Documentário ‘A Lei da Água’ fecha a Virada Sustentável em grande estilo

O filme, que teve apenas uma exibição neste domingo, 31, conseguiu contar a história da criação do Código Florestal até a peleja das votações para sua nova versão unindo o que deveria parecer óbvio: o ciclo das águas e florestas.

Paulina Chamorro

01 Setembro 2014 | 14h57

O filme ‘A Lei da Água’, uma das últimas atrações da Virada Sustentável, revelou o espírito deste evento exuberante, colaborativo, que rolou por quatro dias nos quatros cantos da cidade de São Paulo e adjacências. Sua pré-estreia conectou o Novo Código Florestal (os pontos e contrapontos daquele processo, em 2012) com os dias de hoje e a crescente discussão sobre a ameaça do abastecimento de água aqui mesmo em nosso estado. E de quebra colocou o meio ambiente no centro do debate político-administrativo do País.

A sessão de pré-estreia ocupou um palco igualmente exuberante, mais uma ótima escolha dos organizadores do evento e do filme: o Auditório Ibirapuera recebeu centenas de privilegiados que tomaram “um soco no estômago” de realidade, segundo um dos próprios espectadores, em depoimento após a exibição de A Lei da Água. O filme ainda não tem data para fazer sua estreia nas salas de cinema do circuito tradicional. E também não será exibido pela internet. Por isso foi tão emblemática a sessão fechando a programação da Virada Sustentável 2014.

O enredo dinâmico e a velocidade de documentário conduz a plateia a experimentar uma sensação de frustração por não saber como agir e participar do processo que decidiu sobre o Código Florestal aprovado em setembro de 2012 e parcialmente vetado pela Presidente Dilma Rousseff um mês depois. Mais depoimentos na roda de conversas após o filme retrataram essa impressão de quem esteve lá no Ibira às 17h do domingão.


Esse é o papel de um filme tão criterioso e atual. Trazer a realidade das coisas mais próximas das pessoas. “Tem gente que acha que água nasce no cano”, disse o diretor André D’Elia, expondo o que ouviu durante a produção do filme, que contou com o cineasta Fernando Meirelles, presente no Auditório Ibirapuera e orgulhoso de poder dar sua contribuição ao projeto.

A tela grande e a nobre arte revelam em A Lei da Água, como talvez nenhum canal de tevê teve a ousadia de fazer, a opinião clara daqueles que venceram a votação do novo Código Florestal, os signatários do agronegócio no Brasil ( apesar do filme mostrar que nem dentro dos ruralistas existe consenso na maioria das opiniões expostos). Igualmente confrontou seus argumentos com estudiosos e especialistas de todas as ciências, de ambientalistas e também de gente comum que sente na pele os benefícios e prejuízos ao lidar com um tema tão transversal como as questões ambientais.

Pra não dizerem que é lobby ambiental, mas uma questão que bate à porta há tempos, algumas coincidências colocam o filme de André D’Elia na linha de fogo contra aqueles que ainda insistem em relegar a segundo plano o binômio meio ambiente/desenvolvimento e o futuro no Brasil. Logo após a sessão no Ibirapuera o Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma reportagem sobre desmatamento e a importância das árvores na Amazônia para a produção de água em todas as outras regiões do País e da América do Sul. Hoje o Estadão sai com o caderno especial Fóruns Brasil 2018 com a capa “Mudança na gestão ambiental é urgente”. Na última sexta-feira participei desse fórum como mediadora do painel com a Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira e recomendo a leitura para entender melhor o que realmente está ocorrendo em nosso País. E pra fechar esse momento de muita reflexão sobre o futuro do meio ambiente do Brasil o site ((O Eco)) publicou a lista (LINK) dos deputados que votaram contra e a favor do Código Florestal, e qual deles estão agora pedindo para as urnas mais um mandato.

Com 806 lugares, todas as cadeiras do Auditório Ibirapuera poderiam estar ocupadas por esses mesmos políticos.

Veja o trailer do documentário:

No ultimo Planeta Estadão tem uma entrevista com o  diretor Andre D´Elia. Ouça aqui

RIOS VOADORES-

E finalmente, falando dos Rios Voadores (que ainda quero dedicar um post especifico sobre ele), resgatei aqui um  arquivo da Rádio Eldorado do programa Território  Aventura com áudio do  aviador Gerard Moss voando  num balão para a captação  destes vapores.

 

(Com Leandro Alves)