4. Levar meu filho para passear no exterior

Helena, de 6 anos, tinha apenas dez meses quando embarcou pela primeira vez em um voo longo, rumo aos Estados Unidos. Seu irmão mais novo, Rafael, hoje com 3 anos, foi ainda mais precoce: aos 23 dias de vida estava em um voo de São Paulo para Recife. Há três meses, os pequenos viajantes foram ao Peru. Tudo, claro, em companhia dos pais.

Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2014 | 03h00

Para quem sente saudade de cair na estrada e quer superar o receio das possíveis dificuldades longe de casa, vale ouvir o que diz Glaucia Colebrusco, a mãe de Helena e Rafael: “Meu principal conselho é ter coragem”, diz ela. “Se você não for e não deixar que eles experimentem, nunca vai saber.”

Também é indispensável pensar na documentação e garantir infraestrutura, segurança e cuidados básicos. Com as dicas a seguir, você pode incluir a viagem com filhos na sua lista de desejos de ano-novo.

DOCUMENTOS

Até os 4 anos, o passaporte infantil tem validade equivalente à idade da criança. Assim, o documento emitido para criança de 2 anos vale por dois anos, e assim por diante. A partir dos 4 anos, a validade passa a ser a mesma dos demais, de cinco anos – prazo que será estendido para dez anos nos novos passaportes emitidos a partir de data ainda não definida em 2015. Informações e formulários: dpf.gov.br/servicos/passaporte.

Outra novidade é a impressão, no passaporte da criança, da autorização para viagem desacompanhada ou acompanhada de apenas um dos pais, com a mesma validade do documento. Se o passaporte não contém a autorização, será preciso procurar a Vara da Infância e Juventude. Mais: oesta.do/autorizaviagem.

O RG é aceito para viagens pela América do Sul (com exceção das Guianas), mas, como criança muda muito de fisionomia, os oficiais de fronteira podem pedir comprovações extras. Leve também a certidão de nascimento original; companhias aéreas não aceitam xerox.

NO VOO

Você pode levar a comida da criança no avião, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) – e, dada a escassez de opções em voos comuns, recomendamos fortemente que faça isso. Esteja preparado para, no momento da fiscalização no aeroporto, abrir potes e provar um pouco de cada alimento.

A segurança das crianças em aviões é um tema controverso e alvo de críticas por parte da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Segundo a entidade, o cinto de segurança convencional da aeronave só é efetivo para passageiros acima dos 20 quilos, peso que a criança atinge por volta dos 5 anos. Apesar do custo extra que isso representa para os pais, a SBP recomenda que crianças de qualquer idade ocupem uma poltrona exclusiva.  “Até 1 ano, ideal é que a criança vá em um bebê conforto voltado para trás, como nos carros”, diz a secretária do Departamento de Segurança da entidade, Renata Waksman. No caso de ir no colo (permitido pelas aéreas até 2 anos), ela recomenda usar suportes de carregar o bebê junto ao corpo do tipo mochila, para os maiores de 3 meses. Algumas empresas aéreas oferecem berço, e podem cobrar por isso – e também para colocar a família nos primeiros assentos da fileira, onde a peça é fixada.

Para amenizar a pressão no ouvido, no caso dos bebês, amamente, dê mamadeira ou chupeta. Ofereça bastante água, vista a criança confortavelmente, com roupas quentinhas (o ar-condicionado costuma ser forte) e fáceis de serem trocadas. Pense em diversão, como brinquedos queridos (ou, quem sabe, uma novidade, para ser descoberta durante o voo?), cadernos de colorir, lápis e o tablet para evitar ou amenizar ataques de fúria. Se acontecer, mantenha a calma, concentre-se em acalmar a criança e ignore olhares de reprovação. 

SAÚDE

“É indispensável levar a criança ao pediatra antes de viajar”, recomenda Renata Waksman. O profissional indicará os medicamentos da farmácia básica que a família deve levar. “Antitérmico, antialérgico e um remédio contra náusea e enjoo de movimento são úteis, desde que a criança já tenha tomado. Termômetro e itens básicos para curativo, também”, diz. Para viagens ao exterior, contrate seguro-viagem com ampla cobertura. A vacina contra febre amarela, exigência comum mundo afora, pode ser dada a partir dos 9 meses.

ALIMENTAÇÃO

Há famílias que preferem ter em mãos alguns alimentos transportáveis com os quais a criança esteja familiarizada. É uma possibilidade – em viagens ao exterior, verifique antes as restrições dos órgãos locais de vigilância sanitária. Renata Waksman, da Sociedade Brasileira de Pediatria, sugere ainda consultar o hotel sobre o tipo de alimentação servida e a possibilidade de preparo sob medida.

A mãe viajante Glaucia Colebrusco, no entanto, diz que nunca levou nada para as crianças comerem durante a viagem. Na Europa, Helena estranhou um pouco a comida. “Completávamos a alimentação dela com fruta e iogurte. Sempre tem algo mais neutro que é possível oferecer”, diz. “Fico mais preocupada com a água, que prefiro comprar engarrafada”, diz Glaucia. A pediatra concorda: “Para criança, água mineral sempre. Em qualquer país”.

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