A Copa dos turistas

A Copa do torcedor todo mundo sabe como é: ansiedade, sofrimento, paixão e, se tudo der certo, festa. Quem viaja para ver a Copa ao vivo, porém, não é um torcedor comum. O investimento é muito alto. Mesmo que acabe não fazendo toda a festa que espera, o torcedor-viajante quer saber como vai aproveitar turisticamente a sua estada.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2009 | 02h23

 

INDEPENDÊNCIA OU PACOTE?

A Copa da Alemanha foi a melhor dos últimos tempos para o turista independente. Havia um passe ilimitado de trem pela duração do campeonato, uma rede complementar de hospedagem em casas particulares e festas em todas as cidades-sede para os sem-ingresso.

Nada disso vale para a África do Sul. Por causa da extensão do país, a maior parte dos deslocamentos vai precisar ser feita de avião. A rede hoteleira estará absorvida pelos visitantes, digamos, oficiais. Os ingressos para os jogos do Brasil já estão esgotados; a maioria foi atrelada aos pacotes vendidos pelas operadoras oficiais brasileiras. Mesmo se você quiser ir à África do Sul para fazer turismo e descolar algum ingresso no câmbio negro, vai enfrentar preços altos e dificuldade de deslocamento. Em resumo: procure uma agência de viagens.

A estratégia das operadoras brasucas para 2010 é parecida com a que deu certo na Copa de 2006. Na Alemanha, os 5 mil brasileiros ficaram baseados em Colônia, de onde partiam em trens fretados para os jogos em outras cidades.

QUARTÉIS-GENERAIS

Na África do Sul, os quartéis-generais brasileiros serão dois: a Cidade do Cabo, onde os Oceanos Atlântico e Índico se encontram, e Durban, na costa leste. Desses dois pontos a torcida fará viagens bate-volta aos locais dos jogos. Serão voos fretados, em aviões que ficarão à disposição do pool brasileiro.

Apesar de ser apontada nos bastidores como barbada para sediar a Seleção (o que acabou se confirmando no sorteio), Johannesburgo foi descartada de cara pelo pool, por ser perigosa e pouco atraente. "Combinando Cidade do Cabo com Durban, o brasileiro terá a experiência mais completa da África do Sul", argumenta Douglas de Presto, diretor de Copa do Mundo da operadora Stella Barros.

Eu concordo. Na Cidade do Cabo o torcedor verá uma África do Sul europeia e sofisticada. Aproveite a estada para visitar o bairro malaio de Bo Kaap, o Cabo da Boa Esperança e a região de vinhedos de Stellenbosch e Franschhoek. Vai estar muito frio para pegar praia, mas você vai fotografar pinguins em Boulders Beach.

Durban, ao contrário, tem invernos bem agradáveis: vai dar até para entrar no mar. Os hotéis ficam em Umhlanga, um bairro praiano chique.

A verdadeira África está ao lado. Você pode visitar uma aldeia zulu e fazer um safári: o parque de Hluhluwe fica a três horas de carro e permite avistar os famosos e cobiçados "cinco grandes": elefante, rinoceronte, búfalo, leão e leopardo.

ANTES E DEPOIS

É possível programar pequenas viagens entre os jogos, mas não há compensação pelas noites não dormidas nas bases. O melhor é programar esticadas antes ou depois da Copa. As paisagens desérticas da Namíbia, as Cataratas de Victoria e as praias paradisíacas de Moçambique, de Maurício e das Ilhas Seychelles estão a voos curtos de distância.

QUANTO CUSTA

Os pacotes começam em US$ 9 mil (para dois jogos) e vão até US$ 23 mil (a Copa inteira). Os ingressos são cobrados à parte (custam entre US$ 80 e US$ 400) e são vendidos pelas operadoras oficiais: Agaxtur (agaxtur.com.br), Ambiental (ambiental.tur.br), Marsans (marsans.com.br), Pallas (pallastur.com.br), Stella Barros (stellabarros.com.br), TAM Viagens (tamviagens.com.br) e nas agências de viagens.

ESTANTE PARA VIAGEM | Bistrôs Paris, de Alex Herzog

Fotógrafo e gourmet, o carioca Herzog juntou suas duas paixões num guia que revela os bistrôs BBB (bons, bacanas e baratos) de Paris. De quebra, ainda conta os filmes em que cada um aparece (Bom Texto, R$ 39,90).

DOSSIÊ | Paraísos baianos: como chegar

Morro de São Paulo

O ano todo há voos regulares de teco-teco que levam 25 minutos desde o aeroporto de Salvador (http://www.aerostar.com.br/, http://www.addey.com.br/). Lanchas e catamarãs saem diariamente do cais atrás do Mercado Modelo e levam duas horas (enjoadas). Dá para ir de ferryboat a Bom Despacho (50 minutos), pegar um ônibus a Valença (1h30) e continuar de lancha (30 minutos).

Boipeba

Aviõezinhos vindos de Salvador pousam na ponta da Ilha de Tinharé em 30 minutos; de lá você cruza de barco o Rio do Inferno (addey.com.br). A alternativa mais comum é ir de ferryboat a Bom Despacho, em Itaparica (50 minutos), pegar o ônibus a Valença (1h30) e a lancha rápida à ilha (55 minutos). De Morro de São Paulo, jardineira ou lancha, saindo de manhã cedo.

Barra Grande

Hóspedes do resort Kiaroa chegam em voo fretado (kiaroa.com.br). Para os outros, o melhor caminho é por Ilhéus, que está a 120 km de Camamu, de onde saem as lanchas para a península (30 minutos). Quem vem de Salvador pega o ferryboat a Bom Despacho (50 minutos), ônibus a Camamu (2h30) e lancha (30 minutos).

CASAL SILVESTRE | Sílvio e Flora Silvestre fazem viagens sustentáveis desde antes de saber o que era isso

''Vem cá, podemos indicar um livro? É de um outro casal que também ama as viagens verdes. O André Seale e a Lucia Malla são biólogos e mergulhadores. O André também é fotógrafo e reuniu uma década de mergulhos no livrão Jardins Marinhos Tropicais (Ed. ArteSub), feito a quatro mãos. Dá para comprar na Livraria Cultura - para quem tem o +Cultura sai R$ 64. Fica a dica para o amigo secreto."

VIAJE NA PERGUNTA

Você poderia me indicar um bom lugar para passar o réveillon em Buenos Aires? Sérgio, São Paulo.

Argentinos festeiros estarão em Punta del Este. Turistas vão ver os fogos (modestos) em Puerto Madero e depois seguem para as discotecas. O problema é achar táxi. Escolha uma festa perto do seu hotel. Em Puerto Madero, reserve o jantar no Sottovoce (www.sottovoceristorante.com.ar) e emende na boate Asia de Cuba (www.asiadecuba.com.ar). Na Recoleta, vá aos hotéis: Alvear (www.alvearpalace.com), Hyatt (www.buenosaires.park.hyatt.com) e Four Seasons (www.fourseasons.com/buenosaires). Em Palermo, tente o BoBo (www.bobohotel.com.ar).

Perguntas: turista.profissional@grupoestado.com.br

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.