Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

6- Pelo mangue

Trilha das camboas segue por cenários únicos, até o Rio Tatuamunha

O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

Admito: quando ouvi a sugestão de fazer o passeio pela área de mangue próxima ao Rio Tatuamunha, não fiquei tão empolgada, mas estava curiosa com a proposta. Não imaginava que o tal roteiro pela Trilha das Camboas seria um programa tão lindo e enriquecedor. Além de Rafael Lustosa, da Camboa Ecoturismo, tive como companheiros de trilha o casal Kétria e Rafael Souza, em seu último dia de férias.

Camboas, segundo Rafael explicou, são canais de maré que se formam naturalmente nos manguezais. “É por onde passa o maior volume de água quando a maré tá secando ou enchendo”, conta ele. Por esses “caminhos d’água” peixes entram e saem do manguezal – e são neles que os peixes-boi dormem, descansam e dão à luz seus filhotes.

Biólogo de formação, Rafael foi estudar a região e percebeu que havia um potencial turístico ali. Há três anos montou a agência, que funciona dentro do Angá Hotel.

É justamente pelas camboas que nosso passeio é conduzido (R$ 30; reserve pelo 82-99174-1599). Vá de chinelos, que, em determinado momento, serão retirados: na maior parte do tour, estamos com os pés descalços, experimentando os diferentes tipos de solo que nos é apresentado. Fique tranquilo: é seguro. Basta caminhar com alguma atenção.

Começamos por uma área com vegetação de restinga e uma linda visão: pequenos caramujos grudados nos ramos, branquinhos, dão a impressão de serem flores prestes a desabrochar. É só ao se aproximar que se percebe a diferença. 

Logo estamos pisando sobre uma areia grossa, que alguns passos depois se transforma em uma lama onde nossos pés afundam até os tornozelos. Minutos depois, estamos caminhando no leito do rio. As mudanças no solo se sucedem, e a vegetação também se transforma no caminho.

A beleza se apresenta no inesperado. Seja o grupo de crianças, moradoras das proximidades, brincando no rio, no voo majestoso da garça, nos minicaranguejos que correm juntos quando nos aproximamos – num primeiro momento, dá até a impressão de que o solo está se movendo.

Seguimos até a foz do Rio Tatuamunha para um merecido mergulho antes da volta, caminhando quase sempre pelo leito do rio. Vá de boné, reforce o protetor solar e não esqueça de levar água. O trajeto, de cerca de 2h30, é plano e bem tranquilo para fazer com crianças. Desafiador mesmo é tirar a lama dos pés no fim do passeio. 

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