10 razões para viajar slow

Nada de viagens picadinhas, passando cada noite em um lugar. A ordem é curtir sem pressa

Ricardo Freire, , O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2009 | 01h41

Tudo começou com o slow food, um movimento italiano que prega a calma à mesa, a preservação das tradições na cozinha e a prioridade aos ingredientes regionais. Não demorou para que o conceito se estendesse ao universo das viagens, para combater o equivalente turístico do fast food: o "maraturismo".

 

DEVAGARINHO - Jericoacoara só se revela inteiramente a quem viaja sem pressa

O slow travel condena viagens picadinhas, em que cada noite é passada num lugar diferente, e os dias são consumidos por visitas a cartões postais.

Em lugar disso, a filosofia slow propõe estadas mais longas num número menor de bases, de onde se pode explorar sossegadamente os arredores, indo além dos monumentos. Alugar apartamento (ou ficar em bed&breakfasts) e usar o transporte público também contribuem para uma experiência mais autêntica e intensa.

Ainda que você não consiga aderir inteiramente ao movimento, vale a pena considerar suas ideias e diminuir um pouco o passo - seja no próximo giro pela Europa, seja naquela temporada de praia do Nordeste. Veja alguns bons motivos:

1. É MAIS BARATO

O deslocamento é um dos fatores que mais encarecem uma viagem. Quanto mais paradas você inventa, mais elevada fica a média diária de gastos. Indo devagar, o seu escasso tempo e o seu precioso dinheiro são melhor aproveitados.

2. VOLTAR NÃO É PRECISO

A desculpa mais comum para fazer viagens picadinhas é a de que "um dia eu volto com calma". Só que uma coisa é voltar a um lugar porque você adorou. Outra, bastante diferente, é voltar porque não deu tempo para ver o que precisava. Faça o teste: a quantos lugares visitados em outras viagens você gostaria de voltar com calma? Se forem muitos, é porque você está viajando fast demais.

3. FÉRIAS, LEMBRA?

Acordar num horário civilizado (dormindo o tempo necessário para levantar de bom humor), não ter hora para deitar (e portanto poder aproveitar a noite sem neuras), esperar o tempo abrir para aí sim ir à praia mais distante (e fazer as melhores fotos): tudo isso é privilégio de quem viaja sem pressa.

4. ESPAÇO PARA SURPRESA

Todo lugar é muito mais do que os monumentos e atrações que você já conhecia antes de sair de casa. Mas se você vai com horário cronometrado, só tem tempo mesmo para o city tour. Use os chamados pontos turísticos apenas como indicação de percurso: a verdadeira viagem acontece no caminho entre os lugares manjados.

5. CHANCE PARA A INTUIÇÃO

As melhores lembranças de viagem são de coisas que você descobre sozinho, depois de algum tempo no lugar. E quanto mais bem informado você viaja, melhores serão essas descobertas - porque a sua intuição vai funcionar muito melhor.

6. VOCÊ VIRA EXPERT

A principal diferença entre um turista comum e um autor de guias é que o autor de guias fica mais tempo nos lugares do que o turista comum. Palavra de autor de guias.

7. APROVEITE A ESTRADA

Não dá para curtir a paisagem a 200 km por hora - até porque as autoestradas e trilhos rápidos não são nada panorâmicos. Se você vai viajar de carro por um trecho bonito, nunca divida a distância pelo limite de velocidade; é uma meta impossível de cumprir. Faça o contrário: sempre que possível, pegue a rota mais lenta. E pare ao menor indício de que vai valer a pena.

8. FÁBRICA DE INSIGHTS

É triste voltar para casa sem uma definição muito pessoal do lugar que visitou. Por isso, se você parar para pensar, vai ver que durante uma viagem é sempre gostoso parar para pensar.

9. SERENDIPITY

Sem equivalente em português, esta expressão designa o acaso sereno que nos abre os caminhos mais interessantes. Só quem tem tempo sobrando está sujeito a seus caprichos.

