Pequeno grande deleite

Pequeno grande deleite

Bruna Tiussu

16 Fevereiro 2018 | 13h42

A cerveja e o melhor copo da casa. Foto: Eduardo Asta


Cheguei a pensar que seriam dois meses de desintoxicação — forçada, veja bem. Adoro tomar cerveja, mas como boa brasileira, curto a bebida gelada, geladíssima se possível. E como aqui em Loliondo, nos cafundós do Norte da Tanzânia, energia elétrica é coisa rara, vim preparada para um período álcool free. Pois voluntariar também é se adaptar.

Mas qual foi minha surpresa quando entrei num hotel/restaurante e vislumbrei num cantinho do salão uma geladeira. Estava trancada. Sinal de que haveria algo precioso lá dentro? Sim! No total, eram seis garrafas de cerveja: duas de Kilimanjaro e quatro de Castle. Meus olhos brilharam, confesso, enquanto os olhos das atendentes cresceram. Mulher, ainda que muzungo, feliz ao ver álcool é novidade nestas bandas.

Gelada, no ponto. Foto: Bruna Tiussu

Desde então virei freguesa. Pelo menos uma vez na semana, especialmente no fim de um dia puxado com as kids na escola, lá estou eu para tomar minha cervejinha. Sou recebida pelas atendentes com entusiasmados “karibus” (bem-vindo, em kiswahili) e sorrisos. Elas destrancam a geladeira, deixam-me escolher um entre os rótulos disponíveis, buscam o melhor copo da casa.

E parecem morrer de graça da minha felicidade diante de uma garrafa de cerveja gelada. Felicidade é mesmo a palavra, porque esse momentinho aparentemente bobo acaba sendo para mim, aqui nos cafundós de Loliondo, riqueza pura. Voluntariar, afinal, também é transformar confortos antes básicos em grandes deleites.

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