A marcha pela educação grátis no Chile

A marcha pela educação grátis no Chile

Cerca de 10 mil pessoas estiveram na marcha dos estudantes chilenos de 24 de novembro. Muitos já perderam o ano letivo mas eles preferem entrar para a história.

Paulina Chamorro

25 Novembro 2011 | 09h11

Escrevo chegando em Punta Arenas, cidade dos aventureiros do fim do mundo, às margens do Estreito de Magalhães, extremo sul do Chile…mas esse é um post que farei mais adiante.
Agora quero descrever a experiência de estar no meio da Marcha Latinoamericana pela Educação, versão chilena, ontem, dia 24 de novembro. Essa Marcha que participei, foi organizada por estudantes de vários países, e aconteceu simultaneamente na Colômbia, mas claramente foi inspirada pela iniciativa chilena que já tem 8 meses de protestos e vários confrontos com a polícia, conhecida por aqui por pacos.
A peleja no Chile começou com uma reivindicação dentro das faculdades, mas hoje tomou conta do País, com estudantes do ‘secundário’, ou colegial, professores, pais e outras classes sociais e de trabalhadores.
O motivo da revolta é clara: questionar o sistema de ensino chileno que amarra os pais e estudantes a um sem fim de créditos que depois do estudo deve ser devolvido em parcelas ao governo. Que fique bem claro: Não há educação grátis neste País.
Na marcha de ontem conversei com muita gente. Desde pessoas que já acham que os estudantes foram além nos protestos até mães que estão desde o começo apoiando a causa.
A primeira mamá que entrevistei me contou que passado tanto tempo, poucos querem aderir aos protestos e que já está virando bagunça. E o pior “a maioria do estudantes chilenos perdeu o ano letivo”. Isso é fato.
Já Ana Maria, mãe de três filhos, me disse que não agüenta mais pagar tão caro pela educação dos filhos, que não são marginais e sim “como profissionais do futuro vão engrandecer o país”.
O professor Mario, que ia à frente da Marcha, carregando uma faixa com os dizeres: “não seremos mais mão de obra barata”, reclama que esta é a hora de promover uma mudança no “sistema educacional pinochetista, onde o lucro pela educação foi privatizado”.
O estudante de pós-graduação na área contábil, Ulisses, todo paramentado para a Marcha, com o rosto pintado com as cores do Chile e carregando nas mãos uma bandeira dos povos indígenas unidos, ou pueblos originários, também disse emocionado que estava presente, porque era sua missão como estudante tentar mudar o que está posto. Não só por ele, mas pelos estudantes que virão.
O que vi foram muitas pessoas de diferente idades, emocionadas, caminhando juntas, empunhando bandeiras e gritando frases de ordem. A faixa que mais me chamou a atenção e acho que resume o que contei acima é: “Alguns passarão de ano, outros passarão para a história”. Pena que a foto não ficou tão boa.
É incrível assistir como este questionamento teve início num país fininho como o Chile, mas cheio de posições políticas, que são abraçadas por todos em movimentos que no de ontem pode ter reunido nas ruas de Santiago, cerca de 10 mil pessoas. O Chile contaminou o resto da América Latina, que como diz o grupo Calle 13, “es un pueblo sin piernas pero que camina. Vamos caminando, dibujando el camino”.

Continuo agora relatando a viagem por Torres del Paine, região magalhanica, nos próximos posts.

P.S: Sobre a educação, a única sinalização do governo de Sebastián Piñera que eu vi nestes dias é uma discussão da distribuição de recursos do país no Congresso, dando um aumentinho à educação.