Era feita com pororó, era a casa de Vilaró

Era feita com pororó, era a casa de Vilaró

Museo Taller Casapueblo, a obra-prima inacabada do discípulo de Picasso, Carlos Paéz Vilaró.

Paulina Chamorro

14 Novembro 2011 | 18h12

Não é só do Conrad (famoso Cassino divulgado pelo apresentador Amaury Jr.) que vive Punta del Este, no Uruguai. Além da clara receptividade para com brasileiros, os uruguaios guardam na sua costa um paraíso cultural que vale a pena a esticada dos brazucas.

O Uruguai foi o primeiro e talvez ainda seja o único membro do Mercosul que incluiu na grade
curricular das escolas a Língua Portuguesa. Mais que isso, basta saber que um brasileiro está
chegando que o pessoal já programa a música do celular pra uma bossa nova ou qualquer
som brasileiro. “É um jeito da gente puxar conversa. E o brasileiro adora ouvir no toque
do meu celular um som do seu país. Fazemos amizade na hora”, entrega o motorista da
van de turismo. E é assim em todos os lugares. Nos restaurantes, é só engatar um portunhol que o garçom já emenda: “pode falar português que yo compreendo todo”.

No Museo Taller Casapueblo, no entanto, o atendimento é mais, digamos, globalizado. Todas
as informações dentro desse impressionante conjunto de casas no estilo mediterrâneo (todas
brancas e de formas geométricas distintas) incrustadas na encosta de Punta Ballena, ao norte
de Punta, estão em espanhol e inglês, pois a freqüência de outras nacionalidades fora do eixo
sudamerica-reunida é grande.

Culpa do seu criador, o artista Carlos Paéz Vilaró, último aluno vivo do gênio Pablo Picasso,
pintor, escultor, arquiteto, cineasta, escritor e ceramista. Ou seja, um ícone das artes em seu
tempo. Vilaró,com mais de 80 anos, vive ali ao lado de Casapuelbo, numa das mansões que
emprestam o exuberante visual que Punta Ballena oferece, principalmente o pôr-do-sol, o
predileto do artista.


Apesar da diversidade de opções (o mar,a vida no campo, a belíssima arquitetura das casas
e edifícios, a presença freqüente de celebridades como Shakira e David Beckham – que tem
imóveis na cidade) Casapueblo é, sem dúvidas, o principal ponto turístico de Punta Del Este.
Mesmo na baixa temporada, com frio, chuva e o céu cinzento, está repleta de visitantes de
todos os lugares do mundo em busca de inspiração e contemplação, magia que Vilaró faz
questão de manter viva nesse local. Claro, ali você também pode comprar uma de suas últimas
obras – a preços, em dólar, fora do alcance da classe média brasileira – e apreciar em muitas
varandas construídas pelo artista que homenageiam seus amigos (veja foto) os diversos
ângulos do pôr-do-sol uruguaio. E quem sabe, com a presença do próprio Vilaró, que vez ou
outra dá as caras em seu ateliê, que fica ali mesmo, entre um barzinho e uma das galerias que
exibe boa parte de sua história.

“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada…”. Todo mundo conhece
esses versos infantis do Vinícius de Morais. O que quase ninguém conhece é a seqüência
original: “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Ninguém podia entrar
nela não, porque na casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede, porque na casa não
tinha parede. Ninguém podia fazer pipi, porque penico não tinha ali, mas era feita com pororó,
era a casa de Vilaró”.

Amigo pessoal de Vinícius, foi na casa do artista em Punta Ballena, que o poetinha compôs “A casa” para seus netos.

Confira abaixo uma serie de ambientes do Museo Taller Casapueblo. (crédito fotos:Andina Comunicação)