2009 foi a maior viagem

Talvez você não tenha se dado conta, mas o ano que passou foi, disparado, o melhor dos últimos tempos para viajar. Quem não ficou trancado em casa assistindo ao noticiário da crise - ou da gripe suína - pôde aproveitar uma combinação de bons preços, câmbio favorável e promoções que deve deixar saudades.

O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2009 | 03h38

VERÃO QUENTE

Começamos o ano sem caos aéreo - uma façanha, já que o dólar estava a R$ 2,34 (o euro, a R$ 3,30) e todo mundo resolveu viajar pelo Brasil mesmo. A crise internacional ainda não tinha nos atingido - pelo menos não a tempo de cancelarmos nossas reservas para o fim do ano.

Entre o réveillon e o carnaval as praias estiveram lotadas - incluindo as de Santa Catarina, onde argentinos, uruguaios e chilenos substituíram os paulistas, pois estes ficaram impressionados com as enchentes do mês de novembro e resolveram ir para o Nordeste (e acabaram perdendo o janeiro mais ensolarado da década no litoral catarinense).

VIÉS DE BAIXA

A crise só começou a ser sentida quando os turistas voltaram para casa e as companhias aéreas precisaram encarar a diminuição de viagens de negócios. Os aviões passaram a voar quase vazios e os preços de voos domésticos caíram de maneira consistente.

Além da superoferta de assentos, havia o fator concorrência: a entrada da Azul, em operação desde dezembro de 2008, mexeu com a dinâmica do setor. Para não perder mercado, Gol e TAM criaram rotas e acompanharam os preços promocionais de lançamento da Azul.

ATCHIM!

No fim de abril, a notícia do aparecimento da gripe suína - rebatizada depois de H1N1 - disseminou uma verdadeira pandemia de pânico. A Argentina suspendeu voos para o México - o que não impediu que se tornasse o maior foco da doença assim que o inverno começou.

Apavorados com compatriotas que se contaminaram em Buenos Aires no feriado de Corpus Christi, cancelamos nossas viagens de julho a Bariloche. Só aprenderíamos a lição em agosto, quando a gripe chegou aqui e vimos que, apesar do caos nos hospitais, a vida continuava normal. Voltamos rapidinho à Argentina, aproveitando promoções de passagem e a desvalorização do peso.

DÓLAR LADEIRA ABAIXO

Maio registrou mais dois grandes empurrões para viagens ao exterior. Começou a vigorar a liberação, pela Anac, das tarifas mínimas dos voos internacionais. E o dólar passou a se desvalorizar, rompendo a barreira psicológica dos R$ 2 (e chegando, em novembro, à ótima faixa de R$ 1,70).

Na baixa temporada, deu para comprar passagens à Europa por US$ 800. Companhias mexicanas e colombianas levaram aos Estados Unidos por menos de US$ 600!

MILHAS PARA QUE TE QUERO

Este também foi o ano em que os clientes de programas de milhagem puderam aproveitar mais promoções. A Gol andou oferecendo voos por míseras 2 mil milhas e a TAM, por 2.500 pontos.

Por sinal, vale notar que, depois de colorir o Smiles de laranja, a Gol se revelou muito mais generosa do que a antiga Varig na concessão de assentos-prêmio. Quem não torrou todas suas milhas no ocaso da Varig com certeza não se arrependeu nem um pouco.

E 2010?

Se, por um lado, a economia aquecida deve manter os preços mais cheios, o aumento da concorrência pode fazer surgir boas oportunidades. Fique atento durante a baixa temporada; nas férias escolares as boiadas vão ser raras.

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