Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

A chegada à estação de esqui de Valle Nevado, no Chile

As primeiras horas num resort de esportes de neve são deslumbradas e atarefadas

Mônica Nobrega, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2018 | 04h30

A neve chegou – chegamos a ela – no terço final da subida pelo paredão rochoso dos Andes. Sessenta curvas numeradas por plaquinhas amarelas tem o trajeto entre a base da montanha, na altitude média de 600 metros, e os 3.000 metros onde está a estrutura do Valle Nevado. Em uma hora, sobe-se 2.400 metros; o custo disso se chama mal de altitude. Mas já volto a ele, que não deu imediatamente o ar da graça, no meu caso.

Depois de desembarcar pela manhã no aeroporto de Santiago e de percorrer em transfer os 80 quilômetros até a estação, nosso grupo de sete pessoas chegou ao alto da montanha numa tarde azul brilhante. Por volta das 15h30 de sexta-feira, a recepção do hotel Puerta del Sol estava lotada de hóspedes que faziam check-in para pacotes de três noites, já que a segunda-feira seguinte, dia 2 de julho, era feriado no Chile.

As primeiras horas num resort de esportes de neve são deslumbradas e atarefadas. Meu quarto no sétimo andar era quase um camarote, mirava a pista de nível intermediário Retorno Bajo, pela qual deslizavam esquiadores e snowboarders. Para abrir as portas da varanda e curtir o show foi preciso reforçar as camadas de roupas. Invariavelmente você chega de Santiago com menos agasalho do que o necessário.

Vencida a etapa das primeiras fotos e (como não?) das primeiras selfies, era hora de descer até a loja de aluguel de roupas. De três experiências anteriores em estações de esportes de inverno eu trazia a impressão ruim sobre roupas alugadas, sempre malcheirosas. Ali, não: as peças estavam limpas, bem conservadas e pude até escolher modelo e cor. Mesmo uma iniciante percebe rápido que estilo importa na montanha. Quanto custa o outfit? Por dia, 26 mil pesos chilenos (R$ 153) pelo conjunto de calça, jaqueta, luvas e óculos. Tudo precisa ser impermeável. É indispensável mesmo.

A primeira après ski veio antes do primeiro esqui. Après ski é a happy hour que começa quando fecham as pistas, às 17 horas. A do Valle Nevado é um encontro com clima familiar e lanchinho: sopa, croissants e chocolate quente. Um momento para se enturmar um pouco e admirar o pôr do sol na face sul do vale, que pinta de cor-de-rosa o céu e as rochas nuas dos Andes. Um espetáculo.

É verdade que faltou clima de balada na après ski do Valle Nevado – já vivi outras mais emocionantes, com DJ e gente jovem reunida destravando botas e dançando de um jeito meio robótico no fim de tarde. Mas a estação tem sim a sua balada de fato. Depois do jantar, quem está no clima segue para o pub Três Puntas para curtir som de banda ao vivo ou karaokê. Aos sábados, lá pelas 18h30, depois da Descida das Tochas, em que mais de cem instrutores percorrem pistas carregando tochas acesas, o bar Valle Lounge serve vinho, pisco sour e cerveja como cortesia. Com DJ, vira uma festinha.

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