Bota pra Correr Olympikus
Bota pra Correr Olympikus

A experiência da corrida: suor, cenário e superação

Calor de 35 graus e os diferentes tipos de solo foram os principais desafios do trajeto realizado no Parque Estadual do Jalapão

Viviane Jorge, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 04h40

Em 2017, aos 41 anos, decidi mudar minha rotina e começar a correr. Os seis quilos a mais que a gravidez trouxe não queriam ir embora, e achei que praticar um esporte que me deixasse independente poderia ser uma solução. Um ano depois e 12 quilos a menos, já havia tomado gosto pela coisa. 

Nesse tempo, só havia corrido nas ruas de São Paulo quando surgiu a oportunidade de participar da prova de 10 quilômetros da etapa do Jalapão do circuito Bota pra Correr da Olympikus. A proposta do evento é levar atletas amadores para vivenciar a experiência de participar de provas diferenciadas em locais de natureza intocada. A que participei, em julho, teve 200 participantes e distâncias de 10 e 21k. 

Algo bem distante da minha zona de conforto, com trechos de terra batida (algo como correr na praia), barro, pedregulhos e um calor de 35 graus. Uma coisa, contudo, não foi diferente das provas que participo na capital paulista: o sacrifício de acordar cedo. São cinco da manhã, acordamos para um café da manhã rápido e saímos para o local da prova.

Uma hora e meia e muitos solavancos na estrada depois, chegamos à sede do Parque Estadual do Jalapão. O cenário da nossa corrida é deslumbrante: o pé da Serra do Espírito Santo. Por volta das 7h, a temperatura ainda é amena, em torno dos 20 graus, e há muitas nuvens no céu, o que enche os corredores de esperança de que o percurso não seria tão duro.

Pergunto o nosso guia: “Está bastante nublado, acho que deve chover, não?”. Ele sorri e diz: “Não, nesse mês a chuva não chega ao chão por aqui. Daqui a pouco o céu se abre." Às 7h30, a profecia do guia se concretiza, as nuvens desaparecem e o sol inclemente começa a dar as caras.

A largada

Perto das 8h, começamos a nos aquecer e alongar, o frio na barriga aumenta e o sol ardido me faz pensar: será que vou conseguir? Agora não dá mais pra desistir. Às 8h em ponto, largamos pela estrada de terra do parque.

Apesar de não ser uma prova de aventura, o percurso é duro: na terra batida, é preciso estar atento aonde pisar. A umidade do local é muito baixa e a respiração fica ofegante mesmo na descida. Entendo agora porque a cada 2,5 km há um posto de hidratação. Detalhe interessante: a Olympikus ofereceu copos de silicone, não descartáveis para evitar a produção de lixo no parque. Seria uma ótima ideia a ser adotada nas corridas urbanas, porque em provas de rua há uma produção de lixo muito alta devido ao uso de copos plásticos. 

Mudanças no solo

O primeiro quilômetro é uma grande descida na terra batida, então seguimos bem. Já no segundo entramos em estrada de areia fofa e aí a coisa começa a complicar. É praticamente como correr na praia, as pernas e pés pesam muito e o calor só aumenta a dificuldade. Penso que vai ser difícil cumprir a prova, mas sigo. Nesses trechos mais lentos, aproveito para fazer algumas fotos do trajeto: o céu azul e o contraste avermelhado, salpicado do verde do cerrado das montanhas da Serra do Espírito Santo fazem tudo valer a pena.

O circuito é praticamente reto, mas a altimetria é variada e a dificuldade fica nas subidas e no tipo de solo, que muda a cada quilômetro. E também o mato, que pode atingir as pernas dos desavisados. Uma boa dica é usar meias de cano médio a longo para evitar esses atritos.

Ainda descendo em direção ao quinto quilômetro começamos a encontrar os atletas que já estão voltando. Nessa hora, o tênis já está cheio de terra e areia e a parada para hidratação é obrigatória.

O trecho mais duro

Começo a volta dos cinco quilômetros, onde normalmente eu tentaria dar um pique de velocidade e percebo que o retorno é só de subida. Acelerar fica impossível, o calor e a poeira atrapalham e o detalhe da areia fofa transforma essa subida leve num grande desafio. O trecho é duríssimo e muitos atletas caminham por aí. 

Pouco depois das 9h, entro no último quilômetro: uma subida dura de terra vermelha batida que tem a melhor paisagem da corrida. O visual compensa tudo e sigo firme em direção ao fim da prova. Passar pela faixa de chegada, depois de uma corrida tão difícil e num calor tão forte, foi realmente emocionante. Uma experiência inesquecível, e como dizem os atletas, de verdadeira superação. 

Fico na 34ª posição entre os 66 competidores na categoria e com a endorfina a mil. Ness momento, já penso que nem foi tão difícil. E divago: será que no ano que vem dá pra tentar os 21k? 

O que levar

Proteção contra o sol 

Use filtro solar com FPS acima de 50 para se proteger. Não esqueça também o boné e os óculos escuros. 

Proteção contra insetos

Você não vai precisar do repelente durante a corrida, mas no antes e depois os insetos atacam sem dó.

Proteção contra  a vegetação

Meias de cano médio ou longo são recomendáveis para não voltar com as canelas cheias de marcas dos matinhos do caminho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.