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A dieta vai ter de ficar para julho

Não dá para deixar de lado delícias típicas como a tapioca de Alagoas ou o arroz de cuxá do Maranhão

O Estado de S. Paulo

13 Maio 2009 | 18h06

Tão envolvente quanto o som dos pífanos e os versos dos repentistas são os deliciosos quitutes que recheiam as barraquinhas das festas de São João do Nordeste. Comida saborosa, forte e de personalidade, que ajuda a manter de pé a multidão embalada pelo forró e baião.

 

 O menu responsável por repor as energias dos festeiros muda, sim, de acordo com o Estado visitado. Ou você pensa que a gastronomia junina é universal? Os produtos típicos e as tradições de cada localidade ajudam na mudança dos aromas e das receitas.

 

Quem voltar da capital do Piauí, por exemplo, sem ter pedido ao garçom um prato de Maria Isabel vai ficar com a viagem incompleta. Trata-se de uma receita bastante famosa em Teresina, à base de carne de sol e arroz. Pode vir acompanhada de feijão tropeiro, mingau de milho e creme de galinha. Uma delícia com sustança.

 

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linkCajuína

Para refrescar, peça uma garrafa de Cajuína, tipo de refrigerante feito a partir do suco de caju. A bebida deve ser servida bem gelada porque, dizem os moradores, o sabor fica melhor. Além disso, ajuda a espantar o calor abafado que predomina em uma das capitais mais quentes do Brasil.

 

Na Princesa do Agreste pernambucano, mais sabores se revelam. A culinária de Caruaru é famosa pela carne de sol e pelo bode na brasa, servidos em restaurantes de comida regional que ficam no Alto do Moura, bairro a cerca de dez quilômetros do centro. E nem pense em fazer cara feia para a iguaria mais nobre da região. O gosto, como se pode imaginar, é bem forte, mas único.

 

Neste ano, a grande novidade gastronômica da cidade foi um concurso organizado em abril pela Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru. Os participantes tiveram de criar pratos em homenagem ao Mestre Vitalino, tema escolhido para o São João de 2009.

 

O restaurante vencedor foi o La Maison, que fica na Avenida Agamenon Magalhães, nº 925. "Usamos muita criatividade para criar a receita", diz o chef do lugar, Severino Ramos. O prato Mestre Vitalino é feito com bode cozido, banana, castanha de caju e pirão de queijo. Custa R$ 16,90.

 

linkAmarradinho

Na vizinha paraibana, Campina Grande, o São João e a culinária são igualmente famosos. Uma receita conhecida por lá é a macaxeira com carne seca, servida com cebolas fritas e purê de batata com queijo gratinado. Outra delícia é o "amarradinho" de feijão verde, sempre acompanhado de um pouco de manteiga de garrafa. Não tente calcular quantas calorias existem em cada prato.

 

Se você decidiu deixar a dieta de lado, duas opções de restaurante são o Cuzcuz, na Avenida Severino Cruz, nº 771, e o O Murão, na Rua Barão do Abiaí, nº 15, ambos na região central de Campina Grande.

 

linkArroz de Cuxá

No Maranhão, a viagem não fica completa se não incluir a degustação do arroz de cuxá. O prato representa uma fusão de hábitos e culturas regionais, com influências de povos indígenas, escravos africanos e colonos portugueses.

 

Também chamado de vinagreira ou azedinha, o prato é feito com uma espécie de arroz cozido e camarão. O peixe frito é o principal acompanhamento, além da farinha, é claro.

 

linkCuscuz

Já no São João de Alagoas, não faltam cuscuz, arroz doce, pamonha e bolo de milho. Mas nada se iguala à fama da tapioca, que por suas peculiaridades, é vendida em outros Estados como tapioca alagoana.

O diferencial está nas opções de recheios. Entre os sabores salgados, castanha de caju, amendoim, coco com camarão e carne de caranguejo são alguns exemplos. Entre os doces, brigadeiro, leite condensado e goiabada com queijo.

 

Independentemente do sabor, o principal acompanhamento é o cafezinho, servido de graça nas barracas de tapioca da capital alagoana. Os quiosques mais conhecidos estão nas Praias de Jatiúca e Pajuçara, que chegam até a disputar para ver quem leva o título de melhor quitute de Maceió.

 

A tapioca também faz parte do cardápio do turista que vai ao Ceará. O Estado tem outras semelhanças gastronômicas com seus vizinhos, como a carne de sol no jerimum e a farofa de cuscuz.

 

linkQueijo Coalho

No Rio Grande do Norte, quem gosta de carne ainda pode experimentar um bom churrasquinho de bode, acompanhado de um saboroso e salgadinho queijo coalho.

 

Na Bahia, outros sabores juninos, como a canjica, o bolo de mandioca e a batata doce. Para beber, nada melhor do que os licores regionais. Entre as várias opções, o de jenipapo, feito com cachaça, é umas das melhores pedidas.

 

ANIVERSARIANTE FESTEIRO

 

Maria morava na mesma cidade de Isabel (na região de Judá), as duas eram primas. Ambas queriam ter um bebê, mas naquele tempo em que não existia internet nem telefone, não tinham como comunicar o momento exato do nascimento do filho. Foi feito o acerto: a que tivesse a criança primeiro, acenderia uma fogueira para a outra ir correndo ajudar no parto.

 

Isabel foi mais apressada e teve João – conhecido hoje como São João Batista. Maria demorou mais um pouco para dar à luz seu primogênito, Jesus Cristo.

 

Essa é a versão católica para explicar a fogueira no dia de São João. Os historiadores afirmam que era uma tradição pagã incorporada muitos anos depois pela Igreja. Nesse período do ano, moradores do campo acendiam o fogo para espantar pestes e demônios que pudessem prejudicar as colheitas.

 

Enfim, voltando às lendas, mais divertidas, Luís da Câmara Cascudo, no ‘Dicionário do Folclore Brasileiro’, diz que João, garoto, deitado no colo de sua mãe, quis saber, um dia, qual seria a data de seu aniversário.

 

Santa Isabel não respondeu e o obrigou a ir se deitar. São João, normalmente retratado como criança também por causa desse episódio, passou dormindo todo o 23 de junho, véspera de seu aniversário. "Talvez seja por isso", afirma Cascudo, "e também pelo frio do mês de junho, que a festa se dê em torno da fogueira; os fogos de artifício seriam para acordar São João."

 

Embora não seja tão casamenteiro quanto Santo Antônio, suas festas são lotadas de mulheres. As crenças populares explicam isso também.

 

Como ele sempre está dormindo, as moças aproveitam para usar roupas bonitas e saírem à procura de marido no festejo.

 

As meninas abusam ainda de outro ponto forte do santo: as adivinhações. São João era profeta famoso nos primeiros anos depois de Cristo. Elas, sabendo disso, tiram a sorte e fazem simpatias na noite do dia 23 para descobrir com quem e quando vão se casar.

 

O povo acredita que São João dorme na festa porque, acordado, poria fogo na Terra, de tão alegre que ficaria – ele tem fama de ser um santo animado.

 

Mas os brasileiros, ou mais especificamente os nordestinos, não veneram apenas São João. Também são homenageados os outros santos juninos, Santo Antônio e São Pedro, mas o primo de Jesus é o preferido.

Primo que também era seu fã incondicional. Definiu assim o parente: "Dos nascidos de mulher, João é o maior de todos."

 

São João morreu decapitado por contrariar o rei Herodes Antipas. Mas como esse é o lado triste da história, não merece ser lembrado na festa.

 

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