Marcio Claesen/AE
Marcio Claesen/AE

A colorida aventura de amanhecer nas alturas de Göreme

Anunciar que você irá visitar a Capadócia tem um efeito imediato: ouvir de conhecidos a aspiração de viver uma incrível experiência. Boa parte dela, vinda de um voo de balão.

GÖREME, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2012 | 11h41

Confesso que o medo de altura não permitia que este repórter sequer imaginasse entrar em um cesto de proporções diminutas e subir ao céu com uma forma de locomoção tão rudimentar. Mas como ir a esta terra de cânions tão majestosamente esculpidos e negar-se o prazer de vê-los do alto? Entre a chegada na região e a hora do passeio foram 48 horas para criar coragem. Nesse período, aproveitei para absorver outras riquezas turcas e digerir incontáveis porções de falafel.

Uma dessas riquezas foi a apresentação dos Dervixes Rodopiantes, no Saruhan Center ( 25 ou R$ 65). Seguidores do poeta Jalal ad-Din Muhammad Rumi, nascido no século 13, esses homens de aparência tranquila estão, na verdade, em transe. Os dervixes são da ordem sufi, braço místico do islamismo, e acreditam que a dança é uma maneira de chegar perto de Deus. Eles giram e param em sequências consecutivas e repetitivas em uma cerimônia que exige silêncio absoluto. O único som é o dos poucos instrumentos que os acompanham.

Finalmente, chegou o dia do voo. Convencido a entrar na aventura, tive de madrugar - 4h25 no saguão do hotel, disse o guia. E basta descer ao hall para perceber quão pop é o passeio. Levas de turistas japoneses, norte-americanos e russos também caíram de suas camas e se amontoavam nos sofás da recepção, à espera das vans que nos levariam ao ponto de decolagem, nos arredores de Göreme. Em uma área de concentração, são oferecidos chá, café, bolo e pães enquanto aguardamos o veredicto: haverá mesmo o passeio? Condições climáticas adequadas - leia-se vento favorável - são essenciais.

Logo o guia retorna com o ok. Para mim, momento de tomar um estratégico medicamento contra enjoo, que também ajuda a manter a calma. Retornamos à van para, em alguns minutos, desembarcar em um cenário incrível. Em meio às rochas, dezenas de balões enfileirados começam a ser inflados.

Há cestos que comportam 10, 15 ou 20 pessoas (além de dois baloeiros). O céu ainda está escuro, faz frio - é essencial levar agasalhos e cachecóis. O fogo, a um metro de nossas cabeças, contribui para o medo inicial. Porém, à medida que o balão sobe, a sensação se transforma em conforto.

Em menos de dez minutos, alcançamos altura suficiente para contemplar o céu repleto de pontos coloridos. O sol logo desponta e justifica a euforia em torno do passeio. Estar a 500 metros de altura sobrevoando as "chaminés de fada", ladeando as montanhas e entrando nos cânions sob um horizonte repleto de balões faz deste um dos amanheceres mais famosos do mundo.

Depois de uma hora de passeio, fomos recebidos no solo com espumante turco e um certificado de que enfrentamos o desafio. Se valeu superar a fobia de altura? Sem dúvida. Assim como os 160 (R$ 421) desembolsados (goremeballoons.com). /M.C.

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