Refúgios de Torres del Paine

Refúgios de Torres del Paine

Começa a aventura pelo Parque Nacional Torres del Paine, que possui belos exemplos de ecoturismo.

Paulina Chamorro

27 Novembro 2011 | 01h09

Pela segunda vez venho à Região Magalhânica do Chile, onde são conhecidos especialmente a Patagônia, com seus incríveis fiordes e ilhas e, é claro, a Terra do Fogo. Uma região que me fascina pela coragem dos primeiros exploradores, como o navegador Fernando de Magalhães, que deu início ao que considero um mundo de aventuras a ser (re)descoberto, explorado.
Antes da construção do Canal de Panamá, Punta Arenas, última grande cidade no Sul do Chile – ou seja, o extremo do continente –, abrigava a navegação mundial, pois por aqui era a única passagem conhecida do Oceano Atlântico para o Pacífico. Era uma espécie de babilônia naval, composta essencialmente de verdadeiros aventureiros. Naquela época, como hoje no mundo moderno, Punta Arenas aglutinou muitas línguas saxônicas.
Atualmente a cidade é a porta de entrada dos estrangeiros para o incrível Parque Nacional Torres del Paine e também para os aventureiros antárticos.
Estou nesse momento conhecendo o Hotel Las Torres (www.lastorres.com), e descobrindo uma iniciativa centenária, dentro de uma área protegida, e que tem tudo a ver com estas famílias que vieram desbravar a natureza indômita da Patagônia no início do século 20.
Hoje o Hotel é o único empreendimento particular dentro Parque Nacional, pertencente à família Kusanovic, de origem croata.
Mais adiante pretendo detalhar a impressionante história dessa família, que hoje mantem um grande Hotel e três refúgios no coração de Torres Del Paine, ou seja, aos pés das grandes torres.
Os refúgios – tem os particulares, como os do Hotel las Torres, outros que são operados em sistema de concessão, além dos gratuitos do Parque Nacional – são o abrigo mais confortável que os praticantes de treeking tem em várias trilhas por aqui, mas principalmente do trajeto conhecido como W (feito em 4 dias), ou outras caminhadas que podem durar até 9 dias. Alguns desses locais servem para abastecimento e descanso dos caminhantes, mas com acomodações bem simples mesmo.
Mas o Las Torres foi além e criou um verdadeiro serviço de hospedagem, com baixíssimo impacto na natureza (tratamento de esgoto, captação de água e a construção dos espaços só podem ser feitos sob os conceitos sustentáveis). Não chega a ser um o Hotel, mas também não passa nem perto da rusticidade dos outros.
Para os aventureiros são reservadas camas quentinhas (os quartos tem 3 beliches, banheiros coletivos, almoço/jantar, e outro sem fim de benefícios para deixar a aventura mais cômoda).
Enfrentando o vento que pode chegar a 80 km por hora, congelante, como é no Parque Nacional Torres Del Paine, acredite, esse refúgio é quase um oásis.
Trabalham aqui 32 pessoas, na sua maioria todos jovens nascidos na região. A visitação é de mais de 60% de europeus, povo que já tem tradição em treeking em Parques Nacionais de lá. Uma experiência que espero seja mais apreciada por brasileiros, pois é um modelo de turismo de baixo impacto, de contato intenso com a natureza num ambiente extremamente protegido.
Copiar esse modelo no Brasil seria uma bela iniciativa para ocupar de forma realmente sustentável os mais de 30 Parques Nacionais que o País possui.