Gretchen Ertl/The New York Times
Gretchen Ertl/The New York Times

Como investir em um curso fora do Brasil

Apesar dos cursos de idiomas liderarem a procura, outras opções de intercâmbio podem ajudar a incrementar o currículo

Felipe Mortara, O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2014 | 03h00

Embora os cursos de idioma continuem sendo o carro-chefe das empresas de intercâmbio, outras opções têm ganhado força para quem almeja uma vivência fora do Brasil. Informar-se sobre as alternativas mais adequadas a cada propósito e planejamento são mandamentos para não entrar em ciladas multiculturais. Fabiana Fernandes, gerente de produtos da CI, e Emília Miguel, gerente comercial da Experimento, explicam um pouco do atual cenário para quem quer estudar fora, como o dólar alto impacta os planos e dão dicas de como organizar a viagem.

COMO ESCOLHER

As empresas estão acostumadas a indicar cursos e atividades não apenas com base no que a pessoa busca, mas no que pode ser adequado ao estilo de cada um. Em seguida, avalia-se os pré-requisitos para cada atividade: se são necessárias certificações de idioma ou solicitar inscrição com antecedência. A partir do “sim” da instituição, a documentação para o visto é encaminhada ao estudante. “A possibilidade do visto ser negado existe, mas é bem pequena. Hoje, para requerer visto de estudante para os Estados Unidos, é necessário o comprovante de matrícula”, explica Fabiana Fernandes, da CI.

DESTINOS E TENDÊNCIAS

Os Estados Unidos retomaram a liderança no número de intercambistas brasileiros, após ficar alguns anos atrás do Canadá. O inglês segue como idioma mais buscado, com a Inglaterra em terceiro lugar. Os cursos de ensino médio continuam em alta, mas a procura por outros idiomas e países como Japão, Espanha, França e Alemanha vem aumentando. “Vejo mais jovens entre 13 e 15 anos viajando por três ou quatro semanas para Austrália e Nova Zelândia, substituindo o sonho de ir pra Disney”, diz Emília Miguel, da Experimento.

PRINCIPAIS OPÇÕES

Os mais procurados para todas as idades ainda são os intensivos de idioma, mas as vivências culturais são cada vez mais almejadas. “O comportamento do jovem e do adulto intercambista hoje tende a fugir só do idioma, buscando combinar com algo pessoal ou profissional”, afirma Emília, da Experimento. Desde cursos de férias para jovens – há opções a partir dos 10 anos – até um ano de ensino médio (programas de High School). 

CURSOS DE EXTENSÃO

São cursos temáticos com duração de três meses a um ano. Uma possibilidade de voltar com especialização profissional bem focada, com carga horária forte, sempre maior do que 18 horas semanais, que pode incluir estágios não remunerados em empresas locais. “Os mais procurados atualmente são marketing e gerenciamento de projetos. Mas há os mais técnicos, como design de interiores, recursos humanos e contabilidade”, diz Fabiana, da CI. Para esses cursos, é importante ter inglês fluente, já que o conteúdo é bem voltado para parte profissional. Certificados de proficiência como o Toefl são obrigatórios, e as empresas ajudam a reunir toda a documentação para a inscrição. Universidades californianas como Berkley, Irvine e Riverside estão entre as favoritas – na CI, um curso de 4 meses custa US$ 13.500 (não inclui taxas, seguro, inscrição e acomodação). 

MAS E O DÓLAR ALTO?

Como todos os preços são cotados em moeda estrangeira, a atual alta do dólar, na faixa de R$ 3,60, pode ser um entrave para intercâmbios. Segundo Emília, da Experimento, o caminho é o planejamento. “A pessoa deve se planejar com pelo menos 6 meses de antecedência, mas ela pode fixar até 24 parcelas pelo banco.” Emília acredita que, apesar dos juros, pelo menos o valor estará fixado com a cotação de hoje. “Muita gente dá entrada e parcela o programa em várias vezes com boletos em moeda estrangeira. O dólar já foi mais alto do que é hoje e a tendência é não reduzir – ou até aumentar”, avisa.

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