Visit Iceland
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A beleza da Islândia e as razões de sua fama

Poucos lugares no planeta são tão vivos

Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2018 | 03h00

Como sempre acontece quando está triste, nosso viajante britânico viajou para a África. Em algum lugar secreto da Tanzânia – que ele preferiu não nos revelar – Mr. Miles vive o luto pela partida de seu amigo Sol de Luna (aqui mencionado na última coluna) na companhia dos grandes mamíferos e dos muitos pássaros, cujo avistamento ele anota minuciosamente em seu caderno de birdwatching

Tudo indica que, dessa vez, o correspondente não vai participar de qualquer tipo de folia, embora ele mesmo já tenha indicado as festas populares como um caminho ideal para purgar ódios, tristezas e inimizades. Prova disso – garantiu ele no ano passado – é o extraordinário crescimento do carnaval de rua no Brasil em um momento tão atribulado de sua história. 

A seguir, ele comenta a correspondência da semana.

Tenho lido muito sobre a Islândia e principalmente sobre o crescimento excessivo de turistas na ilha. Assim, acelero meus passos para visitar esta ilha. Seria perigoso contornar a ilha (1.800 quilômetros) sozinha de carro no fim de maio? Fico com medo de convidar amigos e me sentir responsável pelo sucesso da viagem. Como a ilha está austera em termos de preços, isto pode virar um problema. Valéria Portela, por e-mail

Well, my dear: não deixa de ser uma feliz coincidência o fato de seu nome coincidir com a de minha escola de samba favorita no Rio de Janeiro, justo nesta época do ano. Nada mais sei a seu respeito e, unfortunately, isso me impede de sugerir acompanhá-la em sua empreitada islandesa. Uma fotinho sua bastaria para me fazer (ou não) mudar de ideia. 

Sobre a Islândia, darling, você tem toda a razão. Eis um país que, com todos os méritos, entrou na moda. Vou deixar todos os motivos reais para depois, mas ouso dizer que dois fatos, indeed, trouxeram o nome desse pequeno país boreal para as manchetes dos jornais de todo o mundo. Primeiro, a inexplicável bancarrota a que foi levado por decisões desastrosas de suas autoridades econômicas em anos recentes. Oh, my God! Quem haveria de supor que um país nórdico, bem resolvido e de população incipiente fosse passar pelas agruras que se espera de nações corruptas e subdesenvolvidas?

O segundo motivo, however, foi muito mais forte. De repente, de um dia para o outro, a sua inexpressiva seleção nacional de futebol – típica de nações onde o esporte é semiamador – ganhou notoriedade internacional. Na última Eurocopa, protagonizou vitórias épicas, quase sempre incentivada por torcedores que representavam 10% da população total do país. Mais que isso: estará, pela primeira vez, disputando uma Copa do Mundo de futebol em julho, na Rússia!

A Islândia, therefore, caiu na boca do povo.

É, in fact, um país que eu adoro. Poucos lugares no planeta estão tão naturalmente vivos como ele. O fogo arde em suas entranhas, aquece seus lagos, esquenta seu vulcões. Ao mesmo tempo o gelo de seus invernos rigorosos disputa espaço com a força inversa, resultando em paisagens sem comparação e experiências inesquecíveis para qualquer viajante.

Foi muito bom, dear Valéria, você mencionar o diâmetro da ilha. Há gente que, olhando no mapa, tende a subestimar as distâncias.

Meu saudoso amigo Nelson Dienstag julgou que a Nova Zelândia fosse só um pouco maior do que o Hyde Park e propôs-se, um dia, a explorá-la de carro. Nem é preciso dizer que, as you say in Brazil, ‘gave with the donkeys in the water’, tradução mais que livre para ‘deu com os burros n’água’. 

Quanto a convidar amigos para a jornada, my dear, isso é realmente coisa sua. Eu gosto de viajar sozinho, mas prefiro poder dividir emoções a cada dia. Sobre os ‘preços austeros’, basta que seus possíveis companheiros estejam devidamente alertados. E volto a lembrar que, eventualmente, conforme a foto, sigo à sua disposição.” 

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

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