A fronteira entre a terra e o mar

Grande parte dos dez passeios que a ilha oferece se faz por trilhas. Com a possibilidade de surgir novas trilhas e melhorar as existentes, abrem-se novos caminhos.

FERNANDO DE NORONHA, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2012 | 03h08

É o caso da Enseada dos Abreus, cuja trilha acaba de ser recuperada pela Eco Noronha. É um desses lugares que podem ser vistos de cima, quando se construir um mirante.

Mas seu verdadeiro segredo está lá embaixo entre as pedras, constantemente batidas pelas ondas e banhadas pelo spray marinho.

Noronha tem praias brancas, de areias macias e águas de azul esmeralda, sobretudo no mar de dentro, protegido pela própria ilha.

Nelas, há mais do que sensualidade. Há muita vida. Às vezes, o visitante vai se encantar com um caramujo. Deve aproveitar bem esse momento, pois uma coleção completa de moluscos de Noronha só existe em Londres, no Museu de História Natural.

A descida para as praias na Enseada do Abreu é íngreme. Andar sobre elas, uma tarefa delicada porque são escorregadias e úmidas. Mas a recompensa é grande porque não se limita a uma bela piscina natural, com 2 metros de profundidade.

Vida que surge. O que se vê ali é uma explosão de vida: caranguejos e lagostas saindo de suas carapaças, moluscos agarrados na rocha, hidroides que parecem flores se abrindo nas águas cristalinas.

Esse riquíssimo mundo de beira-mar sempre existiu em Noronha. Mas uma visita na maré baixa permite que as pessoas se deem conta de mais uma dimensão do arquipélago.

Um passeio com potencial semelhante é o que une as praias de Caieira e Atalaia. Também só é possível com a maré baixa.

O ideal no passeio era ter um biólogo ao lado. No livro de Rachel Carson chamado Beira-Mar, conta-se a história de algumas intelectuais em Cape Cod, nos Estados Unidos, que ficaram com pena dos caranguejos e os levaram de novo para o mar.

Foi um tremendo transtorno para os animais, que saíam das águas exatamente para pôr seus ovos.

Outra riqueza visual da Enseadas dos Abreus são as rochas coloridas, que, aliás, existem em outros pontos. Mas aqui a diversidade e combinação de cores é quase inesgotável.

O tempo é limitado pela maré mas ainda assim a contemplação das pedras nos Abreus traz sempre interrogações. Como foi possível chegar a essas cores, como se juntaram em arranjos tão harmoniosos?

O terreno é argiloso, as cascas de caranguejo e lagosta são coloridas, há a areia e os sedimentos trazidos pelo mar.

Cada pedra parece conter um enigma indecifrável para o visitante. Mas ele deve se limitar a fotografá-las: são patrimônio do parque. / F.G.

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