subir inundando aos poucos aquelas paredes carregadas de histórias densas e sinistras. A natureza transformou o espaço carregado energeticamente em atração local de projeção internacional. Pessoas do mundo inteiro, como eu, chegam aqui curiosas para ter uma experiência de entrar em um presídio soviético desativado quase todo embaixo d’água.

É possível curtir a “praia” que se formou ao redor e andar pela parte que ainda é visível do lado de fora. Mas é possível também percorrer dentro de toda a estrutura da Prisão de Rummu que está imersa. Então é preciso ter conhecimentos de mergulho para poder usufruir dessa experiência. Chamei um dos melhores cinegrafistas sub do mundo, que tem percepção e sacadas incríveis para captar imagens embaixo d’agua, que é o Cristian Dimitrius.

 

 

Ele tem vários Emmy’s (o Oscar da TV americana e mundial) no currículo. Como o lago fica dentro de uma propriedade privada, é preciso atender uma série de requisitos e ter uma ótima flutuabilidade pra poder mergulhar lá dentro.

Primeiro que só há uma empresa de mergulho habilitada a prestar o serviço lá que é a Barrakuda Diving Shop. O fato de não terem concorrência não significa um serviço relapso ou relaxado (o que pode ser fatal em modalidades como essa). Eles foram muito atenciosos e colaboraram demais pra nossa matéria ser feita da melhor maneira.

Estava tão frio que eu usei duas roupas de neoprene pra conseguir suportar os dois dias inteiros na minha agenda destinadas ao mergulho para conhecer o interior de Rummu. Se você pensa que a prisão é pequena, se engana. Tem pelo menos 4 pontos diferentes pra ser visitados em locais esparsos do lago- prepare as pernas e as nadadeiras!

Eu até fiz um exercício na minha casa em São Paulo antes de ir: imagina você ter uma enchente de água cristalina até o teto da sua casa. Caminhe por dentro dessas águas por hora com todo o equipamento que nem a Barrakuda me cedeu. Siga explorando sua casa submersa por horas. Imaginou? Pois digo por experiência própria que por mais que você tente e treine muito esse tipo de exercício, ainda sim vai se surpreender ao submergir uns 10 metros nas águas geladas e cristalinas do lago.

Os lugares mais fundos onde você pode entrar nos aposentos da famosa prisão soviética são de escuridão total e tem uns 15 metros. É fundamental ter uma lanterna potente para iluminar o seu caminho.

 

Sou da turma que acha que “imagens valem mais que mil palavras”. Sintam só que lugar mágico que vale a pena colocar no roteiro tanto visitar lugares fora do tradicional quanto mergulhadores:

Se as fotografias estão neste nível, então imagina os vídeos! Venha explorar comigo os segredos da Prisão de Rummu. Se liga no Fantástico deste domingo em que mostrarei de uma forma jamais exibida na TV brasileira um mergulho único na Estônia, cheio de história e mistério!

 

Fotos

Cristian Dimitrius

Marcelo Rabelo