Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

3º DIA

MANHÃ

14 Maio 2013 | 15h23

O terceiro dia costuma ser aquele em que o turista já ganhou uma certa segurança e começa a se sentir mais solto na cidade. Após um café da manhã reforçado, siga para o Museu de Arte Latino-Americano, o Malba, que abre pontualmente às 9h30. Se estiver hospedado na Recoleta ou em Palermo, você pode até arriscar ir a pé, enquanto aproveita para observar as nuances da cidade.

A riquíssima coleção do Malba – que pertence ao bilionário Eduardo Costantini – conta com obras de artistas argentinos prestigiados, como pinturas de Antonio Berni (1905- 1981) e instalações provocantes de Liliana Porter.

Talvez o maior tesouro do acervo (ao menos para nós, brasileiros) seja a tela Abaporu (1929), de Tarsila do Amaral (1886-1973), obra-prima do modernismo tupiniquim. Dá uma pontinha de inveja, sim, mas prova que a arte brasileira é reconhecida por lá. Outra certeza disso está na mostra exclusiva de Adriana Varejão, em cartaz até 16 de junho. Os ingressos custam 32 pesos (R$ 12) – às quartas-feiras, é cobrada meia-entrada. Mais detalhes em malba.org.ar.

Tomada a dose extraforte de cultura, que tal mexer um pouco o corpo? Desde o ano passado, a prefeitura de Buenos Aires propõe passeios de bicicleta com 2h30 de duração por dois roteiros distintos aos sábados, domingos e feriados. Sedentários, fiquem tranquilos: as bikes são elétricas.

Após algumas breves explicações dos guias, que acompanham o grupo durante todo o trajeto, e de um pequeno teste com a magrela elétrica – que, vamos admitir, é um pouco temperamental –, finalmente partimos. São dois roteiros propostos, um de museus e outro de monumentos, mas ambos têm em comum os Bosques de Palermo, principal área verde da capital argentina.

Embarquei no primeiro. São apenas sete quilômetros, sem subidas, passando por 18 museus e com várias paradas para explicações. A maior parte do trajeto é feita em ciclovias dentro dos Bosques de Palermo. Nos poucos trechos em que vamos pela rua, os atenciosos monitores orientam o grupo para que todos, mesmo os mais inexperientes sobre duas rodas, façam o passeio com total segurança.

O tour custa 70 pesos (R$ 27) – para mais informações, acesse: tinyurl.com/bici2013. Para se inscrever, basta ir ao quiosque em frente ao Planetário – aliás, outro ótimo passeio. O local acabou de passar por uma reforma e está funcionando a todo vapor, com exibições como a do Pequeno Príncipe, que lá atende por El Principito. Mais em planetario.gov.ar.

 

TARDE

É hora do almoço e a fome já está mais presente do que torcedor na Bombonera em dia de clássico Boca x River. Como Palermo está logo ali, peça para um taxista te deixar na Gorriti 5.870, cruze o portão de madeira e o belo gramado até chegar ao salão do Olsen. De origem escandinava, é famosíssimo por seu brunch (130 pesos ou R$ 50), servido de manhã até o fim da tarde.

Repostas as energias, vamos ao que viemos: bater perna em Palermo. Comece pela Calle Jorge Luis Borges: no número 2.184, a Puro (zapatillaspuro.com.ar) fabrica lindos, loucos e coloridos tênis. As camisetas com cortes modernos e as bolsas de retalhos fazem sucesso – minha namorada, pelo menos, adorou.

No número 1.744 da paralela Gurruchaga, prepare-se para uma seleção do que há de mais bacana na nova geração de designers argentinos. A Kabinett (kabinett.us) reúne um compilado de móveis, joias, brinquedos e peças de couro com a mesma curadoria da lojinha do Malba.

Sem curadoria de renome, mas com novidades de artistas e artesãos de toda a Argentina, o Espacio Cuerdas (espaciocuerdas.com.ar) me fez abrir a carteira. Ilustrações fofas, como "gatos que amam o jazz", de Ivanke (ivanke.com), podem ficar bem na sua parede. Isso sem falar nos utensílios de cozinha, mobília e toda sorte de cacarecos criativos.

Homens com gosto por moda (o que não é o meu caso) se esbaldam na El Burguês (elburgues.com), logo ao lado. Já aqueles que não ligam de vestir roupas estranhíssimas, mas confortáveis (o que também não é o meu caso), seguem para as criações de "home wear" da estilista Adriana Bozzi (bozzihw.com).

Moda, por sinal, é o que não falta na Feira de Palermo Soho, que funciona de quarta-feira a domingo, das 14 às 20 horas, na Plaza Serrano, coração do bairro. Jovens artistas e estilistas têm a oportunidade de expor ali seu talento em roupas, sapatos, bijuterias e peças de cerâmica e madeira. Prepare-se para gastar.

Depois das compras, controle a culpa adoçando a boca – e a vida – com os sorvetes do Fillipo Caffe Gelato. O de alfajor (25 pesos ou R$ 10) é inesquecível. Bom para as crianças, que também vão gostar da loja El Gusanito (elgusanitokids.com) e seus lindos brinquedos educativos. E como em Buenos Aires tudo acaba em livros, aproveite para passar na Eterna Cadencia (www.eternacadencia.com) ou relaxar na deliciosa varanda da Crack Up (crackup.com.ar).

 

NOITE

Não é preciso sair de Palermo para curtir a noite. Comece forrando o estômago na Casa Coupage (casacoupage.com), que nasceu de uma reunião entre amigos chefs e sommeliers. A proposta é um grande jogo dos sentidos com receitas de tirar o fôlego, como a paella desconstruída e o gazpacho de melões com vieiras e pepinos. Tudo ornando com vinhos espetaculares (argentinos, claro). O menu-degustação custa 350 pesos (R$ 135) – e vale cada centavo gasto.

Prefere algo mais informal, tomar uma cerveja? Nada melhor que provar as artesanais da Cerveza Antares (cervezaantares.com). Ou então beber e petiscar (e usar o Wi-Fi grátis) no El Cronico (cronicobar.com) enquanto a balada não começa a ferver.

Mas, se você está determinado a mergulhar na cultura portenha e não se contenta em apenas assistir a um espetáculo de tango, é hora de bailar (ou quase) nas chamadas milongas. O La Catedral (lacatedralclub.com), no bairro de Almagro, funciona em um incrível galpão antigo cheio de quadros nas paredes e tranqueiras no teto. Amadores, deixem a insegurança de lado: todos os dias há aulas de tango para iniciantes, em três horários. Minhas dicas são evitar olhar para o lado e se concentrar apenas nas instruções e no ritmo do seu par. Depois de uns e outros tropeços, garanto: você vai achar fascinante.

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