Camila Anauate/AE
Camila Anauate/AE

À beira do abismo

Abro a barraca e vejo o sol nascendo atrás dos platôs marrons. Um suspiro para começar bem o dia. Pouco sei sobre o roteiro de hoje. Na verdade, ninguém está preparado para as emoções a seguir.

Camila Anauate, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2009 | 02h33

A rápida trilha ao redor do camping inicia a programação. O grupo escala uma colina de arenito e entra em cavernas para ver gravuras rupestres deixadas pelos Bushman, um povo nômade que habita a região desde sempre. O guia André dá uma aula no Rio Huab, fala sobre as formações e a fauna local e mostra a Welwitschia, um dos tipos de vegetação mais antigos do planeta.

O almoço é servido no camping ao meio-dia. Lanchinho leve para preparar o corpo - e a alma - para mais um voo espetacular. O teco-teco sobrevoa por quase uma hora a Terrace Bay e faz curvas para chegar perto dos navios Montrose e Henrietta até descer na praia.

 

Veja também

 Vídeo da deslumbrante aventura pela Namíbia

linkDeserto de cores e texturas

linkO guia da terra sem fim

linkNos ares em um teco-teco

linkHora de relaxar

linkCom os Himbas

linkUm rio perene

linkFinalmente, o safári

linkLodges de luxo

Uma faixa de pedras grandes e cinzentas invade a areia alva. O mar é gelado, sujo de algas, mas refresca. São minutos preciosos para relaxar a mente.

Enquanto isso, André e Jan, o outro piloto, preparam os jipes, equipados com bancos nos tetos, para um off-road nas dunas. Um passeio até então comum. Sobe-e-desce, chacoalha, areia ao vento, vento no rosto. Mas a imensidão branca ganha dimensões irreais e parece engolir a Land Rover. O sol está baixando. A luz ressalta cores, faz sombra e desenha silhuetas.

Então o segredo mais bem guardado de André se revela: uma imensa cratera de areia, diante da qual o guia costuma sentar para beber seu chá. Antes disso, convoca o grupo para uma descida rápida. "Reparem no som", diz. Um som grave que ecoa durante alguns minutos.

Prepare a câmera. Para qualquer ponto que você mirar terá uma foto inacreditável. Os jipes pequenininhos na beira da cratera, o buraco semi-iluminado, as curvas bem delineadas.

Dá para passar horas brincando na areia - e a subida nem é tão pesada. Mas André e Jan estão preocupados com o horário. É preciso chegar no acampamento antes do anoitecer.

Pegamos o caminho de volta ao "aeroporto". Nuvens carregadas assustam. A chuva faz balançar o teco-teco. Mas a tranquilidade de André é reconfortante. Em 30 minutos, estamos em nossas tendas no Purros Camp, no Hoarusib Valley.

A fogueira no descampado - e as taças de vinho e Amarula - aquecem. Debaixo de uma enorme lua cheia, encerramos a jornada ouvindo fascinantes histórias sobre a Namíbia.

NÃO PERCA

linkFocas tomam sol nas areias da praia de Cape Cross. A colônia se espalha por quilômetros da costa

linkAs tendas do Kuidas Camp, na região do Huab Valley, ficam de frente para belas planícies e platôs

Mais conteúdo sobre:
ViagemNamíbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.