Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

4º Dia

MANHÃ

14 Maio 2013 | 15h33

 

Ao fim da viagem é inescapável uma certa preguiça. Você gastou suas energias batendo pernas para cima e para baixo e o clima de volta para casa começa a tomar conta. A solução? Um tratamento de choque: mergulhar logo cedo no Museo de la Pasión Boquense (museoboquense.com). O local traduz, numa ótima exposição multimídia, a história e o fervor do clube Boca Juniors e de sua torcida apaixonada.

A localização não poderia ser mais apropriada: sob as arquibancadas do mitológico estádio La Bombonera, no bairro de La Boca. Por supuesto que o ingresso, de 55 pesos (R$ 21), inclui uma espiadinha no gramado e na sala de troféus. Com direito a lojinha oficial. Só não perca a projeção em 3D que dá a sensação de estar jogando um clássico com casa cheia. Arrepia só de lembrar.

Aproveite que está por ali e siga a pé até o Caminito, a clássica viela com casinhas coloridas que aparece em qualquer álbum de turista de primeira viagem. Não se intimide, faça suas fotos também – afinal, há uma primeira vez para tudo.

Uma pedida não muito manjada na região é o Mercado Viejo da La Boca (Iberlucea 1.061), frequentado por moradores do bairro. Volte ao passado com lojinhas mambembes de quinquilharias e utensílios domésticos, que dividem espaço com livrarias e loja de arte. Uma delas é a de Sergio Horvath, de 70 anos, que pintou o vívido teto do mercado que ilustra a capa desta edição. Pegue uma cerveja Quilmes (10 pesos ou R$ 4) e arrisque um papo com ele, enquanto come uma gordurosa, porém deliciosa, tortilla de papas (15 pesos ou R$ 6) do Black Café (banca 58).

A Usina del Arte (usinadelarte.org) fica pertinho. O espaço cultural reúne exposições de artistas argentinos e estrangeiros e, de quebra, oferece uma ótima programação de música de câmara, jazz e até rock e reggae. Tudo a preços bem acessíveis.

Almoço de macho e de boleiro você encontra no El Obrero (bodegonelobrero.com.ar), um retrato fiel de La Boca. Entre fotos de craques e estandartes na parede, passam pratos de ojo de bife (contrafilé; 78 pesos ou R$ 30) bem servidos e fartas porções de papas fritas (20 pesos ou R$ 8). Ou então segure a fome para se acabar em San Telmo.

 

TARDE

 

A expressão na hora e no lugar certos cai como uma luva neste caso. Aos domingos, no horário do almoço ou ao longo de uma tarde ensolarada, parece que todo o charme de Buenos Aires se muda para San Telmo.

Caso não tenha almoçado em La Boca, comece a visita pela Calle Defensa, mais especificamente no número 855, onde o restaurante Desnivel (pronuncia-se "desnivél") recebe locais e turistas. No salão, decoração para lá de kitsch com guarda-chuvas chineses pendurados e esquis nas paredes.

As carnes são tão protagonistas no cardápio que a churrasqueira – ou seria parrillera? – fica fotogenicamente no meio do salão. O bife de lomo (85 pesos ou R$ 33), correspondente ao filé mignon, vem sangrando no prato e foi o melhor da viagem. Como os argentinos não têm o conceito de acompanhamento e o prato traz apenas a carne, vale pedir ao garçom (um sósia do ator Ricardo Darín) uma provoleta, provolone na chapa que orna muito bem e custa 32 pesos (R$ 12).

Barriga cheia, saia para caminhar e descobrir por que esse é o lugar para se estar. Expressão mais pura do bairro, a Feira de San Telmo (www.feriadesantelmo.com), com suas 250 bancas de antiguidade, é um passeio delicioso para se fazer com calma, pós-comilança, observando velharias que, naquele contexto, fazem um baita sentido.

Há 30 anos, a Plaza Dorrego é o epicentro da tradicional feira de antiguidades, que recebe cerca de 10 mil visitantes a cada domingo. Os belos solos de violão embalam quem contempla e fotografa soldadinhos de chumbo, mapas antigos, pratarias centenárias, retratos originais de Juan e Eva Perón, cristais bem trabalhados e discos de vinil, entre centenas de itens que você não encontrará em nenhum outro lugar. Não só os preços costumam valer a pena, como os vendedores são bons de negócio e aceitam dólares e reais.

Em meio a marionetes e estátuas vivas, entre no Mercado de San Telmo, que concilia antiquários mais caprichados com açougues e barracas de frutas. Uma autêntica salada portenha.

 

NOITE

 

Alguns o definem como elegante e moderno. Outros, como falso e apático. O fato é que o bairro de Puerto Madero não pode ser ignorado, por vários motivos. O primeiro deles é o fato – bem concreto, por sinal – de que a única obra do celebrado arquiteto espanhol Santiago Calatrava na América Latina fica ali. Dizem que o desenho da Ponte da Mulher, de 160 metros, reproduz um casal dançando tango. Requer alguma imaginação.

Não faltam opções chiques para se hospedar na região, mas poucas se igualam ao Faena + Universe (faena.com), instalado numa usina centenária repaginada pelo designer-estrela Philippe Starck – diárias desde US$ 740.

Mais barato é o Faena Arts Center (40 pesos ou R$ 15), museu bacana, mas ofuscado pelo incrível Fortabat (coleccionfortabat.org.ar). O local reúne mais de 200 obras, que vão de mosaicos bizantinos a pinturas de Dalí e Chagall. Vale uma passada, caso você decida andar ali durante o dia.

Quando a noite cai, uma caminhada ao longo do Dique 3, com a ponte toda iluminada, mostra a faceta da Buenos Aires moderna. Pelo malecón, o calçadão à beira-rio, passam famílias de bicicleta e jovens a fim de badalar. Para eles, nada como ver e ser visto em bares como o Lupita (lupitaweb.com.ar), onde cervejas Sol e Corona (25 pesos ou R$ 10) descem bem com porções de quesadillas (70 pesos ou R$ 27).

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