Uma viagem pela região dos vinhos naturais chilenos

Uma viagem pela região dos vinhos naturais chilenos

Paulina Chamorro

24 Junho 2018 | 10h21

foto Paulina Chamorro

Conheci um dos melhores vinhos naturais do Chile, Huaso de Sauzal. Mas a experiencia só é completa quando se conhece a vida no campo do Chile, misturada com uma tradição centenária de produção de vinho de mesa.


Invadindo um pouquinho o espaço do Paladar e aproveitando o gancho da chegada do inverno e o aumento de viagens para o Chile para curtir a temporada de frio, convido vocês para conhecerem outro pedacinho do país bastante peculiar.

Estive por lá em abril para conhecer melhor a região do Valle del Maulle, a 370 km ao sul de Santiago. Ele é vizinho de uma região mais conhecida, o Valle Colchagua, produtora de grandes marcas de vinhos, muitos deles bastante apreciados no Brasil. Rodando pelas paisagens rústicas [e lindas] desse interiorzão do Chile acabei fazendo um mini roteiro e uma enoviagem natural.

O prazer de conhecer pela primeira vez a produção de vinho natural in loco.

Como procuro ter um olhar para lugares onde a sustentabilidade e o respeito ao meio ambiente são fundamentais, não dá para esquecer desse caminho belíssimo, por vezes serpenteando o litoral e quilômetros adiante avistando os pequenos produtores de frutas vendendo suas delícias na beira da estrada. Tudo está conectado, já dizia Humboldt, e viajando por esse pedaço do Chile a gente percebe uma conexão do seu povo com a natureza daquela terra e com a produção original.

Quando chegamos ao Valle del Maule, no secano interior chileno, encontramos uma região árida, povoada por pequenos e centenários produtores de vinhos.


Em quatro hectares, Renan Cancino produz três uvas: Garnacha, País e Cariñana.
foto Paulina Chamorro

E é aqui que começa nossa descoberta de um vinho chileno ancestral aos vinhos chilenos que conhecemos. O Maule é o guardião de uvas como a País, cultivada nesse vale há séculos, portanto bem antes dos Carmenere e os outros grandes vinhos chilenos (feito com uvas francesas).

Foi o Renan Cancino, nascido na pequenina cidade de Sauzal, no Maule, que nos conduziu por essa saborosa história sobre os vinhos conhecidos por lá como pipeños.

Renan Cancino e a produção de cariñana. Depois de sete dias, vai pro barril.

Renan é produtor e dono do Viejo Almacén, em Sauzal, onde produz no que já foi a pequena venda de seu pai, três tipos de vinho, com colheita manual e vinificação natural. Anota aí: Huaso de Sauzal.

Ele utiliza as mesmas práticas e técnicas executadas na região há pelo menos 300 anos. Trabalho biodinâmico da terra, sem a utilização de água – somente a bruma úmida da região alimenta as plantas -, colheita e manuseio com instrumentos tradicionais.

Cheguei bem na época da vendimia, da colheita. As uvas País e Garnacha já tinham sido colhidas. Faltavam apenas as jovens cariñanas.

Renan percorre as cariñanas. Uma produção linda de ver: naturalmente bagunçada, com insumos naturais e tudo em harmonia.

O essencial no trabalho de Renan é valorizar a história ancestral da produção e dos sabores desses vinhos que são tradicionalmente conhecidos como vinhos de mesa no Chile. Mas não se engane: os vinhos naturais do Maule são tão refinados quanto qualquer outro que você já provou. Duvida? O restaurante D.O.M., em São Paulo, oferece algumas garrafas do Huaso de Sauzal.

El Viejo Almacén
foto Paulina Chamorro

O antigo armazém hoje recebe toda a produção de Huaso de Sauzal. São 24 mil garrafas por ano!

Para quem adiou a viagem para a temporada de inverno no Chile, taí um convite para já ir programando o próximo roteiro. Ah, outra opção para conhecer vinhos naturais e provar o Huaso de Sauzal é visitar a próxima edição do Vinhos Naturebas, na Casa das Caldeiras.

http://www.saintvinsaint.com.br/feira/ – Dia 04 de Agosto, das 13hs às 19hs, na Casa das Caldeiras – Rua Francisco Matarazzo, 2000.

#naturebas2018

Conheça pela instagram : @huasodesauzal

O que é a felicidade de produzir vinho? É este depoimento lindo de Renan.

 

Pelos caminhos do Colchagua, vizinho ao Valle del Maule.
foto Paulina Chamorro