A dura tarefa de escolher um favorito

As portas abertas aos visitantes e as degustações já são tradição na maior parte das vinícolas do Vale dos Vinhedos. Pequenas ou grandes, famosas ou discretas, muitas oferecem tours guiados por suas instalações. A regra aqui é viver o vinho.

BENTO GONÇALVES, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2014 | 02h06

Durante a safra, entre janeiro e março, os visitantes são convidados a comer a fruta diretamente do parreiral e apreciar a colheita. Já acompanhar o minucioso trabalho de elaboração dos vinhos é atividade que pode ser feita o ano todo, com o apoio de enólogos. O site valedosvinhedos.com.br reúne a lista completa não só de vinícolas, como de opções de hospedagem e de gastronomia no entorno.

Novidade da temporada, a marca coletiva Vinhateiros do Vale sela a busca pelo fortalecimento regional. Cada vinícola cria seu próprio vinho em produções limitadas e preço padrão de R$ 24,90. Os rótulos possuem identidade visual comum, com elementos caros à imigração italiana, e a ideia é que o visitante percorra as propriedades para provar e colecionar cada um deles.

"Não queremos perder nossa identidade. Tudo aqui é família", afirma Juarez Valduga, presidente da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale). Até o momento as participantes são Aurora, Casa Valduga, Cavas do Vale, Dom Cândido, Don Laurindo, Larentis, Miolo e Torcello.

Rótulos. Visitar as mais de 30 vinícolas que compõem o Vale dos Vinhedos não é coisa para uma só viagem - a vantagem é ter sempre motivo para voltar. Algumas, contudo, são essenciais. Com mais de 100 rótulos diferentes e 4,5 milhões de litros de vinhos finos e espumantes envasados anualmente, a Miolo (miolo.com.br) está entre as maiores fabricantes do País. Enólogos guiam visitas às instalações (R$ 15, sendo R$ 7,50 em créditos na loja), vinhedos, caves e coordenam uma degustação de produtos do portfólio. Um bom ponto de partida para ir apurando olfato e paladar.

Entre as grandes, a Casa Valduga tem um quê mais familiar e aconchegante. Talvez seja pelo sorriso aberto de seu proprietário, Juarez Valduga, figurinha fácil nas dependências da vinícola, onde também é possível se hospedar. A Villa Valduga é um complexo turístico com restaurante (italiano, claro), loja com os principais rótulos e 24 confortáveis suítes (diárias a partir de R$ 300, villavalduga.com.br). Não deixe de visitar o complexo subterrâneo de caves, onde repousam mais de 1,5 milhões de litros - os tours custam R$ 20 por pessoa, com degustação.

Um esmero detalhista com a produção são as características em comum da Pizzato e Lídio Carraro, que se destacam entre as de menor tamanho. Na Lídio Carraro (lidiocarraro.com), a ordem é pouca quantidade e grande naturalidade. Não usa barris de carvalho, apenas tonéis de aço inox para envelhecer a produção. A visita (R$ 20, caso não seja adquirida nenhuma garrafa) ocorre na casa onde a família Carraro mora até hoje, com apresentação de vinhos e degustação. Entre as delícias, os novíssimos Dádiva Pinot Noir e Singular Tempranillo, ambos da safra 2013, custam R$ 49,80 cada.

Já na Pizatto, são duas as pratas da casa: os merlots e o senhor Plínio Pizzato. Além do Reserva Merlot 2005 (R$ 90) e do Reserva Alicante Bouschet 2008 (R$ 65), o fundador da vinícola justifica a visita. Ainda mais agora, que se inicia o período da vindima e é possível passar o dia entre os vinhedos na companhia do patriarca, colhendo a próxima safra e degustando as mais recentes (preço sob consulta em pizatto.net).

As 120 mil garrafas anuais podem parecer muito para um leigo, mas são consideradas produção limitada e caprichada da Don Laurindo (www.donlaurindo.com.br). Dos 15 hectares de vinhas saem vinhos elaborados para o consumo da família Brandelli (os donos da vinícola) - o excedente é comercializado. Malvasia de Cândia, safra 2014 (R$ 40), é um branco pitoresco, amargo, mas com personalidade. Já o Malbec 2012 (R$ 50), envelhecido por seis meses em barrica de carvalho, possui uma cativante suavidade seca. /F.M.

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