A evolução dos cruzeiros no Brasil

A última temporada de cruzeiros marítimos no Brasil, que se encerrou há dois meses, traz notícias animadoras. Batemos recorde no número de passageiros, transportando mais de 400 mil pessoas. Esse índice supera em 25% o obtido na temporada anterior. Surpreendentes, também, são os dados referentes à criação de empregos e de riqueza sob a forma de taxas pagas aos cofres da União. Mais de US$ 40 milhões foram destinados aos impostos, quase o dobro do registrado na temporada 2006/2007. A criação de empregos diretos saltou de 3.700 para 5 mil postos de trabalho. Essa é mais uma prova do potencial do setor. Quem ainda não abriu os olhos será, inevitavelmente, atingido por esse clarão de progresso que os cruzeiros representam para o nosso País. Baseados nessa realidade, nós, das empresas marítimas, estamos apostando alto na próxima temporada, com início previsto para 13 de novembro. Serão 15 navios de cabotagem percorrendo a costa brasileira, alguns pela primeira vez, que devem surpreender turistas em busca de aventura, diversão, segurança e conforto. O número de passageiros segue a estimativa de aumento de 25%, com 502 mil lugares disponíveis nas embarcações. Ao todo, 235 cruzeiros prometem agitar não só as nossas praias como o mercado turístico nacional. E essa movimentação, felizmente, está tirando do marasmo a União e os Estados, que há décadas não investem em estrutura portuária, um dos principais gargalos do setor. O Nordeste já começa a dar sinais nesse sentido. Natal (RN) está elaborando um projeto para a construção de um terminal de passageiros no valor de R$ 100 milhões. Será executado por um consórcio espanhol formado por quatro empresas e um banco. Em Salvador (BA), acabam de ser liberados dois antigos armazéns para a criação de uma moderna marina, numa área com mais de 13 mil metros quadrados. E no Recife (PE), estão previstos investimentos de R$ 25 milhões para erguer um terminal de passageiros - como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É urgente vencer as amarras que ainda impedem a modernização dos portos. O investimento em infra-estrutura foi apenas um dos assuntos discutidos durante o primeiro Fórum Abremar, que ocorreu na sexta-feira, em São Paulo. Entre os debatedores estavam representantes dos principais ministérios, secretarias e autarquias ligados ao turismo, ao desenvolvimento dos portos e dos destinos. Para nós, empresários, essa presença corrobora o interesse dos governos em estreitar o diálogo. O fórum ocorreu com o Cruise Day 2008, o maior evento do setor de cruzeiros, voltado para o aperfeiçoamento dos agentes de viagens. Mais de 1.500 pessoas compareceram. Acreditamos que esses profissionais são os principais porta-vozes do turismo brasileiro. O sucesso de qualquer viagem começa no ato da venda. Passageiro bem informado, embarcando para um destino adequado ao seu perfil, voltará satisfeito, ávido para repetir a experiência. O potencial do nosso povo e das nossas empresas pode tornar o Brasil um destino de cruzeiros tão ou mais atraente quanto Caribe, Mediterrâneo e Ásia. Apostando nesse futuro, e no interesse crescente do brasileiro pelo turismo marítimo, só podemos aguardar ansiosos a chegada da nova temporada. * Eduardo Vampré do Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar)

Eduardo Vampré do Nascimento, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2008 | 02h44

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