10. O LUXO DO TEMPO

Em viagem, tempo é mais do que dinheiro. Tempo é o maior dos luxos. É por isso que temos inveja de todos os vagabundos que encontramos pelo caminho e que não parecem ter hora para voltar. Eles não viajam com agendas tomadas por compromissos e horários cruéis, nem ouvem o tique-taque imaginário do taxímetro que nos assombra quando estamos fora de casa. Acredite: slow is beautiful. Pelo menos durante as férias, seja o senhor do seu tempo, e você vai se sentir rico.

INTERNET PARA VIAGEM | http://www.guiaoleo.com.ar/ Todos os restaurantes de Buenos Aires que valem a pena estão neste excelente guia. Nos moldes do Zagat, registra as opiniões dos clientes nos quesitos comida, ambiente e serviço. A busca por cozinha, bairro ou estilo é facílima. Clique também no blog para ler as opiniões dos editores.  

 

DOSSIÊ | Escolha sua tapioca

Fortaleza

A tapioca cearense é feita em forma arredondada e é bem mais espessa do que as outras. O recheio mais comum é de queijo, mas dá para comer pura também, como se fosse um bolinho, acompanhada por café. Quem volta da praia do Porto das Dunas (onde está o Beach Park) pode - deve! - dar uma paradinha no Ponto das Tapioqueiras, na CE 040,

à altura de Messejana. Peça, e o seu café vai ser passado na hora.

Natal

De todos os recheios de tapioca que você pode encontrar, nenhum será mais original do que o preparado nos quiosques do Mercado da Redinha, ao pé da nova ponte sobre o Rio Potengi, na margem oposta a Natal. Ali a tapioca serve para ensanduichar um espetinho de jinga, delicioso peixinho frito. O resíduo da fritura é formidavelmente absorvido pela massa de tapioca, que ganha um sabor surpreendente. Cerveja gelada faz-se necessária.

Maceió

Na capital alagoana, a tapioca evoluiu para uma espécie de X-tudo melhorado. Os discos de tapioca acomodam recheios volumosos,

salgados (presunto e queijo, por exemplo) ou doces (coco, chocolate e banana, por que não?). Dá para dividir fácil. Vai bem com refrigerante.

Penedo

Na balsa que atravessa o rio São Francisco entre Penedo, em Alagoas, e Neópolis, em Sergipe, meninos vendem uma tapioca molhadinha, embebida em leite de coco e acondicionada entre folhas de bananeira. Para sua sorte, os meninos continuam na balsa durante a travessia. Para seu azar, a tapioca molhadinha costuma acabar rápido.

VIAJE NA PERGUNTA

Em fevereiro estarei em Roma e quero dar uma esticada a Viena. Qual o melhor transporte? Onde me informo sobre agitos noturnos? Marco, Brasília

Viena está a 1h30 de voo de Roma. Faça dois orçamentos: um, com agente de viagem, incluindo os trechos intraeuropeus na sua passagem transatlântica, e outro comprando esses trechos à parte (com agente ou em sites como kayak.com). De trem são 13 intermináveis horas no noturno. Para fazer programas diferentes e descobrir o que está rolando na cidade, siga as dicas descoladas do site vienna.unlike.net.

Perguntas: turista.profissional@grupoestado.com.br

 

CASAL SILVESTRE |
Sílvio e Flora Silvestre fazemviagens sustentáveis desde muito antes de saberem o que era isso.

"Eu sei que muita gente vai nos chamar de ecochatos, mas uma coisa que sinceramente não dá para entender é como deixam ter tanto bugue em Fernando de Noronha. Taí um lugar onde deveria haver um transporte público eficiente, complementado por trilhas e ciclovias. Em muitos condomínios sustentáveis, como em Itacaré, é proibida a circulação de veículos particulares. Por que em Noronha todo mundo precisa de transporte individual? E a propósito: de quem foi a ideia de asfaltar o paraíso?"

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